Este blog tem por finalidade, homenagear consagrados poetas e escritores e, os notáveis poetas da internet.
A todos nosso carinho e admiração.

Clube de Poetas









domingo, 13 de outubro de 2013

EUGÈNE EMILE PAUL GRINDEL


Eugène  Emile Paul Grindel 
( 1895 / 1952 )

Paul  Éluard (pseudônimo de Eugène Emile Paul Grindel) foi um poeta francês, nascido em Saint-Denis, hoje subúrbio ao norte de Paris.
 Autor de poemas contra o nazismo que circularam clandestinamente durante a 2ª Guerra Mundial, participou no movimento dadaísta, foi um dos pilares do surrealismo, abrindo caminho para uma ação artística mais engajada, até filiar-se ao partido comunista francês e tornou-se mundialmente conhecido como "O Poeta da Liberdade".
Aos 16 anos, Paul Eluard contraiu tuberculose, que o obrigou a interromper seus estudos. No Sanatório de Clavadel, na Suiça, teve o primeiro encontro com Manuel Bandeira. No Sanatório de Davos, conhece uma jovem russa, Helena Diakova, que ele apelidou de Gala. Os dois casaram-se durante a guerra, em 21 de fevereiro de 1917.
Sua impetuosidade, seu espírito decidido, sua cultura, impressionaram o jovem Paul, que encontra nela seu primeiro impulso de poesia amorosa, e tiveram uma filha, Cecile.
Viveram juntos até 1929, em seguida, Gala se casaria com o pintor espanhol Salvador Dali.
Embora o trabalho de Paul Éluard tenha tido várias fases, foram dezenas de títulos publicados entre 1913 e 1952, ano de sua morte. Tornou-se então conhecido principalmente por suas poesias surrealistas.
Conviveu com poetas, como André Breton e Louis Aragon e artistas plásticos, como Picasso, De Chirico, Dali, Margritte, Miró, Man Ray e Chagall.
Em 1918, quando a vitória é proclamada, Paul Éluard alia a plenitude de seu amor a um profundo questionamento do mundo: é o movimento Dadá que vai disparar esse processo, através do absurdo, da loucura, do non-sense. 
Sua obra é extensa. Com Benjamim Péret, escreve 152 poemas. Com André Breton, "No Defeito do Silêncio" e "Imaculada Concepção", com Breton e René Char, "Trabalhos". A partir de 1925, ele apóia a revolta dos Marroquinos. Em 1926, ingressa, junto a Aragon e Breton, no partido comunista francês. Nesta mesma época, publica "Capital da Dor" e "Amor e Poesia". Em 1928, novamente doente, volta para o Sanatório com Gala, onde ela reencontra Salvador Dali e ele conhece Nusch. 
Nos anos 40, durante a Resistência, lançou seu mais conhecido poema " Liberté ", publicado no livro Poésie et Varité (Poesia e Verdade), de 1942. No ano seguinte, aviões da Força Aérea Britânica lançaram milhares de cópias desse texto sobre Paris.
Os anos de 1931 a 1935, foram os mais felizes na vida de Éulad: Casado com Nusch, ela representou para ele a encarnação da mulher, companheira, cúmplice, sensual, sensivel e fiel.
Na Espanha, em 1936, Paul se insurge contra o movimento franquista. No ano seguinte, o bombardeio de Guernica o inspira a escrever o poema " A Vitória de Guernica ". Para que  o poema fosse impresso na Inglaterra, foi contrabandeado, desde a França ocupada, pelo pintor pernambucano Cícero Dias. A terceira convergência seria com Manuel Bandeira novamente, e Carlos Drummond de Andrade que traduziram "Liberté" a quatro mãos, ainda nos anos 40.

Retrato de Paul Eluard - Salvador Dali - Óleo sobre tela - 1942
Em novembro de 1952, paul Éluard morre do coração, em sua casa. Neste dia, segundo Robert Sabatier, "o mundo inteiro estava de luto".

QUEM DE NÓS INVENTOU O OUTRO?
Tua cabeleira de laranjas no vazio do mundo,
No vazio dos vitrais pesados de silêncio
E de sombra onde minhas mãos nuas buscam teus reflexos.
A forma do teu coração é quimérica
E teu amor se assemelha a meu desejo perdido.
Ó suspiros de âmbar, sonhos, olhares.
Mas tu não estiveste sempre comigo. Minha memória
Ainda está obscurecida por te-la visto chegar
E partir. O tempo se serve das palavras como o amor.
Fechei-me em meu amor, sonho.


NÃO MAIS PARTILHAR
Na noite de loucura, nú e claro,
O espaço entre as coisas possui a forma de minhas palavras,
A forma das palavras de um desconhecido,
De um vagabundo que desata a cintura de sua garganta
E pega os ecos pelo laço.
Entre árvores e barreiras,
Entre muros e mandíbulas,
Entre essa grande ave trêmula
E a colina que a oprime,
O espaço possui a forma de meus olhares.
Meus olhos são inúteis,
O reino do pó acabou,
A cabeleira da estrada pôs seu manto rígido,
Ela não foge mais, não me mexo mais,
Todas as pontes estão cortadas, o céu nelas não passará mais,
Posso então não ver mais nelas.
O mundo se destaca de meu universo
E, bem no cume das batalhas,
Quando a estação do sangue murcha em meu cérebro,
Distingo o dia dessa claridade de homem
Que é a minha,
Distingo a vertigem da liberdade,
A morte da embriaguês,
O sono do sonho. 
Ó reflexos sobre mim mesmo! Ó reflexos sangrentos! 
(Tradução: Eclair Antonio Almeida Filho)



 Fontes de Pesquisa:


Trabalho de Pesquisa Eliana Ellinger (Shir)

CHARLES CHAPLIN


Charles Chaplin
( 1889 - 1977 )
 
 
 
Charles Spencer Chaplin, nasceu em Londres em 16 de abril de 1889. Filho da atriz e cantora, Lili Harley e do músico Charles Spencer Charles Sr, começou a vida de artista aos cinco anos de idade, no teatro popular.
Ator, diretor, produtor, empresário, escritor, comediante, roteirista e músico britânico, Charles Chaplin foi uma das mais famosas personalidades do mundo artístico e literário.
Após a morte de seu pai que era alcoólatra e a internação de sua mãe, Chaplin conseguiu estabilizar-se financeiramente quando assinou contrato para atuar numa versão de Sherlock Holmes e logo após a trabalhar no Circo Casey, onde desenvolveu sua veia cômica. Em 1909, teve sua primeira temporada em Paris e em 1913, na Filadélfia, recebeu proposta da Keystone Comedy Film Company para filmar três filmes por semana, tendo como oferta salarial aceita de 150 dólares.
Chaplin iniciou sua carreira como mímico, fazendo excursões para apresentar sua arte . Em 1913, durante uma das viagens pelo mundo, este grande ator conheceu o cineaste Mack Sennett, em Nova York, que o contratou para estrelar seus filmes. Em 1918, no auge do sucesso, ele abriu sua própria empresa cinematográfica e, a partir daí, fazia seus roteiros e dirigia seus filmes. Crítico ferrenho da sociedade, ele não cansava de denunciar os grandes problemas sociais, tais como a miséria e desemprego.
Adepto ao cinema mudo, foi contra o surgimento do cinema sonora mas, como artista que era, logo se adaptou e voltou a produzir verdadeiras obras primas: O Grande Ditador e Luzes da Ribalta.
 


Por sua inigualável contribuição ao desenvolvimento da sétima arte, Chaplin é o mais homenageado cineasta de todos os tempos, sendo ainda em vida condecorado pelos governos britânicos (Cavaleiro do Império Britânico) e francês (Légion d'Honneur), pela Universidade de Oxford (Doutor Honoris causa) e pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dod estados Unidos (Oscar especial pelo conjunto da obra em 1972).
Charles Chaplin casou-se quatro vezes: Mildred Harris (1918-1920); Lita Grey (1924-1928); Paulette Goddart (191936-1942) e Oona O'Neil (1943-1977). Perseguido pelo macarthismo nos EUA, Charles foi viver em Corsier-sur-Varey, na Suiça, onde faleceu aos 88 anos de idade.
 
SORRIA
 
Sorria, embora seu coração esteja doendo,
Sorria, mesmo que ele esteja partido,
Quando há nuvens no céu
Você sobreviverá...
 
Se você apenas sorri,
Com seu medo de tristeza,
Sorria e talvez amanhã
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
se você apenas ilumine sua face de alegria.
 
Esconda todo rastro de tristeza
Embora uma lágrima possa estar tão próxima,
Este é o momento que você deve continuar tentando.
Sorria, para que serve o choro?
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena,
se você apenas...
 
Se você sorri
Com seu medo de tristeza,
Sorria e talvez amanhã
Descobrirá que a vida ainda vale a pena
Se você apenas sorrir...
 
Este é o momento para continuar tentando.
Sorria, prá que serve o choro?
Você descobrirá que a vida vale a pena
Se você apenas sorrir.


A VIDA ME ENSINOU
 
A vida me ensinou
A dizer adeus às pessoas que amo,
Sem tirá-las do meu coração.
 
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrar-las que sou diferente do que elas pensam,
fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade,
para que eu possa acreditar que tudo vai mudar.
 
Calar-me para ouvir,
aprender com meus erros,
afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças,
sorrir quando o que mais desejo é gritar todas
as minha dores para o mundo,
A ser forte quando os que amo estão com problemas,
ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho.
 
Ouvir a todos que só precisam desabafar,
Amar aos que me machucaram ou querem fazer de mim
depósito de suas frustações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente,
Pois já precisei desse perdão.
Amar incondicionalmente,
Pois também preciso desse amor.
 
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que for necessário),
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar.
 
Me ensinou a ter olhos para "ver estrelas",
embora nem sempre consiga entende-las;
A ver o encanto do por-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba,
sempre lutando para preservar tudo o que é
importante para a felicidade do meu ser.
A abrir minhas janelas para o amor
e não temer o futuro.
 
Me ensinou e está me ensinado a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um
diamante que eu mesmo tenha que lapidar,
lhe dando a forma da maneira que eu escolher.


FRASES:
 
* A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.
 
* Não preciso me drogar para ser gênio; Não preciso ser um gênio para ser humano; Mas preciso do seu sorriso para ser feliz.
 
* Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém, apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é...Respeito.


Fontes de pesquisa:
 


Trabalho de Pesquisa: Eliana (Shir) 
 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

EDGAR ALLAN POE


EDGAR ALLAN POE
(1809 - 1849)
Edgar Allan Poe, poeta, crítico e contista, nasceu em Boston, representando uma tendência à parte do movimento geral do Romantismo nos EUA, pelo fantástico, pelo misterioso, pelo macabro. Cultivando esses temas, suas obras foram influentes no movimento romântico transplantado da Inglaterra para a América.
Sua vida foi marcada pelo sofrimento. Seus pais eram atores de teatro. Quando ainda criança, seu pai abandonou a família e Edgar não ouviu mais nada sobre ele. A mãe faleceu pouco tempo depois, vítima de tuberculose. Assim, ele e seus irmãos foram adotados por John Allan e sua esposa Francis, prósperos negociantes em Baltimore, onde Poe frequentou a escola primária.
Depois, estudou  na Inglaterra e, em seguida, na Universidade de Virginia (EUA), por um semestre, passando a maior parte do tempo entre bebidas e mulheres. Nesse período, teve uma séria discussão com seu pai adotivo e fugiu de casa para se alistar nas forças armadas, onde serviu durante dois anos antes de ser dispensado, depois de falhar como cadete em West Point. 
Sua carreira literária começou humildemente com a publicação de uma coleção anônima de poemas, Tamerlene and Others Poems (1827). Daí, passou a escrever para viver e se tornou editor de uma conceituada revista de Richmond: "O Mensageiro Literário do Sul". Este foi um período feliz na vida de Edgar. Casou-se com Virgínia Clemm, sua prima de 13 anos, e, pouco depois, perdeu o emprego, passou por dificuldades financeiras, a esposa adoeceu e, apesar de sua dedicação ao cuidar dela, veio a falecer de tuberculose. 
Edgar Allan Poe foi o mais romântico dos principais escritores americanos. Em suas obras, ele não se preocupava em abordar os problemas entre o bem e o mal, nem tampouco dar lições de comportamento. Ele acreditava que, se fosse capaz de criar a beleza e tocar a sensibilidade dos seus leitores, já era o bastante.



Os poemas mais famosos de Poe são "O Corvo" e "Os Sinos". Alguns críticos preferm "Para Helena" e "Annabel Lee". Poe acreditava que nada seria mais romântico que um poema sobre a morte de uma mulher bonita.
Muitas de suas de suas obras exploram a temática do sofrimento causado pela morte de um amante. Outra característica de suas poesias é a musicalidade, dando impressão de que o som é mais importante que o sentido.
Edgar Allan Poe é considerado o "criador" do conto policial, mas seu principal mérito está na habilidade com que montava suas histórias. Ele as planejava como um bom arquiteto planeja um edifício, envolvendo o leitor de tal maneira que o conduz "hipnoticamente" ao desfecho da história. Isso revela o dualismo de sua arte e personalidade: de um lado "visionário e idealista", mergulhado em poemas de tristeza, narrativas de horror e policiais.

                                       




Por outro lado, era um "artesão exigente", um escritor que se orgulhava de sua técnica e do romantismo com o qual criava seus escritos. É essa dualidade que o projeta como um dos mestres da literatura mundial.
 Edgar Allan Poe foi um homem de vida conturbada, dominado pelo vício do álcool e excesso de ópio.
Faleceu aos 40 anos de idade, em Baltimore, Maryland, nos Estados Unidos. As teorias sobre as causas de sua morte incluem suicídio, assassinato, cólera, sífilis e ter sido capturado por agentes eleitoriais que o teriam forçado a beber para faze-lo votar e o abandonaram, já profundamente embriagado.

ALONE / SÓ
Desde a infância eu tenho sido
Diferente d'outros, tenho visto
D'outro modo, as minhas paixões
Tinham uma outra fonte e
Minhas mágoas outra origem
No mesmo mesmo tom não despertava
O meu coração para a alegria
O que amei, eu amei só.
Então, na infância, a aurora
Da vida atormentada, estava
Em cada nicho de bem e mal.
O mistério que me prendia,
Da correnteza, da fonte,
Das escarpas rubras do monte,
Do sol que me rodeava,
Em pleno outono dourado,
Do relâmpago nos céus
Quando sobre mim passava,
Do trovão, da toementa
E a nuvem tem a forma
(Quando o resto do céu é azul)
D'um demônio nos meus olhos.


Fontes de pesquisa:

Trabalho de Pesquisa Eliana Ellinger (Shir)

NATÉRCIA FREIRE



NATÉRCIA FREIRE
(1919 - 2004)
 
 
Natércia Freire, foi contista, jornalista e mulher solitária. Escritora durante os anos em que o Estado Novo queria a mulher dentro de casa. Isolada pela Revolução de Abril, Natércia acabou caindo num silêncio imerecido. Deixa um legado poético que merece ser (re)descoberto.
Nasceu em Belvedere, no Ribatejo, e ainda criança mudou-se com a família para Lisboa. Começa dedidando-se à música, mas a poesia era-lhe a maior tentação. Terminou o liceu em 1932 e quatro anos mais tarde conheceu José Isidro dos Santos, com quem se casou.
O ano de 1938 marcou sua estréia na poesia, com a publicação de " Castelos de Sonho", seguindo-se "Meu Caminho de Luz", muito bem recebido pelo público e pela crítica.
Em 1940 inicia sua colaboração na Emissora Nacional, com palestras mensais. No início da década, talvez a mais pesada do consulado de Salazar, lança "Estátua" e "Horizonte Fechado", também muito aclamados. Natércia ingressava assim no meio poético, sendo íntima de alguns dos nomes mais destacados da poesia de então, como Carlos Queiroz, Cecília Meireles e Egipto Gonçalves.
 



Nos anos seguintes, a sua obra começa a ser reconhecida e a ganhar prêmios. Natércia Freire vence por duas vezes o Prêmio Antero de Quental, com "Rio Infindável" e "Anel de Sete Pedras", publicados em 1947 e 1952, respectivamente. Segue-se a entrada para o Diário de Notícias, a convite do Diretor Augusto Castro, pró-regime. Dirigiu a seção Artes e Letras do periódico, da qual saiu em 1974.



Deposto o Estado Novo, Natércia é afastada da Emissora Nacional e acaba por deixar, por sua iniciativa, o Diário Nacional. A escritora e jornalista inicia assim um processo de isolamento social, profissional e pessoal que se manteve até ao fim de sua vida.
Mas não deixou de publicar e colaborar com algumas publicações, como "O Tempo ou O Século". Em 1974 fratura a bacia num acidente e passa um ano acamada, depois de um período de quase-coma.
No início da década de 90 foi publicado o primeiro volume de sua "Obra Poética", prefaciado por seu amigo,  David Mourão-Ferreira.
Até ao final da sua vida publicou algumas antologias poéticas e foi alvo de várias homenagens.  Morre aos 85 anos, do mesmo modo discreto por que pautou os últimos anos da sua existência, deixando uma obra sobre a qual o seu desaparecimento venha talvez fazer incidir alguma atenção.

VISITA
 
Visito os amigos mortos,
Pensando que indo, estão vivos.
Entre a penumbra dos quadros
Andam eles sem sorrisos.
Pronuncio a frase antiga
E dou comigo sozinha.
Oiço então o dia exacto
Da estridente campainha.
Volto a casa, fecho o som
Por dentro da persiana.
E então os retratos andam,
A volta da minha cama.
 
** ** **
 
O BAILE
 
Névoa em surdina
A sombra que acompanha
As finas pernas a dançar na tarde.
Jogo de jovens corpos,
Música de montanha,
Num tempo teu e meu
De eternidade.
E eu, as duas estranhas.
 
Olha quem toca o ponto
Que há no fim!
Ao fim de mim,
No ponto para que vim.
Vulto de agulha
Em fumo de água e lenha.
 
Eu, as duas estranhas.
 
É sempre pelos outros que falamos.
Eu, as duas estranhas, por mim falam.
Em estranhas como os ramos
oscilamos. E vamos
Convergentes, dispersas, disparadas
Do caos ao sol
Em gradações de escadas.
 
Ouve-se às vezes uma voz: - Presente!
E já no corpo as almas vão tocadas.
 
Foi em concretos dias de sol posto,
Em fábricas de fios de uma aranha,
Que se teceram
Em finíssimas teias de desgosto,
(Eu) as duas estranhas.


Fontes de Pesquisa:
 

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)
 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

ALFRED DOUGLAS



ALFRED DOUGLAS

(1870 - 1945)


Alfred Bruce Douglas, terceiro filho de John Douglas, o 9º Marquês de Queensberry, e sua primeira esposa Sybil Montgomery, nasceu em Ham Hill House, no Worcestershire. Chamavam-no Bosie (um derivado de Boysie, ou 'rapazinho'), uma alcunha que lhe ficaria para o resto da vida.

Estudou no Colégio de Winchester (1884-1888) que deixou sem obter nenhum diploma. Na Univeridade de Oxford, Douglas foi editor da revista acadêmica 'The Spirit Lamp', atividade que intensificou o conflito permanente entre ele e o pai. A sua relação havia sido sempre tensa, e durante o caso Queenberry-Wilde, Douglas tomou partido de Wilde, chegando mesmo a encorajá-lo a levar seu pai ao tribunal por difamação. Em 1893, Douglas teve um breve namoro com George Cecil Ives.

Em 1891, Alfred conheceu Oscar Wilde e, apesar do dramaturgo ser casado e com dois filhos, rapidamente se envolveram numa relação amorosa. Foi um relacionamento tempestuoso: Douglas era mimado, insolente e extravagante. Esbanjava dinheiro com rapazes e no jogo, querendo que Wilde o acompanhasse nos seus gostos. Frequentemente discutiam e terminavam a relação, mas sempre se reconciliavam.

Depois da morte de Wilde, Douglas tornou-se amigo próximo de Olive Eleanor Custance, uma herdeira que também escrevia poesias. Casaram-se em 1902 e tiveram um filho, Raymond Wilfred Sholto Douglas.

Alfred Douglas publicou vários livros de poesia, dois sobre sua relação com Wild ("Oscar Wild and Myself"), em 1914, escrito em grande parte por T.W.H. Crosland, o editor assistente do The Academy (mais tarde repudiado por Douglas) e "Oscar Wild: A Summing Up", em 1940, e um livro de memórias, "The Autobiography of Lord Alfred Douglas", em 1931.

Traduziu 'Os Protocolos dos Sábios de Sião' , uma de suas primeiras traduções para inglês desse panfleto anti-semita. Foi editor de uma revista literária de 1907 a 1910, no período em que manteve uma relação com a artista Romaine Brooks, também uma bissexual, cujo maior amor de sua vida foi Natalie Clifford Barney e também com a sobrinha de Oscar Wild, Dorothy Wilde.

Alfred Douglas morreu de insuficiência cardíaca, em Lancing, com 74 anos de idade. Foi enterrado no Mosteiro Franciscano de Crawlwy ao lado da sua mãe Sybil, que havia falecido em 1935 com 91 anos de idade. A campa dos dois está coberta com uma única pedra tumular.


UMA CANÇÃO

Roubar dos prados, roubar as altas colinas verdes,
Violentar flores do meu pomar, deixe-me juntar
Uma coroa de flores, pomar e narcisos,
Porque o meu amor é justo e branco e compassivo.

Hoje o ímpeto vibra suas frases mais delicadas,
Flores com seu incenso fizeram bêbado o ar,
Deus se inclinou para dourar os corações de margaridas,
Porque o meu amor é bondoso e branco e justo.

Hoje o sol beijou a filha da roseira,
E triste Narciso, acólito pálido de Primavera,
Pende a cabeça e sorri para a água,
Porque o meu amor é bondoso e justo e branco.



UMA PRECE

Muitas vezes o vento do ocidente cantava para mim.
Haviam vozes no córrego e riachos,
E árvores lamentosas diziam para mim, meu Deus, de ti.
E eu não ouvi. Oh! abra pensamentos em meus ouvidos.

Os juncos sussurando baixo quando eu pensava:
"Seja forte, ó amigo, seja forte, adie os medos vãos,
Não da alma com dúvidas, Deus não pode mentir".
E eu não ouvi. Oh! abra pensamentos em meus ouvidos.

Haviam muitas estrelas para guiar meus pés,
Muitas evzes, a lua delicada, ouvindo meus suspiros,
Alugando nuvens e mostrando de uma rua de prata.
E eu não vi. Oh! Desvenda-me os olhos.

Anjos me acenavam incessantemente
e andavam comigo, sob os céus sombrios.
O amado Cristo estendia Suas mãos para mim;
E eu não vi. Oh! Desvenda-me os olhos.


( As traduções não contém rimas, pois tirariam o sentido de suas poesias)


Fontes de Pesquisa

www.pt.wikipedia.org
http://www.poemhunter.com/lord-alfred-douglas/poems/

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger

MANUEL ALEGRE


MANUEL ALEGRE


Manuel Alegre de Melo Duarte nasceu em Águeda, em 1938. Formou-se em Direito na Universadade de Coimbra, onde se envolveu ativamente no movimento estudantil.
E, justamente, como membro da Comissão da Academia que deu apoio a candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República, em 1958.
Contribuiu para o cenário cultural, participando na fundação do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra e também como ator do Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra. Extremamente versátil, dirigiu o jornal "A Briosa", foi redator da revista "Vétice" e colaborador de "Via Latina".
Manuel Alegre foi chamado para o regime militar, em 1961. No ano seguinte, é enviado para Angola, onde liderou uma revolta militar. Ficou preso por seis meses e foi na cadeia que conheceu escritores angolanos como Luandino Vieira, Antonio Jacinto e Antonio Cardoso.
Em 1964, foi para o exílio em Argel, onde foi dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional. Nessa época, publicou dois livros. "Praça da Canção" (1965) e "O Canto e as Armas" (1967), ambos apreendidos pela censura. Mas os livros foram repassados por cópias clandestinas, manuscritas ou datilografadas.
Muitos de seus poemas foram interpretados por cantores como Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, sendo considerados bandeiras da luta pela liberdade. Voltou para Portugal em 1947, quando se filiou ao Partido Socialista, sendo o responsável por mobilizações populares que permitiram a consolidação da democracia e a aprovação da Constituição de 1978, sendo o redator de seu preâmbulo.
Manuel foi deputado por Coimbra em todas as eleições, de 1975 até 2002 e por Lisboa a partir de 2002. Em 2004, candidatou-se a Secretário Geral do PS e no ano seguinte, concorreu à predidência da república. Foi candidato independente, apoiado pelos cidadãos. Alcançou mais de 1 milhão de votos e ficou em segundo lugar, derrotando, inclusive, o candidato do PS.
Apesar da vida política, não abandonou a literatura. Foi eleito sócio correspondente da Classe de Letras na Academia de Ciências, em 2005.
Sobre sua obra poética, reeditada sucessivas vezes, Eduardo Lourenço afirmou que "sugere espontaneamente aos ouvidos (...) a forma, entre todas arquétipa, da viagem, do viajante ou, talvez melhor, peregrinante". O livro "Senhora das Tempestades "


(14.000 exemplares vendidos num mês) inclui o poema com o mesmo nome, que Vitor Manuel Aguiar e Silva considerou "uma das mais belas odes escritas na língua portuguesa". Publicou os romancer "Alma " (12 edições) e "A Terceira Rosa ", duplamente premiado.








Segundo Paola Mildonian, Manuel Alegre "canta a dor e o amor da história com acentos universais, com uma linguagem que (...) recupera em cada sílaba os quase três milenios da poesia ocidental". No Livro do Português Errante , Manuel Alegre, segundo Paula Morão, emociona e desassossega: "depõe nas nossas mãos frágeis as palavras, rosto do mundo, faz de nós portugueses errantes e deixa-nos o dom maior (...) – os seus poemas". O seu livro Cão como nós vai na 20ª edição em língua portuguesa.
ÚLTIMA PÁGINA

Vou deixar este livro. Adeus.
Aqui morei nas ruas infinitas.
Adeus meu bairro página branca
onde morri onde nasci algumas vezes.

Adeus palavras comboios
adeus navio. De ti povo
não me despeço. Vou contigo.
Adeus meu bairro versos ventos.

Não voltarei a Nambuangongo
onde tu meu amor não viste nada. Adeus
camaradas dos campos de batalha.
Parto sem ti Pedro Soldado.

Tu Rapariga do País de Abril
tu vens comigo. Não te esqueças
da primavera. Vamos soltar
a primavera no País de Abril.

Livro: meu suor meu sangue
aqui te deixo no cimo da pátria
Meto a viola debaixo do braço
e viro a página. Adeus.

 
CANÇÃO TÃO SIMPLES
Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?

Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?

Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?

Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?


Fontes de pesquisa:
www.wikipedia.org
www.infopedia.pt
www.isr.ist.uti.pt
www.citador.pt


Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger
 

Gertrude Stein


GERTRUDE STEIN
(1874 - 1946)



Escritora, poetisa e ativista do movimento feminista, Gertrude Stein, nasceu na cidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Membro de uma família de origem próspera, filha de Daniel e Amélia Stein, passou boa parte de sua vida na Áustria e na França, fixando residência na capital francesa depois de completar seus estudos de psicologia com os renomados William James e Henri Bérgson.
O salão de sua casa parisiense viria a ser o ponto de encontro de pintores e escritores de vanguarda. Stein conheceu Pablo Picasso, que a retratou, e trabalhou com Ernest Hemingway na criação de seus manuscritos.
Essa época ficaria refletida na obra intitulada Autobiografia de Alice B. Topklas (1933), narrada do ponto de vista de sua secretária e companheira. Em seus primeiros relatos, como "O Modo de Ser dos Americanos" (1906-1908) e "Três Vidas" (1909), Stein utilizou técnicas de escrita que posteriormente viriam a influenciar a prosa experimental. Recorrendo a parágrafos inteiros sem interrupções, ela variava e ampliava as suas frases e motivos sem uma lógica aparente, estabelecendo um paralelismo entre um ritmo de composição sem final e o próprio percurso da história do ser humano. São também significativos os seus ensaios intitulados "O Que é a Literatura Inglesa".


Durante a Primeira Guerra Mundial, Gertrude e Alice B. Toklas, sua secretária particular e parceira ao longo de vinte e cinco anos, deixaram um pouco de lado a arte e a literatura e se inscreveram na F.A.F.F., uma espécie de fundo de garantia e amparo aos norte-americanos residentes na Europa. Apesar de serem judias, elas foram preservadas das garras nazistas por Bernard Fay, muito amigo de Gertrude, depois acusado de ser cúmplice dos seguidores de Hitler.
Quando esse confronto bélico teve fim, a Paris de Gertrude e tantos outros artistas já não era mais a mesma, não só fisicamente, mas principalmente em relação aos seus moradores e estilo de vida.
No dia 19 de julho de 1946, ao receber um diagnóstico de câncer no útero, é internada num hospital. Uma semana depois, não resiste às implicações de sua enfermidade e falece em Paris, a cidade que amava.




STANZA II

Penso muito bem de Susan, mas não sei seu nome
Penso muito bem de Ellen, mas não é o mesmo
Penso muito bem de Paul, digo-lhe que não o faça
Penso muito bem de Francia Charles, mas faço-o
Penso muito bem de Thomas, mas não o faço
Penso muito bem de não muito bem de William
Penso muito bem de qualquer deles.
É notável que rápido aprendem
Mas se aprendem e é muito notável a rapidez
com que o fazem
Suponho não somente senão por e por
Poderem não somente estar aqui
senão não aí.
O que afinal não faz nenhuma diferença
Adiciono o adicionado a isso.
Bem podia de preferência,
estar de preferência aqui.

(Tradução de Pedro Calouste)





UM POEMA

Eu amo meu amor com V
Porque isso é como aquilo.
Eu amo meu amor com B
Porque eu estou ao lado
desse rei.
Eu amo meu amor com A
Porque ela é uma rainha.
Eu amo meu amor e é o melhor deles
Pensa melhor e é o rei.
Pensa mais e pensa novamente.
Eu amo meu amor com um vestido e chapéu.
Eu amo meu amor e não com isso ou com aquilo
Eu amo meu amor com Y, porque ela é minha noiva
Eu a amo com D porque ela é meu amor ao lado
Obrigada em vez de estar lá
Ninguém precisa se preocupar
Obrigada por você estar aqui
Porque você não está lá.

(Tradução: E.Ellinger)


FRASES:

" Quando estão sozinhos querem estar acompanhados, e quando estão acompanhados querem estar sozinhos. Isso faz parte de ser humano".

"A única coisa que torna possível a identidade é a ausência de mudança, mas ninguém acredita de fato que se seja semelhante àquilo de que se lembra".

"As pessoas que acreditam na inteligência, no progresso e no entendimento, são as que tiveram uma feliz infância".

"Qualquer hora é hora de fazer um poema".

** ** **


NOTA:
As traduções não contém rimas pois tiraria o sentido de suas poesias.


Fontes de pesquisa:

http://www.infoescola.com.br
http://www.wikipedia.org
www.opensador.com.br


Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

AMÓS OZ


AMÓS OZ

Amos Oz nasceu em Jerusalém, em 1939. Escritor e jornalista, publicou dezoito livros, entre romances, ensaios, críticas e poesias. Sua obras foram traduzidas para cerca de trinta idiomas. Atualmente mora em Adad, no deserto de Neguev, em Israel, dedicando-se à militância em favor da paz entre árabes e israelenses e ao ensino de literatura hebraica na Universidade Ben-Gurion.
Em 1917, seus pais, Yehuda Arieh Klausner e Fania Mussman, fugiram de Odessa, Ucrânia, para Vilnius na Lituânia e daí para o Mandato Britânico da Palestina em 1933.
Em 1954, Oz foi morar no Kibutz Hulda. Durante seu estudo de Literatura e Filosofia na Universidade Hebraica de Jerusalém, entre 1960 e 1963, publicou seus primeiros contos curtos.
Oz participou da Guerra dos Seis Dias, na Guerra do Yom Kipur e fundou na década de 70, juntamente com outros, o movimento pacifista israelense "Shalom Achshav" (Paz Agora), pela Solução de Dois Estados.
Fundador e principal representante deste movimento, é o escritor mais influente de seu país. Poucos autores escrevem com tanta compaixão e clareza sobre as agruras presentes e passadas em Israel. Em seus romances como "Conhecer uma Mulher" (1992), "Pantera no Porão" (1999) e "Meu Michel" (2002), explora a persistência do amor durante a guerra.
Em 1991 foi eleito membro da Academia de Letras Hebraicas; Em 1992, recebeu o Prêmio de Frankfurt pela Paz e também o Prêmio Israel de Literatura, o mais prestigioso do país. Em 1998 (50º aniversário da Independência de Isreal), recebeu o Prêmio Femina em França e foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura em 2002.







Em 2004 recebeu o Prêmio Internacional Catalunya, junto com o pacifista palestino Sari Nusssibeh, e também o Prêmio de Literatura do jornal alemão Die Welt, com sua obra "Uma História de Amor e Escuridão". Publicou cerca de duas dezenas de livros em Hebraico e mais de 450 artigos e ensaios em revistas e jornais de Israel e internacionais (muitos dos quais para o jornal do Partido Trabalhista "Davar" e, desde o encerramento deste na década de 90, para o "Yediot Achronot").
Em 2005, recebeu o prêmio Goethe, como escritor e em 2007, o Prêmio Príncipe das Astúrias Letras.







Amos Oz tem livros traduzidos por todo o mundo e quase toda sua obra se encontra traduzida para o português.


É DIFÍCIL


Abra os olhos à primeira luz. A montanha 
parece mulher robusta e tranquila 
Side dormir depois de uma noite de amor. 
Uma brisa suave, auto-satisfação, 
move o tecido de sua tenda. 
As ondas, as ondas, como uma barriga morna. Cima e para baixo. 

Com a ponta da língua encosta agora 
o oco da palma da mão esquerda, 
o ponto mais interno da palma da mão. Dá a sensação 
você está jogando um mamilo macio, duro.


Tradução: Raquel Garcia Lozano


ÚNICO


Uma flecha presa em uma curva traçada: 
ele lembra o contorno de suas coxas. 

Acho que o movimento de seus quadris em direção a ele. 
Ele contém. Sai do saco de dormir. Respirar 
os pulmões do ar com a neve. A névoa pálida, 
claro e leitoso é retirado, uma túnica fina 
na curva da montanha.

De "O mesmo mar" página. 26 


Tradução: Raquel Garcia Lozano  


Fontes de Pesquisa:



Trabalho de Pesquisa Eliana Ellinger (Shir)