Este blog tem por finalidade, homenagear consagrados poetas e escritores e, os notáveis poetas da internet.
A todos nosso carinho e admiração.

Clube de Poetas









terça-feira, 27 de novembro de 2012

ANA HATERLY




ANA HATERLY
Ana Hatherly nasceu a 8 de maio de 1929, na cidade do Porto, em Portugal.
Poeta, romancista, ensaísta, artista plástica e tradutora, iniciou sua carreira literária em 1958.
Tendo sido um dos principais elementos do grupo de Poesia Experimental nos anos 60 e 70, seu trabalho está representado nas mais importantes Antologias e Histórias da Literatura Contemporânea de Portugal, Brasil, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos, Dinamarca, Suécia, Holanda e República Checa.
Durante as duas últimas décadas, tem-se dedicado ao estudo da literatura portuguesa e espanhola do "Siglo d'Oro", tendo publicado vários ensaios e comunicações sobre o tema em várias das mais conceituadas piblicações literárias de Portugal e do estrangeiro.
Licenciada pela Universidade de Lisboa e Doutorada em Literaturas Hispânicas pela Universidade de Berkeley (U.S.A.), é atualmente Professora Catedrática de Literatura Portuguesa na Universidade Nova de Lisboa e Presidente do Instituto de Estudos Portugueses da mesma Universidade. É ainda membro da Direção do PEN Club, de que já foi presidente.
Referenciada, a nível poético, como um dos mais importantes das vanguardas portuguesas da segunda metade do século, as suas poesias reunem fortes tendências barroquizantes e visuais que a têm levado a um apagamento de fronteiras entre a expressão poética e intervenção plástica. 
É esse o caso, por exemplo, de Mapas da Imaginação e da Memória (1973) , bem como das várias exposições que incluem desenho, pintura e colagem, realizadas em galerias e centros de exposições como o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Museu do Chiado da Costa de Serralves, para além das participações na Bienal de Veneza e Bienal de São Paulo (Brasil). 

AUTO RETRATO
Este que ves, de cores desprovido,
o meu retrato sem primores é
e dos falsos temores já despido,
em sua luz oculta põe a fé.
Do oculto sentido dolorido,
este que ves, lúcido espelho é
e do passado o grito reduzido,
o estrago oculto pela mão da fé.
Oculto nele e nele convertido
do tempo ido escusa o cruel trato,
que o tempo em tudo apaga o sentido;
E do meu sonho transformado em acto,
do engano do mundo já despido,
este que vez é o meu retrato.


 Trabalho de Pesquisa Eliana Ellinger (Shir)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

NANY SCHNEIDER



Foi em Curitiba, linda capital do Paraná que uma bela menina aportou na vida, com olhinhos curiosos e brilhantes. Tudo era tão colorido! Tantas coisas para serem descobertas, tanto havia para doar, aprender e ensinar... Assim Nany Schneider chegou ao porto deste tempo... E a menina crescia cheia de sonhos na alma pueril... Desde pequena entendia dos mistérios que pairam sobre a vida. Como desvendá-los?... E nasceu outra vez, agora como poeta! Ainda bem jovem participava ativamente de eventos literários. As estações cumpriam seu ciclo e ela nascia outra vez... Como mulher Nany conheceu o amor em todos os seus sentidos e mais uma vez nasceu, como mãe, sentimento bendito no ventre abençoado. No caminho trilhado ela vibrou, sofreu, chorou profundas dores do corpo, amargou o desamor e cresceu como ser humano neste estágio de aprendizagem. Residente de Curitiba, Nany faz parte de vários Grupos e Academias de Literatura e tem um Site cheio de carinhos e poesias, o http://www.bettyboopstar.com.br, onde divulga escritores e mensagens culturais.
Tem como formação psicologia/parapsicologia/professora, atuando hoje, como escritora, webmistress e designer. Pinta palavras em poesias e poesias em belas aquarelas.
Justa e amiga sempre sai para advogar pelos mais fracos. Humana e humilde corre para acolher e defender os animais. Assim  é Nany, nascida e renascida tantas vezes for preciso para alcançar a paz de espírito que norteia o ser em busca de luz.

 Anna Peralva

ACENDA A LUZ DO MEU QUERER
  
Perdidos estão meus pensamentos,
Talvez atrás do escuro em que se esconde.
Sinto a falta de um amor presente, já existente.
Amor que está apenas aguardando a hora.
Hora de saber não ser maculado, machucado, mutilado.
A noite carrega sonhos vãos,
Entre névoas pouco iluminadas.
Preciso de luz para ler meus pensamentos...
Os mais íntimos, mais escondidos, menos sofridos.
Entre brumas, sei que está esperando.
Assim como eu, a tão procurada felicidade.
Mas não demore, não se atrase, tenho pressa.
Acenda a luz do meu mais profundo querer.
 
 Nany Schneider
Curitiba -Paraná

Trabalho de Arte: Marilda Ternura

VICENTE AUGUSTO DE CARVALHO


VICENTE AUGUSTO DE CARVALHO
(1866 - 1924)
 
 
Vicente Augusto de Carvalho, advogado, jornalista, político, abolicionista,
fazendeiro, deputado, magistrado, poeta e contista brasileiro,
nasceu em 5 de abril de 1866, filho do major Higino José Botelho de Carvalho e de Augusta Carolina Bueno, descendente de Amador Bueno, o Anunciado.
Formou-se em 8 de novembro de 1886, com 20 anos, pela Faculdade de Direito de São Paulo, no curso de Ciências Jurídicas e Sociais, sendo que para matricular-se teve que obter licença especial da Assembléia Geral do Império, por não ter a idade mínima para cursar a cátedra de direito.
Quando deputado, foi membro da comissão de redação da Constituição do Estado de São Paulo e Secretário de Interior, tendo abandonado a política logo após.
Foi fazendeiro em Franca, entre 1896 e 1901, quando retornou a Santos e lá se estabeleceu como advogado. Em 1907 transferiu-se para São Paulo, tendo sido nomeado Juiz de Direito no ano seguinte e, a partir de 1914, Ministro do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Como jornalista, colaborou em vários jornais, como O Estado de São Paulo  e A Tribuna. Em 1889, fundou o Diário da Manhã, em Santos e, em 1905, O Jornal.  Serviu como redator da revista Idéia e República, tendo publicado versos, estreou na prosa numa polêmica com o poeta Dias da Rocha.
Em 1885 publicou seu primeiro livro Ardentias. Três anos depois, Relicário. e em 1902 Rosa, Rosa de Amor.
A obra que marcou sua carreira poética, Poemas e Canções, foi primeiro publicada em 1908 com prefácio de seu amigo Euclides da Cunha e teve 17 edições.
Vicente Augusto de Carvalho casou-se em 1888 com Ermelinda Ferreira de Mesquita (Biloca), em Santos, com quem teve quinze filhos.
Foi o segundo ocupante da cadeira 29, que teve como patrono Artur de Azevedo, sendo recebido por carta na sessão de 7 de maio de 1910.
Seu estilo flutuou entre o parnasiano, o simbolista e até o quinhentista. Em seus últimos anos, reduziu sua atividade literária embora ainda fizessem versos, dedicando-se aos negócios comerciais e a uma pequena indústria em Santos. E, 1924, faleceu em São paulo, capital.
 
 
SAUDADE
 
Belos amores perdidos,
Muito fiz em perder-vos;
Deixar-vos, sim: esquecer-vos
Fora demais, não o fiz.
 
Tudo se arranca do seio,
- Amor, desejo, esperança...
Só não se arranca a lembrança
De quando se foi feliz.
 
Roseira cheias de rosas,
Roseira cheia de espinhos,
Que eu deixei pelos caminhos,
Aberta em flor, e parti.
 
Por não me perder, pedi-vos:
Mas mal posso assegurar-me,
Como perder e ganhar-me,
Se ganhei, ou se perdi...
 
 
Fontes de pesquisa:
 
 
Trabalho de Pesquisa: Eliane Ellinger (Shir)

ALDA LARA


ALDA LARA
(1930 - 1962)
 
Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque, nasceu em Bengala em
9 de junho de 1930 e ali passou grande parte da sua infância, por certo
a coligir sentimentos que, mais tarde, exalaria pela poesia que escreveu.
Nascida numa família abastada, foi criada no característico meio crioulo da urbe das Acácias Rubras da décasa de 30, onde apesar da circunstância colonial não faltavam cultores da velha escola republicana portuguesa anterior ao Estado Novo, a par de remanescentes dos tempos da tipóia e do comércio sertanejo.
Teve, como era próprio do seu tempo, uma educação profundamente cristã, o que lhe conferiu "um vincado espírito de liberalismo".
Depois de ter concluido o sexto ano num colégio de madres em Sá da Bandeira (atual Lubango), partiu para Lisboa, onde terminaria os estudos liceais e frequentou a Faculdade de Medicina.
Durante este período manteve uma estreita ligação com a Casa dos Estudantes do Império, tendo sido colaboradora em jornais e revistas de relevância na época, tais como a Revista Mensagem-CEI, o Jornal de Bengala, o Jornal de Angola, o ABC e Ciência.
Nessas publicações, surgiram seus primeiros escritos poéticos, também publicados em várias antalogias, até surgir seu primeiro livro, intitulado Poesias , em 1960.
Como 'Poeta da Geração Mensageira', suas poesias transpiram exílio, saudade obsessiva da terra e suas gentes, os lugares da infância, os amigos e as expectativas de um futuro em que pretendia participar logo que possível faz de Lara, uma mensageira da sociedade civil, lutando com as armas de que dispunha a sua poesia, onde a política, estando implícida, é sobretudo do foro de seus sentimentos.
Alda Lara é considerada importante poetisa de Bengala, por suas obras e tem o lugar de excelência que lhe cabe na literatura e declamação, precursora de uma pré-poesia angolana que à época despontava. Foi, e é até hoje, a voz feminina de maior sensibilidade, aliando ao acervo poético significativo que deixou, uma oficina passível de ser classificada já na década de 60 do século findo como de modernidade.
Alda Lara faleceu prematuramente em 1962 e, após sua morte, a Câmara Municipal de Sá da Bandeira, atual Lubango, decidiu instituir o Prêmio Alda Lara de Poesia. 
 
 
QUADRAS DA MINHA SOLIDÃO

Fica longe o sol que vi,
aquecer meu corpo outrora...
Como é breve o sol daqui!
E como é longa esta hora...
Donde estou vejo partir
quem parte certo e feliz.
Só eu fico. E sonho ir,
rumo ao sol do meu país...
Por isso as asas dormentes,
suspiram por outro céu.
Mas ai delas! tão doentes,
não podem voar mais eu...
que comigo, preso a mim,
tudo quanto sei de cor...
Chamem-lhe nomes sem fim,
por todos responde a dor.
Mas dor de quê? dor de quem,
se nada tenho a sofrer?...
Saudade?...Amor?...Sei lá bem!
É qualquer coisa a morrer...
E assim, no pulso dos dias,
sinto chegar outro Outono...
passam as horas esguias,
levando o meu abandono...

Fontes de Pesquisa:
 
Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)
 

FRANCISCO OTAVIANO


FRANCISCO OTAVIANO
(1825 - 1884) 
 
 
Francisco Otaviano de Almeida Rosa, advogado, jornalista, político, diplomata e poeta, nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1825, e faleceu na mesma cidade em 28 de junho de 1884. É o patrono da cadeira nº 13 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador, Visconde de Taunay.
           Filho do Dr. Otaviano Maria da Rosa, médico, e de Joana Maria da Rosa, fez os primeiros estudos no colégio do professor Manuel Maria Cabral, e no decorrer da vida escolar dedicou-se principalmente às línguas, à história, à geografia e à filosofia. Matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo em 1841, na qual bacharelou-se em 1845. Regressou ao Rio, onde principiou a vida profissional na advocacia e no jornalismo, escrevendo nos jornais Sentinela da Monarquia, Gazeta Oficial do Império do Brasil (1846-48), da qual se tornou diretor em 1847, Jornal do Commercio (1851-54) e Correio Mercantil. Foi eleito Secretário do Instituto da Ordem dos Advogados, cargo que exerceu por nove anos; Deputado Geral (1852) e Senador (1867). Como jornalista, empenhou-se com entusiasmo nas campanhas do Partido Liberal e tomou parte preponderante na elaboração da Lei do Ventre Livre, em 1871. Já participara da elaboração do Tratado da Tríplice Aliança, em 1865, quando foi convidado para ocupar a pasta dos Negócios Estrangeiros, mas não a aceitou.
Por ocasião da Guerra do Paraguai, foi enviado ao Uruguai e à Argentina, substituindo o Conselheiro Paranhos na Missão do Rio da Prata. A ele coube negociar e assinar, em Buenos Aires, em 10 de maio de 1865, o 
Tratado de Aliança ofensiva e defensiva entre o Brasil, a Argentina e o Uruguai, no combate comum a Solano Lopez, do Paraguai.
Recebeu o título do Conselho do Imperador e do Conselho Diretor da Instrução Pública.
Poeta desde menino, não se dedicou suficientemente à literetura. Ele mesmo exprimia com frequência a tristeza de haver sido arrebatado à poesia pela política, por ele chamada  "Messalina Impura", num epíteto famoso.
Apesar da carreira fácil, respeitável e brilhante, cultivou sempre a nostalgia
das letras. Sua obra poética representa uma espécie de inspiração do homem médio, mas não banal, o que lhe dá, do ponto de vista psicológico, uma comunicabilidade aumentada pela transparência do verso, leve e corredio. Em torno do eixo central de sua personalidade literária se organizam as tendências comuns do tempo, num verso quase sempre harmonioso e bem cuidado.
Francisco Otaviano ficou para sempre inscrito entre os nossos poetas da fase romântica - mesmo que não tenha exercido a literatura com paixão - e o patriota que foi, deu-lhe lugar entre os grandes vultos brasileiros do século XIX.
Obras literárias: Cantos de Selma, poesias (1872); Traduções e poesias (1881); Poesias Esparsas na Revista da Academia Brasileira de Letras; Poesias, contidas na Lira Popular publicada por Custódio Quaresma. Outras obras: Inteligência do Ato Adicional (1857); As Assembléias Provinciais (1869);  O Tratado da Tríplice Aliança (1870); Questão Militar (Discursos proferidos no Senado e na Câmara dos Deputados pelo Barão de Cotegipe, Saraiva, Francisco Otaviano, Afonço Celso e Silveira Martins).
 
 
 
ILUSÕES DA VIDA
 
"Quem passou na vida em branca nuvem.
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro do homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu."
 
** ** **
 
SONETO
 
Morrer, dormir, não mais: termina a vida
E com ela terminam nossas dores,
Um punhado de terra, algumas flores,
E às vezes uma lágrima fingida!
 
Sim, minha morte não será sentida,
Não deixo amigos e nem tive amores!
Ou se os tive mostraram-se traidores,
Algozes vís de uma alma consumida.
 
Tudo é pobre no mundo; que me importa
Que ele amanhã se esb'roe e que desabe,
Se a natureza para mim já está morta!
 
É o tempo já que o meu exílio acabe;
Vem, pois, ó morte, ao nada me transporta
Morrer, dormir, talvez sonhar, quem sabe?
 
Fontes de Pesquisa:
 
 
Trabalho de Pesquisa: eliana ellinger (Shir)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

MARCOS MILHAZES


Marcos Milhazes é "um simples escrevedor" descendente de uma família tradicional da Bahia, os Magalhães Milhazes. Desde o tempo do ginásio gosta de escrever e seu primeiro trabalho literário foi sobre Iracema ( José de Alencar), mas este lado poeta ficou adormecido por 25 anos e só despertou com a magia do computador, onde as palavras ganham asas e voam livres de amarras, ultrapassam todos os tipos de fronteiras e conquistam o mundo. E pelas mãos do webmaster Bruno Cabral, Marcos Milhazes aportou  no mundo da poesia com uma única página, que trazia no céu o visual das pombinhas, que é o seu registro de nascimento.
 Nosso poeta escritor é um homem de mil facetas... Formado em Ciências Contábeis, Perícia Judicial TRT, Desportista, Músico Percursionista e Técnico em Merchandising. O escritor de " A Cidade dos Olhos Claros " mantém-o como "um livro fechado", (palavras do autor)... Na parceria com a poetisa Edna Liany nasceu um projeto  (participação de vários poetas), ensaio poético batizado de "Duetos de Outono" e um ebook presenteado por Eliane Gonçalves, "O Mágico das Letras Flutuantes". Para Marcos Milhazes "o dom de escrever é de berço. Tem-se ou não." Verdade que se traduz nas belas e imortais poesias e contos que dobram as linhas do tempo e permanecem atuais,  vivas e sábias.

Marcos tem um site, o  Milhas de Amor, fundado no ano de 2000, onde todas as suas obras estão publicadas e o Bar dos Sentimentos, projeto criado com Eliane Gonçalves, poetisa e educadora, palco livre cujo cenário são poetas amigos divulgados com pompa e louvor, tudo em nome da poesia, luz que alimenta a alma e sustenta sonhos, verdades e inspiração.

O poeta escrevedor mora na Região dos Lagos, RJ, que com suas dezenas de lagoas, mares de oceano e brisa que sopra versos, onde a métrica perfeita sussurra poemas de amor em harmonia e tudo que se vê e ouve, fala de paz. E neste belo cenário da natureza, obra pintada pelo Criador, um homem com espírito de criança segue sempre em frente, levando consigo a bandeira branca das palavras, palavras estas que ele tão bem sabe usar.

" Aprendi ainda novo com as águas tempestuosas. Que em rios de correntezas galhos velhos procuram as margens"
                                                                               (M.Milhazes)
Anna Peralva




O amor
Marcos Milhazes 


O amor não se delega
e muito menos se renega.
Ele sempre se rega e
nunca se nega.
Quer sempre o que carrega
E se entrega como diz a
tal da bendita regra.

A paixão que espere.
A lucidez que se supere.
A razão que não se desespere.
Mas que também espere.

E ele soberano aparece primeiro
Como mestre que o é
de todos os sentimentos
alados e proclama.

Eu o amor a
despeito da dor
que por muitas vezes me
 descarta ou  adia
Sempre começarei e
recomeçarei
Todo o santo dia...
  

Milhas de Amor
http://www.milhasdeamor.com.br/


Trabalho de Arte: Marilda Ternura

JOSÉ SARAMAGO



JOSÉ SARAMAGO 
(1922 - 2010)


José de Sousa Saramago nasceu em Azinhaga, aldeia ao sul de Portugal,
sua família era de camponeses.
Autodidata, antes de se dedicar exclusivamente à literatura, trabalhou como serralheiro mecânico, desenhista industrial e gerente de produção numa editora.
Iniciou sua atividade literária em 1947, com o romance 'Terra do Pecado', só voltando a publicar um livro de poemas em 1966.
Atuou como crítico literário em revistas e no jornal Diário de Lisboa. Em 1975 tornou-se diretor-adjunto do jornal Diário de Notícias. Acuado pela ditadura de Salazar, a partir de 1976 passou a viver de seus escritos, inicialmente como tradutor, depois como autor.
Em 1980, alcança notoriedade com o livro 'Levantando do Chão', visto como seu primeiro grande romance. 'Memorial do Convento'  confirmaria esse sucesso, dois anos depois.
Em 1991, publica 'O Evangelho de Jesus Cristo', livro censurado pelo governo português. Casado em segundas núpcias com a espanhola Pilar del Rio, Saramago foi exilar-se em Lanzorete, nas Ilhas Canária (Espanha), onde viveu até a morte.
Foi ele o primeiro autor da língua portuguêsa a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1998.
Entre seus livros mais famosos, estão os romances 'O Ano da Morte de Ricardo Reis' (1984), 'A Jangada da Pedra' (1986) e 'O Homem Duplicado' (2002). Também sua peça teatral 'In Nomine Dei' (1993) e os dois volumes de diários recolhidos nos 'Cadernos de Lanzorete' (1994/1997).
José Saramago faleceu em 18 de junho de 2010, aos 87 anos de idade, vítima de leucemia. Seu funeral teve honras de Estado, tendo o seu corpo sido cremado no cemitério do Alto de São João, em Lisboa. As cinzas de Saramago foram depositadas aos pés de uma oliveira, em Lisboa, em 18 de junho de 2011.
 
 
POEMA À BOCA FECHADA
 
 
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
 
 
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
 
 
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quando sei
Nesse retiro em que me não conhecem.
 
 
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas, 
Nem só animais bóiam, mortos, medos, 
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam 
No negro poço de onde sobem dedos. 

Só direi, 
Crispadamente recolhido e mudo, 
Que quem se cala quando me calei 
Não poderá morrer sem dizer tudo.
 
 
Fontes de Pesquisa:
 
 
Trabalho de Pesquisa: eliana Ellinger (Shir))
 

JULIA DA COSTA

JULIA DA COSTA
(1844 - 1911)
 
 
Júlia Maria da Costa, filha de Alexandre José da Costa e Maria Machado da Costa, nasceu em Paranaguá no dia 1º de julho de 1844. 
Foi uma figura controvertida, forte, decidida e à frente de seu tempo. Com o auxílio do padre e escritor Joaquim Gomes de Oliveira Paiva, de Desterro, publicou dois livros: Flores Dispersas - 1ª série, e Flores Dispersas - 2ª série. Sob os pseudônimos de Sonhadora, Americana e J.C. (entre outros). Escreveu, além de poesia, muitas crônicas-folhetins, que hoje chamaríamos de crônicas sociais, analisando a moda e relatando festas.
Júlia da Costa casou, em 1871, por conveniência e imposição familiar, com o Comendador Costa Pereira, chefe do Partido Conservador, um homem rico e trinta anos mais velho, embora amasse o poeta Benjamin Carvoliva, cinco anos mais novo. Correspondia-se com ele quase que diariamente durante o namoro e, quando casada, em segredo. Em uma das cartas, que eram colocadas em esconderijos diversos, tais como o oco de uma velha árvore, Júlia sugere que fujam os dois, mas quem foge é Carvolina perante a ousadia da poetisa.
Desiludida, Júlia passa a escrever, febrilmente, poemas cada vez mais desesperançados e melancólicos, começa a frequentar mais e mais serões e festas, pintar os cabelos de negro (em uma época em que somente meretrizes e artistas o faziam), pintar o rosto e usar muitas jóias, participar de campanhas políticas e publicar em jornais e revistas, tornando-se uma lenda viva em sua pequena cidade.
A solidão se tornou cada vez maior depois da morte do Comendador, que a habituara a receber catarinenses ilustres em banquetes e saraus (num dos quais esteve presente o Visconde de Taunay). Viúva, cansada das festas, fecha-se em casa com manias de perseguição. Durante o tempo que permanece enclausurada, planeja escrever um romance e, para tanto, confecciona painéis coloridos com cenas campesinas, interiores de lar e paisagens inspiradoras que espalha pelas paredes.
Nessa velhice solitária, Júlia da Costa enlouquece e permanece fechada no casarão por oito anos, dele só saindo ao falecer em 2 de julho de 1911.


ACORDES POÉTICOS


Não tenho segredos, é pura minh´alma,
Qual cândida aurora rasgando o seu véu!
Velando ou dormindo, chorando ou sorrindo,
Só amo – meus campos – meu solo – meu céu!



Cresci sobre um ermo tristonho e sombrio,
Soltei nas campinas meu primo cantar,
Saudei nas montanhas o sol que nascia,
Brinquei entre moitas ao claro luar!



Sou jovem, sou meiga, sorri-me o futuro
Nas fímbrias douradas de auroras de paz,
A flor das campinas só ama o infinito
Do céu, das venturas, não quer nada mais!



As flores dos prados não causam-me inveja,
Que hei flores mimosas no meu coração!
Lauréis e grandezas, eu não, não aspiro,
Não quero ter gozo tão falso, tão vão!



Não tenho segredos, é pura minh´alma,
Qual cândida aurora rasgando o seu véu!
Velando ou dormindo, chorando ou sorrindo,
Só amo – meus campos – meu solo – meu céu!


fontes de pesquisa:

Trabalho de Pesquisa: eliana Ellinger (Shir)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

BRUNO TOLENTINO

BRUNO TOLENTINO
(1940 - 2007)
 
 
  Bruno Lúcio de Carvalho Tolentino, nasceu em 1940, São Paulo, numa tradicional família carioca. Conviveu desde criança com intelectuais e escritores próximos à família, entre eles  Cecília Meireles (a quem o poeta sempre se referiu carinhosamente como Tia Cecília), Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto.  Primo do crítico literário brasileiro Antonio Candido e da crítica teatral Bárbara Heliodora, seu trisavô, Antônio Nicolau Tolentino, foi conselheiro do Império e fundador da Caixa Econômica Federal.
Foi instruído em inglês e francês ao mesmo tempo de sua alfabetização no português.
Publicou em 1963 seu primeiro livro, Anulação e Outros Reparos. Com o advento do golpe militar de 1964, mudou-se para a Europa a convite do poeta Giuseppe Ungaretti, onde viveu trinta anos, tendo residido na Inglaterra, Bélgica, Itália e França. Lecionou nas universidades de Oxford, Essex e Bristol e trabalhou como tradutor-intérprete junto à Comunidade Econômica Européia. Publicou em 1971, em língua francesa, o livro Le Vrai le Vain e, em 1979; em língua inglesa, About the Hunt, ambos bem recebidos pela crítica literária européia.
Em 1987, sob a acusação de porte de drogas, foi condenado a 11 anos de prisão. Cumpriu apenas 22 meses da pena, em Dartmoor, no Reino Unido.  "Adorei a experiência e procurei tirar o máximo de proveito", foi o que Bruno declarou sobre os dias de encarceramento, numa entrevista em agosto de 2006. Aos companheiros de prisão, organizou aulas de alfabetização e de literatura, estas últimas nomeadas de "Seminars of Drama and Literature", que, conforme posteriormente relatado por Bruno, "em cujas sessões avançadas chegaram a comparecer psicanalistas de renome, ao lado de personalidades do mundo das letras tais como Harold Carpenter, o estudioso e biógrafo de Ezra Pound e Auden, o dramaturgo Harold Pinter, ou Lady Antonia Fraser".
Tolentino retornou ao Brasil em 1993, publicando o livro As horas de Katharina, escrito durante o período de 22 anos (1971-1993), ganhando com ele o Prêmio Jabuti  de melhor livro de poesia de 1994. Em 1995 publicou Os Sapos de Ontem, uma coletânea de textos, artigos e poemas originados de uma polêmica intelectual com os irmãos Haroldo de Campos  e  Augusto de Campos, que nesse livro foram os principais alvos de sua "língua ferina entortada pelo vício da ironia", frase que Bruno usou durante uma entrevista em que lhe foi pedido "um perfil abrangente de si mesmo". Ainda em 1995 publicou Os Deuses de Hoje, e, em 1996, A Balada do Cárcere, livro nascido da experiência de sua prisão pouco menos de dez anos antes. Ainda nesse ano, foi publicada uma polêmica entrevista com Bruno para a revista Veja, onde o poeta critica, entre outras coisas, a então atual situação intelectual do Brasil, o Concretismo, a concepção e aceitação da letra de música enquanto poesia e a elevação de músicos populares à posição do intelectual. Essa postura crítica, que tem como principais arenas publicadas a entrevista à Veja e o livro Os Sapos de Ontem, acompanhou Bruno ao longo dos anos de atividade intelectual no período que foi do seu retorno ao Brasil até sua morte (1993-2007).
Bruno publicou derradeiramente em 2002 e 2006, respectivamente, os livros que considerou como a culminação de sua obra poética: O Mundo Como Idéia, escrito durante quarenta anos (1959-1999), e A Imitação do Amanhecer, escrito durante 25 anos (1979-2004). Ambos lhe renderam o Prêmio Jabuti, já conquistado pelo autor em 1993 com As Horas de Katharina, tornando-o assim um dos únicos escritores a ganhar três edições do prêmio, considerado o mais importante da literatura brasileira. Bruno também recebeu, por O Mundo Como Idéia, o Prêmio Senador José Hermínio de Morais, prêmio nunca antes dado a um escritor, em sessão da Academia Brasileira de Letras, com saudação proferida pelo acadêmico, filósofo, poeta e teórico do Direito, Miguel Real, seu amigo.
Tolentino, que tinha AIDS e já havia superado um câncer, esteve internado durante um mês na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Emílio Ribas, em São paulo, onde veio a falecer, aos 66 anos de idade, vitimado por uma falência múltipla de órgãos, em 27 de junho de 2007.

SEGUNDO MOVIMENTO

Mas vem o amor, o amor que faz tão doce
o travo em que circula à flor do instante,
e entre resíduos vai como se fosse
suficiente, plácido e constante...

Mas se é amor é muito mais cortante
e em lâmina tão leve disfarsou-se
que por melhor alar seu golpe pôs
cintilações de ganho em cada instante.

E a alma se insurge, cobra o amor que abrande
seu ginete malsão tonto de posse,
esse peso de corpo que a alma torce.

E não doma, esse breve, bastante
soluço da vontade no imperfeito,
mas a alma cede, a alma sucumbe o peito...

Fontes de pesquisa:

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)

ANA CRISTINA CRUZ CÉSAR


ANA CRISTINA CRUZ CÉSAR
(1952 - 1983)
 

Ana Cristina Cruz César, poeta, ensaísta, tradutora, nasceu no Rio de Janeiro,  filha de Maria Luiza César e do sociólogo e jornalista Waldo Aranha Lenz César, um dos responsáveis, junto com o editor Ênio Silveira (1925 - 1996), pela fundação da editora ecumênica Paz e Terra.
Aos 7 anos, Ana Cristina tem seus primeiros poemas publicados no
jornal Tribuna da Imprensa. Entre 1969 e 1970, interrompe o curso clássico no Colégio de Aplicação da Faculdade Nacional de Filosofia, para estudar inglês no Richmond School for Girls, em Londres, pelo programa de intercâmbio da juventude cristã. Ingressa, em 1971, na Faculdade de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ). Desde a vida universitária, participa ativamente da cena cultural carioca e do movimento da poesia marginal, convivendo com poetas como Cacaso (1944 - 1987) e intelectuais como Heloísa Buarque de Holanda (1939). Ainda em 1971, inicia a atuação como professora,  em escolas de 2º grau e de idiomas. Após a conclusão da graduação, em 1975, colabora para publicações como Opinião, Jornal do Brasil, Folha de S.Paulo, com destaque para Beijo, importante periódico de cultura, com sete números impressos, cujo processo acompanha desde sua criação. 
Em 1979 lança, de forma independente, o primeiro livro de poesia, Cenas
de Abril
. Seguem-se Correspondência Completa, uma carta ficcional, e Luvas de Pelica, publicado em 1980. Dessa mesma época datam as primeiras traduções, atividade que se torna objeto de estudo na pós-graduação: em 1981, torna-se mestre em teoria e prática da tradução literária pela Universidade de Essex, Inglaterra. De volta ao Brasil,
é contratada como analista de textos pela Rede Globo de Televisão e lança, em 1982,  A Teus Pés - reunião de títulos publicados até então e ainda o inédito que nomeia o volume.
Aos 31 anos, em 1983, comete suicídio, atirando-se pela janela do apartamento dos pais, no oitavo andar de um edifício na rua Tonelero, em Copacabana.  Após sua morte, o poeta e amigo  Armando Freitas Filho (1940) organiza sua obra e promove
o lançamento dos livros Inéditos e Dispersos, em 1985,  Escritos da Inglaterra, 1988, e Escritos no Rio, 1993.
A trajetória da autora, que pode ser acompanhada em Inéditos & Dispersos - reunião de poemas escritos desde os 9 anos de idade - revela busca pessoal da expressão poética: os primeiros versos são em geral líricos, metrificados e rimados.
Já em A Teus Pés (1982) são longos, apresentando tom de conversa, e frequentemente questionam a sociedade conservadora e o lugar nela destinado à mulher. É o que se lê em "Sete chaves", "[...] Não
sou dama nem mulher/ moderna".
 
TODA MULHER
 
A coisa que mais o preocupava
naquele momento
era estudo de mulher
toda mulher
dos quinze aos dezoito.
Não sou mais mulher.
Ela quer o sujeito.
Coleciona histórias de amor.
 
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SONETO
Pergunto aqui se sou louca 
Quem quer saberá dizer 
Pergunto mais, se sou sã 
E ainda mais, se sou eu 

Que uso o viés pra amar 
E finjo fingir que finjo 
Adorar o fingimento 
Fingindo que sou fingida 

Pergunto aqui meus senhores 
quem é a loura donzela 
que se chama Ana Cristina 

E que se diz ser alguém 
É um fenômeno mor 
Ou é um lapso sutil?
 
Fontes de Pesquisa:


Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)