Este blog tem por finalidade, homenagear consagrados poetas e escritores e, os notáveis poetas da internet.
A todos nosso carinho e admiração.

Clube de Poetas









sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

ÉRICO JOSÉ CURADO



ÉRICO CURADO
(1880 - 1961)
 
 
Érico José Curado, filho de Luiz Fleury de Campos Curado e de Maria Joaquina de Faria Lobo, nasceu em Pirenópolis, Goiania,  a 18 de maio de 1880 e foi um escritor, jornalista e advogado brasileiro. Mas, principalmente poeta considerado "O Pioneiro da Escola Simbolista de Goiás".
Em 1884, iniciou seu aprendizado da leitura com uma escrava de seus avós maternos, com quem passou a morar, numa fazenda. Transferiu-se em 1888 para Corumbá de Goiás, onde frequentou escola pública.
Quando jovem, viajou pelos rios nos Araguaia e Tocantins, vendendo mercadorias e comprando borracha.
Ao receber na cidade de Goiás Velho a visita de seu irmão João José, que era oficial do exército, decidiu ir ao Rio de Janeiro, em 1897, tentar a vida militar. Ingressou na Escola Militar, cuja carreira foi interrompida para retornar ao comércio em Araguari, Minas Gerais, e Vila Boa, antiga capital de Goiás.
Érico Curado continuou seus estudos e formou-se em Direito, em 1916. Antes, em 1910, já fora nomeado Promotor Público da cidade de Goiás, quando passa a se relacionar com os intelectuais da terra e a escrever para os jornais da época.
Seu primeiro livro de sonetos publicado foi "Iluminuras", e, quarenta anos depois,
conduz ao prelo sua segunda obra, "Poesias". Tido como a maior expressão da corrente simbolista em Goiás, Érico apresentava fortes tendências ao que então chamava de "nefelibatismo".
A 29 de setembro de 1957, tomou posse na Cadeira 11 da Academia Goiana de Letras, cujo Patrono é Rodolfo da Silva Marques, que antes fora ocupada pelo Príncipe dos Poetas de Goiás, Leo Lynce, e que a partir de 11 de março de 1962 passou a ser ocupada pelo outro príncipe dos Poetas de Goiás, Gilberto Mendonça Teles.
Em 11 de janeiro de 1961, Érico Curado faleceu em Goiânia.
 
SONETO
 
(de Iluminuras)
 
Gusla maviosa - ou trêmulos violinos...
Luas de maio, ó brisas vesperais,
Olhos que exaltam sonhos levantinos,
Linhas quebrando em formas imortais!
 
Sinfonias da luz, nênias de sinos,
Lendas e sagas, noites medievais,
Lírios e rosas, níveos, purpurinos,
Fazei meis versos vagos, musicais!...
 
Fazei meus versos de um lalor sutil...
Rimas brilhando em cadencioso aceno,
Murmúrio esparso de um rosal de abril!
 
Fazei meus versos leves, como um trilo,
Como o sorrir de um bamdolim sereno:
Salmos de amor, em blandioso estilo!...
 
** ** **
 
SONETO VI
 
(de Iluminuras)
 
Quando tu cantas nessa voz dolente,
Queixosa e amarga, voz das elegias...
Quando tu cantas, minha alma de crente,
Benta na unção das velhas liturgias...
 
Parece que se evola brandamente,
Para as regiões daluz, das harmonias;
E, comovida e terna e reverente,
Fica absorta n'um sonho de magias...
 
Tarde. Angelizam-se do poeta as cores,
Sobe da Terra um salmo de amargores
E a noite cai povoada de fatigas...
 
Ah! Canta nessa voz abemolada,
De dores, de saudades repassadas,
Cheia das mágoas das canções.
 
** ** **
 
À TARDE, NUVENS E ROSAS
 
À tarde, nuvens e rosas
Franjam de sangue o horizonte,
Um monte além outro monte,
Entre sonbras misteriosas.
 
As águas cantam ruidosas,
Luzindo à sombra da ponte.
São frescas águas da fonte,
Que vão cantando saudosas...
 
Em bandos passam morcegos,
As rãs coacham nos regos
Geme o vento em disparada... 
 
E entre as estrelas, no poente,
O arco-de-ouro do Crescente
É uma foice ensanguentada!


Fontes de pesquisa:
 



Trabalho de Pesquisa:  Eliana Ellinger
  


ANTÔNIO MARIANO ALBERTO DE OLIVEIRA



ALBERTO DE OLIVEIRA
(1857 - 1937)
Antônio Mariano Alberto de Oliveira,  nasceu em Palmital de Saquarema, Niterói, foi um poeta, professor e farmacêutico, figura como líder do Parnasianismo brasileiro, na famosa tríade Alberto de Oliveira, Raimundo Correa e Olavo Bilac. Foi Secretário Estadual de Educação, membro honorário e imortal da Academia Brasileira de Letras, adotou o nome literário Alberto de Oliveira.
Seus primeiros estudos foram realizados em Escola Pública. Formou-se em farmácia, 1884, frequentou o curso de medicina, onde conheceu Olavo Bilac. Porém, ambos abandonaram a faculdade. Alberto de Oliveira seguiu sua carreira farmacêutica e casou-se, em 1889, com Maria da Glória Moreira, com a qual teve um filho.
Após a glória literária, destacou-se na política como Oficial de Gabinete do Primeiro Presidente de Estado/RJ, eleito José Thomaz da Porciúncula (1892-1894), do Partido Republicano Fluminense.
Alberto de Oliveira foi professor de português e literatura no Colégio Pio-Americano (1095), na Escola Dramática e Escola Normal (1914), dirigida por Coelho Neto.

Envolveu-se com os fundadores da Gazeta de Notícias , Manuel Carneiro e Ferreira de Araujo, publicando poemas posteriormente reunidos no seu livro Canções Românticas e conhecendo neste jornal Machado de Assis.


A pedido dos leitores, publicou Sonetos e Poemas (1885), consagrando-se junto ao público e, em 1895, Versos e Rimas.
Depois de quatro livros publicados, foi convidado por Machado de Assis para a Fundação da Academia Brasileira de Letras, em 1897, ocasião em que se ve a longevidade do convívio entre o romancista e o poeta.
Com Raimundo Correia e Olavo Bilac, formou a tríade mais representativa da Idéia Nova da Nova Geração, hoje chamado Parnasianismo.



Nos últimos anos de sua vida, proferiu conferência "O Culto da Forma de Poesia Brasileira" (1913, na Biblioteca Nacional de São Paulo) e ainda foi homenageado pelo Jornal do Commércio, em 1917. No mesmo ano, recebeu Goulart de Andrade na Academia Brasileira de Letras. Foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, pelo concurso da Revista Fon-Fon (1924), título desocupado desde a morte de seu amigo Olavo Bilac. Em 1935, prestigia o Cenáculo Fluminense de História e Letras, com sua gloriosa presença. Sem dúvida o Poeta-Professor é "Andarilho Fluminense", semeando Lirísmo e Educação em todos os lugares por onde passou: Saquarema, Rio Bonito, Itaboraí, São Gonçalo, Campos, Araxá, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro.
Seus incontáveis versos falam da punjança da natureza fluminense e dos encantos da mulher brasileira, ambas frequentemente evocadas pela memória. Os temas da Grécia Antiga, que caracterizam o Parnasianismo de moldes franceses, formam uma pequena minoria de suas obras.
Alberto de Oliveira faleceu em Niterói, dia 19 de janeiro de 1937. Ve-se sua herma no Jardim do Russel (Rio de Janeiro), obra do escultor Petrus Verdier, outra no jardim de entrada da sede histórica da Prefeitura Municipal de Niterói, obra do escultor H. Peçanha.


DOLORA
Dizia-me a razão, antes de ve-la:
-"Não vás lá, se não quiseres ser sujeito
Ao seu olhar que é como o olhar da estrela..."
Fui. E agora a razão me diz: - "Bem feito!"
E ardo e choro. E, ebriado de ventura,
Na própria pena que o lacera e rala,
O coração aplaude-me a loucura:
- "Fizeste bem!", o coração que fala.

***

ACORDANDO
Quero-te, vem! se acaso da neblina
Do sonho as formas desatar te é dado,
Se não és sonho tu, se ora acordado,
Posso tocar-te, sombra peregrina!
Com o mesmo rosto pálido e magoado,
Triste o sorriso a boca purpurina,
Com o todo, enfim, de aparição divina,
Rompe a névoa, meigo vulto amado!
Encarna-te! aparece! exurge! acode!
E em minha fronte a coma ondeante e escura,
Cheia de orvalhos, úmida, sacode;
Mas se te dói pisar este medonho
Chão de abrolhos que eu piso, imagem pura,
Toma outra vez a aparecer-me em sonho.




Trabalho de Pesquisa:  
Eliana (Shir) Ellinger


BERNARDINO DA COSTA LOPES


BERNARDINO LOPES
(1859 - 1916)
O poeta mulato Bernardino da Costa Lopes, nasceu no arraial de Boa Esperança (Rio Bonito), Província do Rio de Janeiro, antes do fim da escravidão, mas como filho de pais livres e membros da classe média pobre: o pai, Antônio Costa Alves, era escrivão e sua mãe, Mariana, costureira, obteve aceitação literária na sociedade devido principalmente a suas poesias.
B. Lopes foi um dos fundadores da Folha Popular (1891), onde foi lançado o primeiro manifesto ao Simbolismo no Brasil. Chegou a gozar de certo prestígio na época, inclusive a prefaciar o primeiro livro de versos (Anforas) de Jonas da Silva e teve epígonos que o imitaram, influenciados principalmente através de volume Cromos em várias partes do país.
Bernardino era amigo pessoal de Olavo Bilac e se encontravam na casa da Princesa Isabel, onde conheceu Cleta Vitória de Macedo, com quem veio a casar e teve cinco filhos, todos homens.
Casado, desorganizou sua vida por motivos de ordem sentimental e entregou-se ao álcool. Foi ridicularizado no fim da vida por conta de um soneto infeliz, de louvor ao Marechal Hermes da Fonseca.
Conhecido por B. Lopes, fazia parte da boemia intelectual e sua poesia recolhe diferentes tendências da passagem do século XIX ao XX. Da primeira etapa, vista como parnasiana, é "Cromos" (1881), com o qual obteve reconhecimento nacional.
Seus "Cromos" representam - segundo Alfredo Bosi - "uma linha rara entre nós: a poesia das coisas domésticas, os rítmos do cotidiano".
Junto com Cruz e Souza, Emiliano Perneta e Oscar Rosas, Bernardino Lopes formou o primeiro grupo de simbolistas brasileiros. Desse novo período, fazem parte "Brasões" (1895) e "Val delírios" (1900), entre outros.



B. Lopes viveu os esplendores das duas correntes literárias com as obras poéticas: Cromos (1881), Pizzicatos (1886), Dona Carmen (1894), Brasões (1895), Sinhá Flor (1899), Val delírios (1900), Helenos (1901) Patriarca (1904) e Plumário (1905).
Em 1906, B. Lopes morre de tuberculose. A hibridez de suas poesias, parnasianas e simbolistas, continuam a merecer novos leitores.

PER PURA
Clara manhã, rutilante
Ascende o sol no horizonte;
Corre uma aragem fragrante
Por vale, planície e monte,
Trazendo nas finas asas
Um lindo som de cantigas.
De cima daquelas casas,
Casinhas brancas e amigas,
Sobem fumos azulados
E há pombos pelos telhados.
Cresce o rumor das cantigas...
Surge um farrancho de gente
Alegre, farta e contente,
De samburás e de gigas.
Andam colhendo espigas
Do milharal pardo e seco;
É dali que vem o eco
De tão bonitas cantigas...
Cantai, cantai, raparigas!
** ** **
QUANDO EU MORRER
Quando eu morrer em véspera tranquila,
Num por-do-sol de goivos e saudade,
Da velha igreja, que a Madona asila,
O sino grande a soluçar Trindade;
Quando o tufão do mar que me aniquila
soprar minh'alma para a Eternidade,
Todas as flores dos jardins da vila,
Certo, eu terei da tua caridade.
E, já na sombra amiga do cipreste,
Há de haver uma lágrima piedosa,
A edência gota, a pérola celeste,
Para quem desfolhou, temo, e as mãos cheias,
O lírio, o bogari, o cravo e a rosa,
Pelas estradas brancas das aldeias.

 Tranalho de Pesquisa: Eliana (Shir) Ellinger

domingo, 21 de dezembro de 2014

Feliz Ano Novo


O Clube de Poetas deseja a todos os amigos, 
leitores, seguidores um
Feliz Ano novo.
Agradecemos o carinho e incentivo de todos, até 2015.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

JOSÉ GODOY GARCIA



JOSÉ GODOY GARCIA
(1918 - 2001)
 
 
José Godoy Garcia, filho de Pedro Garcia de Freitas e Aladina Godoy Garcia, nasceu em Jataí, Goiás. Órfão ainda na infância, foi criado, com os outros cinco irmãos, pela avó Maria Rita Guimarães. 
Estudou as primeiras letras com o professor Nestório Ribeiro  em sua cidade natal, depois em Uberlândia (MG), Cidade de Goiás (GO) e Goiânia (GO), onde concluiu o Clássico e o curso de Direito (1948). Teve diversos empregos antes de se formar em Direito, tais como de garçom, lanterninha de cinema, agente de polícia e de publicidade.
Nesta fase, ou um pouco depois, teria convivido com o Príncipe da Poesia Goiana e Introdutor da Corrente Modernista na Poesia de Goiás, Cyllenêo (Leo Lynce).
Passou três anos no Rio de Janeiro (de 1937 até início de 1941), onde manteve contato com modernistas, principalmente Lúcio Cardoso, Rubem Braga e Solano Trindade.

Participou, como assessor jurídico, da Comissão Goiana para Mudança da Capital Federal, presidida por Altamiro de Moura Pacheco e criada pelo governador José Ludovico de Almeida.




Marxista por convicção, militante da esquerda pelo Partido Comunista, poeta realista de uma naturalidade exuberante. Seu primeiro livro de poemas, Rio do Sono, publicado em 1937, é detentor do Prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos.
Seguiram-se, Caminho de Trombas, 1966, Araguaia Mansidão (1972), Aqui é a Terra (1980), Entre Hinos e Bandeiras (1985), Os Morcegos (1987), Os Dinossauros dos Sete Mares (1988), Florismundo Periquito (1990), contos, novelas, que ele revisava na ocasião de sua morte com o fito de dar continuidade à publicação das obras completas; O Flautista e o Mundo Sol Verde e Vermelho (1994), Aprendiz de Feiticeiro (1997). Para ele, a poesia é tudo que o pássaro pensa da chuva.



 Três anos antes de seu falecimento, auxiliado pelos amigos Herondes Cezar e Salomão de Sousa, organizou e publicou , em 1999, o livro Poesia que ele considerava o compêndio definitivo de sua produção poética.



ESTIVE PENSANDO HOJE DE MANHàEstive pensando hoje de manhã,que fino trabalho fez o céu?Para amanhecer com cara de romã?Estive pensando hoje de manhã,onde será que nascem os ventos?Para viverem assim de déu em déu?Que nuvem é como pensamento,sai andando sem poder parar.Estive pensando hoje de manhã,que tudo na terra vive amando:mar, nuvem, vento, idéia, romã.

SER O CORPO DE UMA NUVEM 1.Ser o corpo de uma nuvemé o memso que mulher andar na tarde,é a estrada estar para ser usada,é a mulher como uma vaca vista pelogrande touro vingador- nuvem imóvel andando semoventena acrista do azul da tarde. 2.Uma nuvem é a aperente indeferençadas coisas do mundo pela sua dore quando ela passa a mãe e nem o negroa viram - andavam em si mesmos levandoandavam com suas vidas levandoa dor e as alegrias;a moça que olhava a estrada tinha ferido seu ventrefazia quatro noites;o velho Miquéiascosturou sua língua para não falar o que sabiadiante dos abrutres que o ouviam. 3.Uma nuvem é o comodismo dos animais.É a pedra que aparentemente não clama nem ajuda.É a montanha que presa à sua solidãonada ve do homem, é cheia de solidariedade, mutante.Uma nuvem é a solidão de cada um;um trecho da infância de cada um. ** ** ** Eliana (Shir) Ellinger Fontes de pesquisa:www.pt.wikipedia.orgwww.antoniomiranda.com.br 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

ELIZABETH BARRET BROWNING


ELIZABETH BARRET BROWNING
( 1806 - 1861 )
 
 
 
 
Poetisa inglesa, Elizabeth Barret Browning nasceu a 6 de março de 1806 em Coxhoe, Durham. Filha de um homem abastado, enriquecido principalmente às custas de plantações na Jamaica, cresceu na parte ocidental da Inglaterra e foi educada em cada por um precetor. Aprendeu latim e grego com celebridade, tendo-se tornado uma leitora voraz.
Aos catorze anos organizou a sua primeira coletânea de poemas, The Battle Of Marathon (1820) e logo após foi vítima de um acidente equestre, que causou-lhe mazelas incuráveis na coluna vertebral, pelo que consumiu morfina contra as dores durante o resto de sua vida.




Continuou depois com An Essay On Mind, publicado às expensas de seu pai em 1826,
e uma tradução de Ésquilos, Prometheus Bound e em 1833, Prometeu Agrilhoado.
Em 1832, a família mudou-se para Sidmouth e, três anos depois, em Londres, onde a poetisa começou a colaborar para a imprensa.
Em 1838, publicou The Serafim, And Others Poems, obra que chamou a atenção do público. Neste mesmo ano foi enviada para Torquay, em convalescença de um derrame, na companhia do irmão. Este morreu afogado e Elizabeth ganhou um medo quase mórbido de estar na companhia de pessoas. Dedicou-se portanto inteiramente à leitura.





Em 1844, com a publicação de Poems, obteve grande popularidade e foi elogiada por Edgar Alan Poe, entre outros. Chegou-se a referir o seu nome como sucessora de Wordsworth como Poeta da Corte Britânica.

Aos 39 anos, deu início a uma correspondência com o poeta Robert Browning, seis anos mais novo, que conhecia toda sua obra. O namoro foi mantido em segredo de seu pai
que havia terminantemente proibido os seus doze filhos e filhas de se casarem.
No ano seguinte, Elizabeth fugiu da alçada do pai e, em setembro de 1846, casou com Robert Browning e viajou com ele para a Itália, onde se fixou na cidade de Florença,
até o fim da vida.




 Na maturidade, Elizabeth começou a interessar-se pela causa da independência italiana
e tornou-se apoiante do movimento de unificação italiana e opos-se à escravatura. Em 1857, publicou Aurora Legh, um romance escrito em prosa poética, lida como o papel da mulher na sociedade e com as responsabilidades morais dos poetas.
Elizabeth Browning faleceu a 29 de junho de 1861, em Florença, nos braços do seu marido.
Entre seus poemas mais conhecidos, destacam-se Sonnets From The Portuguese (1850), que se referem possivelmente à obra de Luis Vaz de Camões.


SONETO XIV
 
Ama-me por amor do amor somente
Não digas : Amo-a pelo seu olhar,
O seu sorriso, o modo de falar
Honesto e brando. Amo-a porque se sente.
 
Minh'alma em comunhão constantemente
Com a sua. Porque pode mudar
Isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
Do tempo, ou para ti unicamente.
 
Nem me ames pelo pranto que a bondade
De tuas mãos enxuga, pois se em mim
Secar, por teu conforto, esta vontade.
 
De chorar, teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do amor, e assim
Mais hás de querer por toda a eternidade.
 
(Tradução: Manuel Bandeira)
 
 
** ** **
 
SONETO XXVIII
 
As minhas cartas! Todas elas frio,
Mudo e morto papel! No entanto agora
Lendo-as, entre as mãos trêmulas o fio
da vida eis que retomo hora por hora.
 
Nesta queria ver-me - era no estio -
Como amiga a seu lado...Nesta implora
Vir e as mãos me tomar...Tão simples! Li-o
E chorei. Nesta diz quanto me adora.
 
Nesta confiou: sou teu, e empalidece
A tinta no papel, tanto o apertava
Ao meu peito que todo inda estremece!
 
Mas uma...Ó meu amor, o que me disse
Não digo. Que bem mal me aproveitara,
Se o que então me disseste eu repetisse...
 
(Tradução: Manuel Bandeira)
 


SONETO
 
Parte: não a sombra. Por distante
Que te vás, em meu peito, a cada instante,
Juntos dois corações batem iguais.
 
Não ficarei mais só. Nem nunca mais
Dona de mim, a mão, quando a levante,
Deixará de sentir o toque amante
Da tua - ao que fugi. Parte: não sais!
 
Como o vinho, que às uvas donde flui
Deve saber, é quando faço e quanto
Sonho, que assim também todo te inclui.
 
A ti, amor! minha outra vida, pois
Quando oro a Deus, teu nome ele ouve e o pranto
Em meus olhos são lágrimas de dois.
 
(Tradução: Alexandre Herculano de Carvalho)
 
 
** ** **
 


Fontes de Pesquisa:



Eliana (Shir) Ellinger


AFFONSO CELSO DE ASSIS FIGUEIREDO JÚNIOR


AFFONSO CELSO
(1860 - 1938)
 
Affonso Celso de Assis Figueiredo Júnior, titulado Conde de Afonso Celso pela Santa Sé, mais conhecido simplesmente como Affonso Celso, é um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras. Filho do Visconde de Ouro Preto, último presidente do Conselho de Ministros do Império, e de D. Francisca de Paula Martins Toledo, esta filha do Conselheiro Joaquim Floriano de Toledo, coronel da Guarda Nacional, nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais em 31 de março de 1860 e veio a falecer no Rio de janeiro a 11 de julho de 1938.
Aos 15 anos de idade, publicou Os Prelúdios , reunindo uma pequena coleção de poesias de conteúdo romântico. Cursou a Faculdade de Direito de São Paulo na qual colou grau em 1880. Defendeu na ocasião, a tese "Direito da Revolução".
Em 1884, casou-se com D. Eugênia da Costa e foi levado à condição de Conde Romano em 1905. Curiosamente, Afonso Celso é trisavô de Dinho Ouro Preto, vocalista da banda brasileira de rock, Capital Inicial.
Ingressando nas lides políticas, foi eleito quatro vezes deputado geral por Minas Gerais. Na Assembléia Geral exerceu as funções de 1º Secretário. Com a proclamação da República, em 1889, abandonou a política e acompanhou o pai no exílio, que se seguiu à partida da família imperial para Portugal. Coube-lhe a delicada tarefa de defender o pai no início da implantação do regime republicano.
Dedicou-se ao magistério e ao jornalismo, tendo colaborado durante mais de 30 anos no Jornal do Brasil. Outros órgãos de imprensa, como A Tribuna Liberal, A Semana, Renascença, Correio da Manhã e o Almanaque Ganier, divulgaram muitos de seus artigos.
Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em 1892, na qualidade de sócio efetivo, posteriormente foi elevado a Honorário, em 1913 e a Grande Benemérito em 1917. Com a morte do Barão do Rio Branco, em 1912, Affonso Celso foi eleito Presidente Perpétuo dessa instituição (1912/1938).
De sua vasta obra, merecem especial destaque os seguintes livros: Oito Anos de Parlamento, Trovas, Porque me Ufano de Meu País - título que gerou críticas e elogios e a popularidade da expressão "ufanismo" - Segredo Conjugal, O Imperador no Exílio, O Assassinato do Coronel Gentil de Castro, Um Enjeitado, Rimas de Outrora,  Vultos e Fatos, Lupe e Giovanina Minha filha
 


Affonso Celso participou das atividades da Academia Brasileira de Letras, como um dos membros fundadores, tendo como patrono - na cadeira nº 36 - o poeta Teófilo Dias de Mesquita, filho de Gonçalves Dias.


No magistério também manteve atuação destacada, tendo exercido a Cátedra de Economia Política na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, da qual foi diretor por alguns anos e reitor da Universidade do Rio de Janeiro.
A última visita de Affonso Celso à Academia Brasileira de Letras ocorreu na sessão de 07 de julho de 1939, quatro dias antes de seu falecimento. 



TROVAS
 
CCXIII
 
Nunca o teu corpo acostumes
Ao que de necessidade
Lhe ser estricta não vês.
Os vícios não lhe avolumes,
Porque é grave enfermidade
Cada vício que lhe dês.
 
***
 
CCXIV
 
Eu dizia não ter senso
Quem no amor inda confia;
E acabei affecto immenso
Dando a quem não merecia.
 
***
 
CCXV
 
Não zombes da cobardia
Deste peito a ti votado
Que tanto mais te aprecia
Quanto mais menosprezado.
 
***
 
CCXVI
 
Não me creias fugidio
Que sempre te hei de buscar,
Como a água busca o rio,
Como o rio busca o mar.
 
***
 
CCXVII
Meu coração imprudente,
Quem é que tinha razão?
Eu te dizendo: "ella mente!"
Ou tu contestando: "não!"
 
***
 
CCXVIII
 
Do amor na escola indo aprendo,
Sou principiante;
Lições estou recebendo
Da minha amante.
Mas o alumno é tão ladino,
Tanto se adextra,
Que já não aceita ensino,
Fornece à mestra.
 
***
 
CCXIX
Faceira, entre as mais faceiras,
Toma sentido,
As horas correm ligeiras;
Talvez te seja impedido
Recuperar quando queiras,
Tamanho tempo perdido.



Eliana (Shir) Ellinger