Este blog tem por finalidade, homenagear consagrados poetas e escritores e, os notáveis poetas da internet.
A todos nosso carinho e admiração.

Clube de Poetas









quarta-feira, 10 de outubro de 2012

MARCOS MILHAZES


Marcos Milhazes é "um simples escrevedor" descendente de uma família tradicional da Bahia, os Magalhães Milhazes. Desde o tempo do ginásio gosta de escrever e seu primeiro trabalho literário foi sobre Iracema ( José de Alencar), mas este lado poeta ficou adormecido por 25 anos e só despertou com a magia do computador, onde as palavras ganham asas e voam livres de amarras, ultrapassam todos os tipos de fronteiras e conquistam o mundo. E pelas mãos do webmaster Bruno Cabral, Marcos Milhazes aportou  no mundo da poesia com uma única página, que trazia no céu o visual das pombinhas, que é o seu registro de nascimento.
 Nosso poeta escritor é um homem de mil facetas... Formado em Ciências Contábeis, Perícia Judicial TRT, Desportista, Músico Percursionista e Técnico em Merchandising. O escritor de " A Cidade dos Olhos Claros " mantém-o como "um livro fechado", (palavras do autor)... Na parceria com a poetisa Edna Liany nasceu um projeto  (participação de vários poetas), ensaio poético batizado de "Duetos de Outono" e um ebook presenteado por Eliane Gonçalves, "O Mágico das Letras Flutuantes". Para Marcos Milhazes "o dom de escrever é de berço. Tem-se ou não." Verdade que se traduz nas belas e imortais poesias e contos que dobram as linhas do tempo e permanecem atuais,  vivas e sábias.

Marcos tem um site, o  Milhas de Amor, fundado no ano de 2000, onde todas as suas obras estão publicadas e o Bar dos Sentimentos, projeto criado com Eliane Gonçalves, poetisa e educadora, palco livre cujo cenário são poetas amigos divulgados com pompa e louvor, tudo em nome da poesia, luz que alimenta a alma e sustenta sonhos, verdades e inspiração.

O poeta escrevedor mora na Região dos Lagos, RJ, que com suas dezenas de lagoas, mares de oceano e brisa que sopra versos, onde a métrica perfeita sussurra poemas de amor em harmonia e tudo que se vê e ouve, fala de paz. E neste belo cenário da natureza, obra pintada pelo Criador, um homem com espírito de criança segue sempre em frente, levando consigo a bandeira branca das palavras, palavras estas que ele tão bem sabe usar.

" Aprendi ainda novo com as águas tempestuosas. Que em rios de correntezas galhos velhos procuram as margens"
                                                                               (M.Milhazes)
Anna Peralva




O amor
Marcos Milhazes 


O amor não se delega
e muito menos se renega.
Ele sempre se rega e
nunca se nega.
Quer sempre o que carrega
E se entrega como diz a
tal da bendita regra.

A paixão que espere.
A lucidez que se supere.
A razão que não se desespere.
Mas que também espere.

E ele soberano aparece primeiro
Como mestre que o é
de todos os sentimentos
alados e proclama.

Eu o amor a
despeito da dor
que por muitas vezes me
 descarta ou  adia
Sempre começarei e
recomeçarei
Todo o santo dia...
  

Milhas de Amor
http://www.milhasdeamor.com.br/


Trabalho de Arte: Marilda Ternura

JOSÉ SARAMAGO



JOSÉ SARAMAGO 
(1922 - 2010)


José de Sousa Saramago nasceu em Azinhaga, aldeia ao sul de Portugal,
sua família era de camponeses.
Autodidata, antes de se dedicar exclusivamente à literatura, trabalhou como serralheiro mecânico, desenhista industrial e gerente de produção numa editora.
Iniciou sua atividade literária em 1947, com o romance 'Terra do Pecado', só voltando a publicar um livro de poemas em 1966.
Atuou como crítico literário em revistas e no jornal Diário de Lisboa. Em 1975 tornou-se diretor-adjunto do jornal Diário de Notícias. Acuado pela ditadura de Salazar, a partir de 1976 passou a viver de seus escritos, inicialmente como tradutor, depois como autor.
Em 1980, alcança notoriedade com o livro 'Levantando do Chão', visto como seu primeiro grande romance. 'Memorial do Convento'  confirmaria esse sucesso, dois anos depois.
Em 1991, publica 'O Evangelho de Jesus Cristo', livro censurado pelo governo português. Casado em segundas núpcias com a espanhola Pilar del Rio, Saramago foi exilar-se em Lanzorete, nas Ilhas Canária (Espanha), onde viveu até a morte.
Foi ele o primeiro autor da língua portuguêsa a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1998.
Entre seus livros mais famosos, estão os romances 'O Ano da Morte de Ricardo Reis' (1984), 'A Jangada da Pedra' (1986) e 'O Homem Duplicado' (2002). Também sua peça teatral 'In Nomine Dei' (1993) e os dois volumes de diários recolhidos nos 'Cadernos de Lanzorete' (1994/1997).
José Saramago faleceu em 18 de junho de 2010, aos 87 anos de idade, vítima de leucemia. Seu funeral teve honras de Estado, tendo o seu corpo sido cremado no cemitério do Alto de São João, em Lisboa. As cinzas de Saramago foram depositadas aos pés de uma oliveira, em Lisboa, em 18 de junho de 2011.
 
 
POEMA À BOCA FECHADA
 
 
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
 
 
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
 
 
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quando sei
Nesse retiro em que me não conhecem.
 
 
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas, 
Nem só animais bóiam, mortos, medos, 
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam 
No negro poço de onde sobem dedos. 

Só direi, 
Crispadamente recolhido e mudo, 
Que quem se cala quando me calei 
Não poderá morrer sem dizer tudo.
 
 
Fontes de Pesquisa:
 
 
Trabalho de Pesquisa: eliana Ellinger (Shir))
 

JULIA DA COSTA

JULIA DA COSTA
(1844 - 1911)
 
 
Júlia Maria da Costa, filha de Alexandre José da Costa e Maria Machado da Costa, nasceu em Paranaguá no dia 1º de julho de 1844. 
Foi uma figura controvertida, forte, decidida e à frente de seu tempo. Com o auxílio do padre e escritor Joaquim Gomes de Oliveira Paiva, de Desterro, publicou dois livros: Flores Dispersas - 1ª série, e Flores Dispersas - 2ª série. Sob os pseudônimos de Sonhadora, Americana e J.C. (entre outros). Escreveu, além de poesia, muitas crônicas-folhetins, que hoje chamaríamos de crônicas sociais, analisando a moda e relatando festas.
Júlia da Costa casou, em 1871, por conveniência e imposição familiar, com o Comendador Costa Pereira, chefe do Partido Conservador, um homem rico e trinta anos mais velho, embora amasse o poeta Benjamin Carvoliva, cinco anos mais novo. Correspondia-se com ele quase que diariamente durante o namoro e, quando casada, em segredo. Em uma das cartas, que eram colocadas em esconderijos diversos, tais como o oco de uma velha árvore, Júlia sugere que fujam os dois, mas quem foge é Carvolina perante a ousadia da poetisa.
Desiludida, Júlia passa a escrever, febrilmente, poemas cada vez mais desesperançados e melancólicos, começa a frequentar mais e mais serões e festas, pintar os cabelos de negro (em uma época em que somente meretrizes e artistas o faziam), pintar o rosto e usar muitas jóias, participar de campanhas políticas e publicar em jornais e revistas, tornando-se uma lenda viva em sua pequena cidade.
A solidão se tornou cada vez maior depois da morte do Comendador, que a habituara a receber catarinenses ilustres em banquetes e saraus (num dos quais esteve presente o Visconde de Taunay). Viúva, cansada das festas, fecha-se em casa com manias de perseguição. Durante o tempo que permanece enclausurada, planeja escrever um romance e, para tanto, confecciona painéis coloridos com cenas campesinas, interiores de lar e paisagens inspiradoras que espalha pelas paredes.
Nessa velhice solitária, Júlia da Costa enlouquece e permanece fechada no casarão por oito anos, dele só saindo ao falecer em 2 de julho de 1911.


ACORDES POÉTICOS


Não tenho segredos, é pura minh´alma,
Qual cândida aurora rasgando o seu véu!
Velando ou dormindo, chorando ou sorrindo,
Só amo – meus campos – meu solo – meu céu!



Cresci sobre um ermo tristonho e sombrio,
Soltei nas campinas meu primo cantar,
Saudei nas montanhas o sol que nascia,
Brinquei entre moitas ao claro luar!



Sou jovem, sou meiga, sorri-me o futuro
Nas fímbrias douradas de auroras de paz,
A flor das campinas só ama o infinito
Do céu, das venturas, não quer nada mais!



As flores dos prados não causam-me inveja,
Que hei flores mimosas no meu coração!
Lauréis e grandezas, eu não, não aspiro,
Não quero ter gozo tão falso, tão vão!



Não tenho segredos, é pura minh´alma,
Qual cândida aurora rasgando o seu véu!
Velando ou dormindo, chorando ou sorrindo,
Só amo – meus campos – meu solo – meu céu!


fontes de pesquisa:

Trabalho de Pesquisa: eliana Ellinger (Shir)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

BRUNO TOLENTINO

BRUNO TOLENTINO
(1940 - 2007)
 
 
  Bruno Lúcio de Carvalho Tolentino, nasceu em 1940, São Paulo, numa tradicional família carioca. Conviveu desde criança com intelectuais e escritores próximos à família, entre eles  Cecília Meireles (a quem o poeta sempre se referiu carinhosamente como Tia Cecília), Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto.  Primo do crítico literário brasileiro Antonio Candido e da crítica teatral Bárbara Heliodora, seu trisavô, Antônio Nicolau Tolentino, foi conselheiro do Império e fundador da Caixa Econômica Federal.
Foi instruído em inglês e francês ao mesmo tempo de sua alfabetização no português.
Publicou em 1963 seu primeiro livro, Anulação e Outros Reparos. Com o advento do golpe militar de 1964, mudou-se para a Europa a convite do poeta Giuseppe Ungaretti, onde viveu trinta anos, tendo residido na Inglaterra, Bélgica, Itália e França. Lecionou nas universidades de Oxford, Essex e Bristol e trabalhou como tradutor-intérprete junto à Comunidade Econômica Européia. Publicou em 1971, em língua francesa, o livro Le Vrai le Vain e, em 1979; em língua inglesa, About the Hunt, ambos bem recebidos pela crítica literária européia.
Em 1987, sob a acusação de porte de drogas, foi condenado a 11 anos de prisão. Cumpriu apenas 22 meses da pena, em Dartmoor, no Reino Unido.  "Adorei a experiência e procurei tirar o máximo de proveito", foi o que Bruno declarou sobre os dias de encarceramento, numa entrevista em agosto de 2006. Aos companheiros de prisão, organizou aulas de alfabetização e de literatura, estas últimas nomeadas de "Seminars of Drama and Literature", que, conforme posteriormente relatado por Bruno, "em cujas sessões avançadas chegaram a comparecer psicanalistas de renome, ao lado de personalidades do mundo das letras tais como Harold Carpenter, o estudioso e biógrafo de Ezra Pound e Auden, o dramaturgo Harold Pinter, ou Lady Antonia Fraser".
Tolentino retornou ao Brasil em 1993, publicando o livro As horas de Katharina, escrito durante o período de 22 anos (1971-1993), ganhando com ele o Prêmio Jabuti  de melhor livro de poesia de 1994. Em 1995 publicou Os Sapos de Ontem, uma coletânea de textos, artigos e poemas originados de uma polêmica intelectual com os irmãos Haroldo de Campos  e  Augusto de Campos, que nesse livro foram os principais alvos de sua "língua ferina entortada pelo vício da ironia", frase que Bruno usou durante uma entrevista em que lhe foi pedido "um perfil abrangente de si mesmo". Ainda em 1995 publicou Os Deuses de Hoje, e, em 1996, A Balada do Cárcere, livro nascido da experiência de sua prisão pouco menos de dez anos antes. Ainda nesse ano, foi publicada uma polêmica entrevista com Bruno para a revista Veja, onde o poeta critica, entre outras coisas, a então atual situação intelectual do Brasil, o Concretismo, a concepção e aceitação da letra de música enquanto poesia e a elevação de músicos populares à posição do intelectual. Essa postura crítica, que tem como principais arenas publicadas a entrevista à Veja e o livro Os Sapos de Ontem, acompanhou Bruno ao longo dos anos de atividade intelectual no período que foi do seu retorno ao Brasil até sua morte (1993-2007).
Bruno publicou derradeiramente em 2002 e 2006, respectivamente, os livros que considerou como a culminação de sua obra poética: O Mundo Como Idéia, escrito durante quarenta anos (1959-1999), e A Imitação do Amanhecer, escrito durante 25 anos (1979-2004). Ambos lhe renderam o Prêmio Jabuti, já conquistado pelo autor em 1993 com As Horas de Katharina, tornando-o assim um dos únicos escritores a ganhar três edições do prêmio, considerado o mais importante da literatura brasileira. Bruno também recebeu, por O Mundo Como Idéia, o Prêmio Senador José Hermínio de Morais, prêmio nunca antes dado a um escritor, em sessão da Academia Brasileira de Letras, com saudação proferida pelo acadêmico, filósofo, poeta e teórico do Direito, Miguel Real, seu amigo.
Tolentino, que tinha AIDS e já havia superado um câncer, esteve internado durante um mês na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Emílio Ribas, em São paulo, onde veio a falecer, aos 66 anos de idade, vitimado por uma falência múltipla de órgãos, em 27 de junho de 2007.

SEGUNDO MOVIMENTO

Mas vem o amor, o amor que faz tão doce
o travo em que circula à flor do instante,
e entre resíduos vai como se fosse
suficiente, plácido e constante...

Mas se é amor é muito mais cortante
e em lâmina tão leve disfarsou-se
que por melhor alar seu golpe pôs
cintilações de ganho em cada instante.

E a alma se insurge, cobra o amor que abrande
seu ginete malsão tonto de posse,
esse peso de corpo que a alma torce.

E não doma, esse breve, bastante
soluço da vontade no imperfeito,
mas a alma cede, a alma sucumbe o peito...

Fontes de pesquisa:

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)

ANA CRISTINA CRUZ CÉSAR


ANA CRISTINA CRUZ CÉSAR
(1952 - 1983)
 

Ana Cristina Cruz César, poeta, ensaísta, tradutora, nasceu no Rio de Janeiro,  filha de Maria Luiza César e do sociólogo e jornalista Waldo Aranha Lenz César, um dos responsáveis, junto com o editor Ênio Silveira (1925 - 1996), pela fundação da editora ecumênica Paz e Terra.
Aos 7 anos, Ana Cristina tem seus primeiros poemas publicados no
jornal Tribuna da Imprensa. Entre 1969 e 1970, interrompe o curso clássico no Colégio de Aplicação da Faculdade Nacional de Filosofia, para estudar inglês no Richmond School for Girls, em Londres, pelo programa de intercâmbio da juventude cristã. Ingressa, em 1971, na Faculdade de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ). Desde a vida universitária, participa ativamente da cena cultural carioca e do movimento da poesia marginal, convivendo com poetas como Cacaso (1944 - 1987) e intelectuais como Heloísa Buarque de Holanda (1939). Ainda em 1971, inicia a atuação como professora,  em escolas de 2º grau e de idiomas. Após a conclusão da graduação, em 1975, colabora para publicações como Opinião, Jornal do Brasil, Folha de S.Paulo, com destaque para Beijo, importante periódico de cultura, com sete números impressos, cujo processo acompanha desde sua criação. 
Em 1979 lança, de forma independente, o primeiro livro de poesia, Cenas
de Abril
. Seguem-se Correspondência Completa, uma carta ficcional, e Luvas de Pelica, publicado em 1980. Dessa mesma época datam as primeiras traduções, atividade que se torna objeto de estudo na pós-graduação: em 1981, torna-se mestre em teoria e prática da tradução literária pela Universidade de Essex, Inglaterra. De volta ao Brasil,
é contratada como analista de textos pela Rede Globo de Televisão e lança, em 1982,  A Teus Pés - reunião de títulos publicados até então e ainda o inédito que nomeia o volume.
Aos 31 anos, em 1983, comete suicídio, atirando-se pela janela do apartamento dos pais, no oitavo andar de um edifício na rua Tonelero, em Copacabana.  Após sua morte, o poeta e amigo  Armando Freitas Filho (1940) organiza sua obra e promove
o lançamento dos livros Inéditos e Dispersos, em 1985,  Escritos da Inglaterra, 1988, e Escritos no Rio, 1993.
A trajetória da autora, que pode ser acompanhada em Inéditos & Dispersos - reunião de poemas escritos desde os 9 anos de idade - revela busca pessoal da expressão poética: os primeiros versos são em geral líricos, metrificados e rimados.
Já em A Teus Pés (1982) são longos, apresentando tom de conversa, e frequentemente questionam a sociedade conservadora e o lugar nela destinado à mulher. É o que se lê em "Sete chaves", "[...] Não
sou dama nem mulher/ moderna".
 
TODA MULHER
 
A coisa que mais o preocupava
naquele momento
era estudo de mulher
toda mulher
dos quinze aos dezoito.
Não sou mais mulher.
Ela quer o sujeito.
Coleciona histórias de amor.
 
** ** **
 
SONETO
Pergunto aqui se sou louca 
Quem quer saberá dizer 
Pergunto mais, se sou sã 
E ainda mais, se sou eu 

Que uso o viés pra amar 
E finjo fingir que finjo 
Adorar o fingimento 
Fingindo que sou fingida 

Pergunto aqui meus senhores 
quem é a loura donzela 
que se chama Ana Cristina 

E que se diz ser alguém 
É um fenômeno mor 
Ou é um lapso sutil?
 
Fontes de Pesquisa:


Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

JOÃO ROBERTO CÔNSOLI



Na linda Minas Gerais, mais precisamente em Pouso Velho. o menino João Roberto Cônsoli conheceu toda a grandiosidade colorida da vida. Era um ano de grandes descobertas, precisamente em 12 de julho... Hoje tem a infância como um grande legado que não quer esquecer... E tal qual um homem menino se vê nas dobras do tempo olhando o Livro-Existência como uma criança que brinca em montar o enigmático quebra cabeça do mundo.
Formou-se em Odontologia pela UFMG, Belo Horizonte (MG). Hoje encontra-se já aposentado das atividades trabalhistas. Pertence à Academia Virtual Poética do Brasil e ao Sarau Libertário, onde publica seus contos, crônicas e poesias. No ano de 2004 publicou pela Editora Armazém de Idéias o romance de título: "A Incrível Viagem de Élfin Korat". Cônsuli descobriu-se poeta na adolescência e articulou a mistura perfeita das palavras em seu primeiro poema: "Pensamentos da Vida.".
Ele se define assim: - Sou um ser à procura de mim próprio. Dono de espírito inquieto como todo canceriano, ele está sempre em busca do definir exato da vida.
Através da literatura, da música ou do pincel vai traçando em telas ou obras literárias sua trajetória como um orgulhoso (no bom sentido ) Cidadão do Universo. Semeia nas estradas percorridas o ensinamento para então colher o aprendizado do autoconhecimento, da sabedoria, espiritualidade e os segredos ocultos da imortalidade. Nosso amigo poeta tem como passatempo a leitura, internet e construção de violinos. Gosta de animais, plantas, tudo enfim, que se encontre na magia da natureza. Gosta também do silêncio que sempre fala verdades sem que o eco das palavras invada o espaço. Tem Deus como uma forma de energia que permeia todo o Universo e para ele o dia começa começa bem, quando o sol desponta no horizonte com suas nuances magistrais e os pássaros entoam o hino matinal.


 Anna Peralva
   


Soneto da Casualidade
J.R.Cônsoli

 
Quem eu seria, caso eu não fosse?
Talvez a sombra do que eu nada fora,
Quem sabe o alento que não  tomou posse,
Por ser a posse pouco duradoura.

 
Seria o nada, a rejeição do tudo?
Acaso o tudo com o vazio do nada?
Seria a fala na boca do mundo?
Quiçá a curva da encruzilhada!

 
Nessa dúvida atroz que virou norma,
Eu Não sou treva  nem tampouco luz,
Talvez u'a sombra COM UMA OUTRA FORMA!

 
Sou do universo a experiência vã...
onde um ILUSÓRIO pixel me conduz,
Em busca dos fantasmas do amanhã.
  
Trabalho de arte: Marilda Ternura

JOSÉ PAULO PAES

JOSÉ PAULO PAES
(1926 - 1998)
José Paulo Paes nasceu em Taquaritinga, São Paulo, filho de Paulo Artur Paes da Silva, português, e de Diva Guimarães, brasileira. Passou sua infância na casa do avô materno, J. V. Guimarães, livreiro e tipógrafo.
Em 1943 vai a São Paulo para tentar vaga no curso técnico do Colégio Mackenzie, não consegue, e para manter-se na cidade, trabalha como assistente do escritor Tito Batini. A morte do avô, contudo, leva-o de volta a Taquaritinga.
No início de 1944, presta exames e ingressa no Instituto de Química de Curitiba, formando-se químico industrial em 1948 e durante muitos anos trabalhou em laboratório farmacêutico. Todavia, paralelo a essa profissão, jamais deixou a literatura - cujo interesse foi-lhe passado pelo avô - sendo ainda que nos tempos de aluno em Curitiba, já colaborava com a Revista Joaquim, dirigida por Dalton Travisan. Dessa temporada paranaense, nasce seu livro de estréia, O Aluno, de 1947, fortemrnte influenciado pela poesia de Carlos Drumond de Andrade, que lhe respondeu com o conselho de evitar a imitação de vozes alheias.
Em 1949, transfere-se para São Paulo, quando passa a colaborar com os jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Tempo, Jornal de Notícias e Revista Brasiliense, aproximando-se de escritores modernistas como Graciliano Ramos, Jorge Amado e Oswald de Andrade.
Foi neste tempo que conheceu Dorotéia Costa, conhecida por Dora, primeira bailarina do Teatro Municipal de São Paulo, com quem se casou e a quem dedicou "Cumplices", de 1951, seu segundo livro. Por falta de um estudo melhor, sua obra foi comparada às dos poetas da Geração 45, tendo inclusive participado de uma antologia junto à Haroldo de Campos e Décio Pignatari, quando eram chamados de "novíssimos", ou seja, antes da eclosão da poesia concreta, à qual Zé Paulo (como o chamavam) soube com inteligência absorver, cujos resultados apareceram em seu livro "Anatomias", apresentado justamente por Augusto de Campos. Mais que poesia concreta, seu livro aproveita um ritmo "oswaldino", como nos poemas "L'affaire Sardinha" (que fora publicado em 1962 na antologia Violão de Rua, na UNE) e o conhecido "Epitáfio de um Banqueiro".
Por volta de 1963, José Paulo dá início a um trabalho intenso à frente da Editora Cultrix, abandonando sua profissão como químico, dedicando-se a partir de então integralmete à literatura. Na companhia de Massaud Moisés foi organizador do "Pequeno Dicionário de Literatura Brasileira".
Em 1981, aposenta-se como editor, dando início a um dos mais competentes trabalhos de tradução entre os escritores brasileiros, verteu para o português autores de diversas línguas, como Charles Dickens, Joseph Conrad, Pietro Aretino, Konstantínus Kaváfis, Laurence Sterne, W. H. Auden, William Carlos Williams, Ovídio, Paul Éluard, Edward Lear, Rilke,  Lewis Carrol, entre outros tantos.
Seu reconhecimento na matéria resultou em sua nomeação como Diretor da
Oficina de Poesia no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
Em 1986 vem à público o livro "Um Por Todos", reunindo seu trabalho até então, apresentado pelo crítico Alfredo Bosi. Vem ainda da década de 1980 seu interesse pela poesia infantil, com a qual alcançou grande êxito entre as crianças.
Em 1989, lançou pela coleção "Claro Enigma" , organizada por Augusto Massi, o livro "A Poesia está morta, mas eu juro que não fui eu", título extraído do poema "Acima se qualquer suspeita". 
Na década de 1990 dá sequência ao seu trabalho, lançando diversos livros de ensaios, poemas infantís, traduções e poesias, sendo o "Prosas seguidas de odes mínimas", um dos mais bem recebidos, livro no qual reflete um momento difícil de sua vida, quando tem a perna amputada, como pode-se ler no poema "Ode à minha perna esquerda". 
Zé Paulo faleceu em 1998, deixando inédito o livro "Socráticas", que veio ao público em 2001
CONVITE
Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião...
Só que
bola, papagaio, pião
de tanto brincar se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam,
como a água do rio
que é água sempre nova.
Como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
Fontes de Pesquisa:
 Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)

HELENA KOLODY

 
HELENA KOLODY
(1912 - 2004)
 
Filha de imigrantes ucranianos da Galícia Oriental, que se conheceram no Brasil e se casaram no Paraná, nasceu em Cruz Machado (PR), dia 12 de outubro de 1912, a grande poetisa Helena Kolody.
Helena passou parte da infância na cidade de Rio Negro, onde fez o curso primário, estudou piano, pintura e, aos doze anos, fez seus primeiros versos.
 
Seu primeiro poema publicado foi A Lágrima, aos 16 anos de idade, e a divulgação de seus trabalhos, na época, era através da revista Marinha, de Paranaguá.
 
Aos 20 anos, Helena iniciou a carreira de professora do Ensino Médio e inspetora de Escola Pública. Lecionou no Instituto de Educação de Curitiba por 23 anos. Helena Kolody, segundo o que consta em seu livro "Viagem no Espelho", foi professora da Escola de Professores da cidade de Jacarezinho, onde lecionou por vários anos.
 
Seu primeiro livro, publicado em 1941, foi "Paisagem Interior", dedicado a seu pai, Miguel Kolody, que faleceu dois meses antes da publicação.
 
Helena se tornou uma das poetisas mais importantes do Paraná e praticava principalmente o haicai, que é uma forma poética de origem japonesa, cuja característica é a concisão, ou seja, a arte de dizer o máximo com o mínimo. Foi a primeira mulher a publicar haicais no Brasil, em 1941.
Em pequenos versos e poucas rimas a poetisa encanta o leitor com sua simplicidade e amor à sua história .
Helena, em princípio, foi muito criticada com argumentos de que o que escrevia "não era soneto, não tinha rima, não era poesia". Mas, ela gostava de desafios e assim tornou- se a primeira paranaense "Hajin" ( pessoa que cultua Haicai), com o nome artístico de Reika ( perfume da poesia), concedido em 1993 pela comunidade nipobrasileira de Curitiba.
Helena Kolody foi vencedora de vários concursos, tema de filme, peça teatral e tese universitária; é autora de numerosos livros, sendo que "Paisagem Interior" (1941) foi o primeiro a ser editado, além de vários outros como:

"Música Submersa" (citado anteriormente), "InfinitoPresente" (1980), "Viagem no Espelho" (1995) e "Caixinha de Música" (1996) .
 
Foi admirada por poetas como Carlos Drummond de Andrade e Paulo Leminski, sendo que, com esse último, teve uma grande relação de amizade pessoal e literária.
 
Em 1985 recebe o "Diploma de Mérito Literário da Prefeitura de Curitiba", em 1987 o título de "Cidadã Honorária de Curitiba", em 1988 foi criado
o "Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody", realizado anualmente pela Secretaria da Cultura do Paraná, em sua homenagem, em 1991 foi eleita para a Academia Paranaense de Letras.
Em 1992, o filme "A Babel de Luz", do cineasta Sylvio Back, homenageia os
80 anos da poetisa, tendo recebido o prêmio de melhor curta-metragem
e melhor montagem, do 25° Festival de Brasília.
Em 2002, foi feita uma exposição em homenagem aos 80 anos da poetisa,
na Biblioteca Pública do Paraná e, em 2003, recebe o título de "Doutora Honoris Causa" pela Universidade Federal do Paraná.
Aos 82 anos, Helena Kolodi faleceu em Curitiba (PR) em 15 de fevereiro de 2004.
 
 
AREIA
 
Da estátua de areia,
nada restará
depois da maré cheia.
 
** ** **
 
HAI-KAIS
 
Deus dá a todos uma estrela.
Uns fazem da estrela um sol.
Outros nem conseguem ve-la.
*
Arco íris no céu.
Está sorrindo o menino
que há pouco chorou.
*
Trêmula gota de orvalho
Presa na teia de aranha,
Rebrilhando como estrela.
*
Festa das lanternas!
Os ipês estão luzindo
De globos cor-de-ouro.
*
Corrida no parque.
O menino inválido
aplaude os atletas.
*
Nas flores do cardo
leve poeira de orvalho.
Manhã no deserto.
*
O brilho da lâmpada
no interior da morada,
empalidece as estrelas.
*
A morte desgoverna a vida.
Hoje sou mais velha
que meu pai.
 
 
Fontes de Pesquisa:
 
Trabalho de Pesquisa: Eliana llinger (Shir)
 
 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

ODETE RONCHI BALTAZAR



Odete Ronchi Baltazar acordou toda encantada com a vida em Rio Maina, Município de Criciúma, Estado de Santa Catarina. Atualmente fixa residência em Florianópolis. Encantamento este, que faz luzir qual estrela guia seus belos olhos azuis.

Odete formou-se em Língua Portuguesa especializando-se em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina. Na adolescência começou a escrever o que lhe cantava a alma. Somente a partir de 2001, quando começou a fazer parte de grupos literários que suas obras poéticas foram sendo divulgadas e conhecidas por todos os internautas. A Internet, veículo de grande repercussão foi um presente de grande valia para a inspiradíssima poeta. Aí, toda a estesia contida na palavra escrita em forma lírica alçou voo, conquistando seu espaço virtual, onde versos fluíam livres de amarras!

Odete publicou seus trabalhos em Sites, Blogs, E-Books e Antologias Poéticas. No ano de 2006 publicou o livro "Só Poesia"e, em 2009 nascia para os olhos do mundo, "Caixinha de Segredos". Em 2011 publicou o livro de crônicas, "Mentira ou Verdade". Ela escreve sobre sonhos, e vai desalinhavando as dobras do tempo com telas pinceladas de romantismo. A magia permeia sua poesia, o que nos faz mergulhar fundo na essência do todo, assim a distância deixa de existir... Almas se tocam num Universo Místico, uma troca de identidade apenas permitida para quem sai de si e sorve a poesia como alimento. Odete é senhora de grande intimidade com as artes. Pinta telas retratando a bela paisagem na qual vai esboçando sua jornada traçada para o hoje que desvenda mistérios do ontem e sussurra suspiros de um amanhã, que breve  irá revelando o nó do tronco, no badalar das horas vividas.

Odete Tem participação em Antologias, tais como: "DiVersos", Editora Scortecci, 2002;

"Com Licença da Palavra", Ed. Scortecci, 2003; "1ª Antologia Poética AVBL", Ed. da AVBL, 2004; "Virtualismo", Ed. AVBL, 2005; "uniVersos", gráfica e editora Ivan, 2005; "2ª Antologia Poética-Literária AVBL", Editora da AVBL, 2006; 3ª Antologia Poética Literária AVBL, Ed. da AVBL, 2008 e "4ª Antologia Poética Literária AVBL, Ed. da AVBL, 2008.

Endereços de seus sites pessoais onde se pode conhecer um pouco mais sobre a poeta:
www.odetepoesias.com.br
www.palavrasmil.blogspot.com
Anna Peralva
CANTIGA PARA UM AMOR IRREAL
Odete Ronchi Baltazar
Contigo
meus dedos ligeiros
dividem palavras e acentos,
neste mundo inconsciente:
pintura inacabada
de promessas,
bebidas nas noites insones...
Lugar de solitários arpejos,
afônicos versos,
murmúrios e desejos
querendo ter asas reais.
Impossível voo,
impossível reverso,
nesta minha vida
tão cheia de ais.
Fosses um pouco mais
e serias
a minha manhã de sol.
Fosse um pouquinho só a mais serias
minha canção em dó...
Mas és tão pouco!
Só quase...
Inda não és,
e não serás, tampouco.
Agora me vou:
Já esperei demais
por esse amor sem beijos.
Trabalho de Arte: Marilda Ternura

PAUL GÉRALDY

PAUL GÉRALDY
1885 - 1983
 
 
Paul Géraldy é um poeta e dramaturgo francês, cujo nome era Paul Lefrève. Nesceu em Paris, França, em 16 de março de 1885, onde fez seus estudos. Seu pai, Georges Levrève, foi o jornalista que fez a tradução de "Romeu e Julieta" em 1890.
Paul Géraldy publicou sua primeira compilação intitulada "Les Petites Âmes" (As Pequena Almas, em tradução livre) em 1908 alcançando grande êxito popular com a segunda publicação intitulada "Toi et Moi" em 1912, um conjunto de poemas levianos de corte romântico, inspirados por seu grande amor, a bela cantora de ópera Germaide Lubin, com quem se casou, terminando o matrimônio em 1926, a raiz de uma relação amorosa com o Marechal Philippe Pétrain.
Este livro foi traduzido para o português pelo também poeta Guilherme de Almeida.
Seu teatro é um teatro psicológico tradicional, do qual chama de luz são as relações familiares e cenas da pequena burguesia intelectual do período de entreguerra e nele se destacam as obras "Aimer", em 1921; "Le Prélude", em 1938 e " L' homme et L' amour", em 1951.
Suas poesias são simples e, às vezes, desajeitadas e cheias de banalidades, da qual obteve êxito entre o público feminino. Géraldy expressa suas confidências com linguagem de todos os dias, na sua nova obra "Vous et Moi"  (Você e Eu).
Seu sucesso como poeta foi tão grande que tende-se a negligenciar o sucesso no teatro, onde iniciou escrevendo a peça "Les Noces D'Argent" em 1917. Ficou eternamente conhecido como o poeta das mulheres e das coisas do coração.
Paul Géraldy fundou o Cenáculo 20 com Chaplin e Gershwin em 1920 e fez parte do Conselho Literário da Fundação Príncipe Perre de Mônaco, a partir de 1952.
Gérandy não figura na antologia de poesia francesa de Pierre Seghers, porque permanecia quase desconhecido para a geração nascida após a guerra. O jornalista Jean-François Hahn o "redescobriu" e fez com que o público o admirasse em um programa de televisão no início dos anos 80. Foi um assíduo hóspede de Sainte-Maxime, em sua casa "Toi et Moi".
Faleceu em Neuilly-sur-Seine, em 10 de março de 1983, aos 98 anos.
 
MEDITAÇÃO
 
A gente começa a amar
por simples curiosidade,
por ter lido num olhar
certa possibilidade.
 
É como, no fundo, a gente
se quer muito bem,
ama quem a ama, somente
pelo gosto igual que tem.
 
Depois, a gente começa
a repartir dor por dor.
E se habitua depressa
a trocar frases de amor.
 
E, sem pensar, vai falando
de novo as que já falou...
E então, continua amando
só porque já começou.
 
Fontes de pesquisa:
 
Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)