Este blog tem por finalidade, homenagear consagrados poetas e escritores e, os notáveis poetas da internet.
A todos nosso carinho e admiração.

Clube de Poetas









terça-feira, 3 de junho de 2014

LAURINDO RABELO


LAURINDO RABELO
(1826 - 1864)
 
 
 
 
Laurindo José da Silva Rabelo, médico, professor e poeta, nasceu no Rio de Janeiro, em 08 de julho de 1826, e faleceu na mesma cidade, em 28 de setembro de 1864. É  patrono da Cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Guimarães Passos.
Era filho do oficial de milícias Ricardo José da Silva Rabelo e de Luiza Maria da Conceição, ambos mestiços e gente humilde do povo carioca. Cresceu nas maiores privações, das quais só veio a se libertar nos últimos anos de sua vida.
Pretendendo seguir a carreira  eclesiástica, cursou as aulas do Seminário São José e recebeu as ordens, mas abandonou o seminário por intrigas de colegas.
Fez estudos na Escola Militar, outra vez tentando em vão seguir carreira. Ingressou no curso de medicina, concluindo-o na Bahia em 1856. Em 1857, ingressou como oficial-médico no Corpo de Saúde do Exército, servindo no Rio Grande do Sul, até 1860.
Neste ano casou-se  com D. Adelaide Luiza Cordeiro, e só a partir de então pode livrar-se da pobreza que marcou sua existência. De volta so Rio de Janeiro, lecionou as disciplinas de História, Geografia e Português no curso preparatório da Escola Militar.
Caracterizou-o, desde os anos de estudante, a maneira espontânea e desengonçada de viver. Por sua compleição física e bizarra, a imaginação popular deu-lhe o apelido de "poeta-lagartixa". Viveu na boemia, um ambiente que o estimulava literariamente.
 




 Como poeta satírico, era justamente temido e respeitado. Teve amigos e também inimigos acérrimos, por causa desta feição de seu talento, chegando a ser perseguido.
Como repentista e improvisador, era popular e bem recebido em todos os salões. Fechavam os olhos à sua indumentária desleixada, só para ouvir o poeta e ver as cintilações de seu espírito. Em muitas de suas composições vibra a nota de melancolia, pois também pertencia ao período romântico.
Atacado por uma afecção cardíaca, Laurindo Rabelo faleceu aos 38 aos de idade.

ANGÚSTIA
 
Quando morta a felicidade,
A fé expira também !
Saudades de que se nutrem?
Os suspiros, que alvo têm?
 
Morta a fé, vai-se a esperança;
Como pois, viver pudera
Saudade que não tem crança,
Saudade que desespera?
 
Onde as graças do passado,
Se altivo gênio sanhudo
O cepticismo nos brada.
Foi mentira, engano tudo?
 
Em nada creio do mundo:
Ludíbrio da desventura,
A felicidade me acena
Só de um ponto - a sepultura.
 
Morreram minhas saudades,
E nem suspiros calados
Dentro d'alma pouco a pouco
Vão morrendo sufocados.
 
** ** **
 
BEIJO DE AMOR
 
Se me queres ver ainda,
Recobra da vida a flor:
Deixa remoçar-me a vida
Um beijo do teu amor.
 
De minha vida a ventura
Teus lábios guardam consigo,
Dá-me um só beijo e verás
Se é mentira o que eu te digo.
 
Como a flor, do sol a um beijo,
Se quiseres, podes ver.
A minh'alma semimorta,
Num teu beijo reviver.
 
Só esperá-lo me alenta ,
Me conforta o fado meu;
Imagina só por isso
Quanto pode um beijo teu.
 
** ** **
 
AS ROSAS DO CUME
 
No cume daquela serra
Eu plantei uma roseira.
Quanto mais as rosas brotavam,
Tanto mais o cume cheira.
 
À tarde, quando o sol posto,
E o cume o vento adeja,
Vem travessa borboleta
e as rosas do cume beija.
 
Nos tempos das invernadas,
Que as plantas do cume levam,
Quanto mais molhadas eram,
Tanto mais no cume davam.
 
Mas se as águas vêm correntes,
E o sujo do cume limpam,
Os botões do cume abrem,
As rosas do cume grimpam.
 
Tenho pois, certeza agora
Que no tempo de tal rega,
Arbusto por mais cheiroso
Plantado no cume pega.
 
Ah! Porém o sol brilhante
Logo seca a cataduba,
O calor que a terra abrasa
As águas do cume chupa. 



Eliana (Shir) Ellinger
 
Fontes de pesquisa:
 

DORA FERREIRA DA SILVA


DORA FERREIRA DA SILVA
( 1918 - 2006 )
Dora Ferreira da Silva nasceu dia 1º de julho de 1918, na cidade paulista de Conchas, e faleceu em São paulo em 2006.
A vocação poética surgiu na infância, através de leituras na biblioteca de poesia de seu pai, Theodomiro Ribeiro, que faleceu quando Dora tinha um ano de idade. Com dois anos, mudou-se com a família para a Capital do Estado, onde mais tarde estudou no Instituto de Educação, da então recente Universidade de São Paulo.
Casou-se aos 19 anos com o filósofo Vicente Ferreira da Silva, com quem viveu por 23 anos não apenas uma história de amor e admiração, mas também uma intensa e fecunda parceria intelectual. Ao lado do marido, relacionou-se com intelectuais do mundo inteiro, como Agostinho da Silva, Eudoro de Souza e Ernesto Grassi, assim como Guimarães Rosa e Oswald de Andrede, que frequentavam a casa da rua José Clemente, referência cultural na cidade de São Paulo.
Em 1955, o casal fundou, ao lado de Milton Vargas, a revista "Diálogo", interrompida em sua décima sexta  edição pela morte prematura de Vicente num acidente de carro. Dois anos depois, com a colaboração de Vilém Flusser e Anatol Rosenfeld, Dora lançou a revista "Cavalo Azul", voltada especialmente à poesia e à literatura. Dora publicou sistematicamente artigos, traduções e poemas nas duas revistas.
Entre as atividades docentes, lecionou História e Arte na EAD e História das Religiões na Faculdade Tereza Martin. Ao longo de sua vida reuniu e orientou vários grupos de alunos que estudavam principalmente psicologia, mitologia e poesia. A criação do Centro de Estudos Cavalo Azul, em 2003, incorporou outros professores e poetas, como Rodrigo Petrônio e Cláudio Willer, que integravam o último grupo de estudos de Dora, ainda em atividade.

                                       



A poesia foi a vivência, paixão e prática de toda sua vida. A primeira publicação em livro foi em 1970, com a coletânea "Andanças", que reuniu a poesia produzida a partir de 1948. Publicou depois outros dez volumes, além de traduções, artigos e ensaios. Recebeu três prêmios Jabuti pelos livros "Andanças", "Poemas da Estrangeira"  e "Hídras", a Menção honrosa PEN CENTRE por "Talhamar" e o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pela publicação da "Poesia Reunida", em 2000.
Integrou a comissão responsável pela publicação da obra completa de Carl Gustav Jung em português, da qual foi responsável por várias traduções, além do clássico "Memórias, Sonhos,
 Reflexões".


                              

Em 2006, aos 87 anos, Dora preparava-se para lançar mais um livro. Estava em plena atividade, trabalhando em três séries de poemas:  "Appassionata", "O Leque" e "Transpoemas", esta última em um mergulho na fonte originária da poesia, que  não concluiu pois veio a falecer.
Seu acervo documental e bibliográfico foi incorporado ao Instituto Moreira Salles, onde, depois de catalogado, está disponobilizado para pesquisa e divulgação, figurando ao lado de nomes como Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles e Rachel de Queiroz, dentre muitos outros escritores brasileiros.


 CÂNTICOS
Tenho-te um amor de mansidões
rebanho lento e branco passeando na alvorada
tenho-te um amor tranquilo e trêmulo
não se música ou se constelações.
Tenho-te um amor de eternidades
em vagas renascentes - brando som de flauta
chamando as superfícies distraídas
para a reconcentração definitiva.
II
Como um ramo de úmidas rosas
quisera estar na sala em que respiras
o aroma de tuas primaveras.
Como um cesto de frutos derramados
quisera ser a oferta abandonada
na mesa simples da tua eternidade.
** ** **
AO SOL
Naufragas na noite
em pompas de luz e imensidade
todo germe palpita na semente
e da nova manhã ressurges
clara divindade
nua a carnação sob o manto escarlate.
** ** **
NOTURNO
Nossos olhos nos pertencem,
não o dia.
Amor não nos pertence
nem a morte.
Apenas pousam na pérola mais fina,
Desce o luar
No flanco de rios precipitados
Folhas se alongam
caules estremecem.
A noite já desfere
seu punhal de trevas. 

Eliana (Shir) Ellinger
Fontes de pesquisa:



domingo, 4 de maio de 2014

A. B. MENDES CADAXA







A. B. Mendes Cadaxa
(1917 - 2011)

Armindo Branco Mendes Cadaxa nasceu na cidade de São Paulo. Poeta e diplomata de carreira, serviu consulados e embaixadas na Argentina, Estados Unidos, Haiti, Itália, Jamaica, Polônia, Alemanha, Suiça, Trinidad, União Sobiética e Uruguai, o que lhe deu formação cosmopolita.
Escreveu poesias em português e inglês, publicou vários livros, em destaque  "Earthquare at Delphi"  (1966), "Elegis from the Lesser Sierras"  (1976), "Teu corpo é ouro só"  (1985), "Escadaria de Jade"  (1998), "Canto & Cor"(2004).
Fez parte do corpo de editores da revista inglesa de poesia "Envoi" por quase três décadas. É autor de obra vastíssima, inclusive peças teatrais em versos sobre temas históricos, nas quais exibe erudição e domínio das técnicas da poesia lírica e épica, como nas obras "Donina"  e " Dom Pedro e Isolda". Também escreveu romances de cordel em belíssimo estilo clássico.




           




Na acepção de João Cabral de Melo Neto, "Cadaxa traz um rítmo novo, há na linguagem algo ainda não tentado na língua portuguêsa". 
Sua excepcional inventividade aparece ao longo poema "Sombras", no qual Antonio Houaiss, autor do prefácio, aponta: " voz antiga e semântica (se a houver)".
A. B. Mendes Cadaxa, como é mais conhecido, ganhou diversos prêmios literários, entre os quais, o Prêmio Nacional de Poesia, do PEN Clube do Brasil, em 1997. Nesse mesmo ano recebeu o Prêmio Jabuti e, em 1999, ganhou a Medalha Paulo Rónai, pela União Brasileira de escritores, em virtude do livro "Escadaria de Jade", poemas traduzidos do chinês para o português.

 

 Em 2000, recebeu o Prêmio Jorge de Lima, da Academia Carioca de Letras. Pela peça  "A Rainha Implacável" , recebeu da União Brasileira de Escritores o Prêmio Guilherme de Figueiredo, em 2003. Seu estilo de escrever poesias conquistou aplausos de críticos, como Antônio Houaiss, Ivan Junqueira, Wilson Martins, Mauro Lucchesi, Fernando Py, entre outros.
Suas poesias são consideradas vindas de uma imaginação fértil, inesgotável e, com as sutilezas de suas mensagens, poderia ser cognomidado poeta hermético. Mas não o era. O que ele não fazia do poema fácil ou brincalhão. Homem de uma sinceridade a toda prova, escrevia o que sentia, com a influência do que ouviu e leu, como mostra sua vida bastante movimentada de diplomata.

VIAJANDO

Sol entre nuvens
Bom tempo para os navegantes.
Vou pela areia,
Chego no laguinho
Esquecido no final da praia
Ao retirar-se a maré vazante.
Mesmo pisando de mansinho
Assusto peixelins
A preamar ansiosos aguardando.
Trato de não perturbar festins
Gaivotas, siris
Se branqueando.
Cansado de vagar sobre os abismos
Embarco em uma nuvem
Refletida lá no fundo
Para uma viagem sideral
Impelido pelo vento.

CHEGA DE FALAR EM FLORES

Chega de falar em flores
Já te custa distinguir
Matizes, cores.
Mal reconheces
O penetrante olor do cravo
Há de colher uma braçada
Para a sala perfumar
Sei haver  coisas mais profundas
Neste mundo
Devastado pelos três ginetes
Do que flores, nuvens
Lages flutuantes.
Reprovam-me
Por não dar sentido social
Ao que hoje escrevo.



INSÔNIA

Levanto-me no escuro
Não acendo vela, posso despertá-la
tateando caminho para a sala
Não me estorvam móveis
Amigos de antanho
Reconheço-os de olhos fechados.
Acolhe-me a bergère em seus amplos braços
Espaldar ampara-me a cabeça
Inquieta , roubou-me o sono
Por uma quase nada
Procuro convence-la da  puerilidade
Entretanto
Não sossiga, não me dá descanso.
Escoam-se as horas
Pela clarabóia filtra-se a aurora
Dissipam-se trevas enfumando o cômodo
Teias de aranha envolvendo a mente
Envergo o meu poncho, desço as escadas
Sobre o vale surge o sol nascente.


 
Fontes de Pesquisa:
 



Eliana (Shir) Ellinger


domingo, 1 de dezembro de 2013

VIRGINIA TAMANINI



 VIRGINIA TAMANINI
(1897 - 1990)
 
 
Virginia Gasparini Tamanini,  nasceu na fazenda Boa Vista, no Vale do Canaã, município de Santa Teresa, no Estado do Espírito Santo. Seus pais, Epifânio Gasparini e Catarina Tamanini Gasparini, ambos italianos que vieram como imigrantes para o Brasil.
Criada em fazenda, aprendeu as primeiras letras e adquiriu alguns conhecimentos equivalentes ao ensino elementar da época com professores particulares. Mais tarde, prosseguiu seus estudos no Rio de Janeiro, sob orientação de seu irmão Américo que cursava a Faculdade Nacional de Direito, sendo que, ao final do segundo ano, interrompeu os estudos por motivo de força maior, regressando à casa paterna.
Autodidata persistente, Virginia continuou nos seus esforços para instruir-se, dedicando todos os momentos de lazer ao estudo e à leitura. Desde cedo revelou inclinação para letras e, ainda jovem, escreveu um romance folhetim "Amor sem Mácula" , publicado em capítulos semanais no jornal "O Comércio", de Santa Leopoldina, usando o pseudônimo de "Walkiria".




Virginia produziu em 1929, 1930 e 1931, as peças teatrais "Amor de Mãe", "Filhos do Brasil", "O Primeiro Amor" e "Onde está Jacinto?", levadas à cena com sucesso.
Membro da Academia Espírito-Santense, tomando parte ativa na organização da "Primeira Quinzena de Arte Capixaba", realizada em Vitória, em 1947. Adaptou, encenou e dirigiu no, Teatro Carlos Gomes, a peça francesa "Cristina da Suécia", em 1947 e, em 1948, outra peça francesa "Atala", a última druidesa das Gálias.
Escritora, romancista e poetisa, pertenceu à Academia Feminina Espírito-Santense de Letras, como patrona da cadeira nº 3, Associação Espírito-Santense de Imprensa, e sócia correspondente da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul.
Recebeu o título de Cidadã Honorária de várias cidades capixabas e uma rua em Ibiraçu, recebeu seu nome.
Virginia Tamanini foi agraciada com a Ordem do Mérito Marechal José Pessoa, no Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, no grau de Comendador.
Aos 89 anos de idade, ocupou a Cadeira nº 15 da Academia Espírito-Santense de Letras, cujo patrono é José Colantino do Couto Barroso.
Virginia G. Tomanini veio a falecer em Vitótia no ano de 1990.
 



 DIA VIRÁ

 
Meu filho:
 
Quando um dia procurares
e não me vires mais,
quando a certeza de minha morte
entrar em tua alma
e fizer teu coração doer,
dá-me teu pranto
que através dele estarei contigo.
Nas lágrimas que chorares,
chorarei;
porque minha dor,
a dor de minha voz não ser ouvida,
a dor de não poder te consolar
será tão grande,
tão esmagadora,
tão penetrante e forte,
que ao sentir-me afastada
do caminho de tua vida,
hei de morrer de novo
após a morte !
 

 

EU VIM ME DESPEDIR
 


Daqui olhando o espaço e a costa em fora,
É tão maravilhoso o que diviso,
Que creio ser assim o Paraíso,
Nem posso de outra forma o imaginar !
 
Por isso penso que Nossa Senhora,
Fugindo ao sopé, quis de improviso
Aparecer aqui, deixando aviso
Da sua escolha para vir morar.
 
Sobre esta penha, sinto o pensamento
Arrebatado pela voz do vento, 
E meus sentidos já não são mais meus.
 
Ao pé da rocha, se distende o mar...
Meus olhos descem para contemplar,
Minha alma sobe para estar com Deus.
 


 Eliana (Shir) Ellinger
 

Fonte de Pesquisa:
 

YONÁ WALLACH


YONÁ WALLACH
(1944 - 1985)

Yona Wallach foi uma poetisa israelense, orgulhosa de sua bisexualidade, que surpreende seus leitores com expressões ousadas sexualidade e de espiritualidade misturadas. Também contava com a psicologia junguiana no seu trabalho. Escreveu letras para bandas de rock israelense que estão em seu livro Island Songs em 1969. Em seu poema, Yonatan, ela interpreta a si mesma como um menino, Yonatan, que é decapitado por outros meninos que tem sede de sangue.
 Nasceu em Tel Aviv, em 1944. Ainda antes do Estado de Israel exisitr, enquanto aquela área era o Mandado Britânico da Palestina. Nessa Tel Aviv que, em sua autobiografia, Amos Oz cita existirem figuras modernas, que aos seus olhos de criança de Jerusalém, tinham algo de quase mótico.




Yona ainda não era uma dessas figuras, ela era um pouco mais nova que Oz (ele nasceu em 39, ela em 44)  mas cresceu nesse ambiente. Quiçá a visão de Oz fosse um tanto obliterada pela infância e pela vida um tanto estrita que levava em Jerusalém, mas ela certamente tornou-se uma dessas figuras modernas e transgressoras.
Yona Wallach era orgulhosamente bissexual e vivia sua sexualidade de modo bastante livre e de modo assumidamente político. É considerada uma das mais importantes feministas de Israel, ainda que algumas de suas performances a aproximem mais do querer do que de qualquer outra coisa.
Um de seus mais importantes  e polêmicos  poemas é Tefillin, em que utiliza os filactórios utilizados pelos judeus mais ortodoxos ao realizar suas orações, como brinquedo sexual em uma relação sadomasoquista. Junto com os poemas foram publicadas uma série de fotos em que Yona estava junto a um modelo nú, que tinha apenas os filactérios atados aos braços. Ainda hoje tanto poema quanto fotos (que completaram 30 anos) causam polèmcia entre as comunidades judaicas mundo afora.
Yona Wallach morreu em 1989, aos 41 anos, vítima de câncer.


Tefilim 

Venha até mim.
Deixe-me fazer nada
Você faz por mim
Faça tudo por mim
Tudo o que eu começar a fazer
Você faz no meu lugar
Eu colocarei os tefillin eu rezarei
Você colocará os tefillin para mim
Ate-os aos meus braços
Brinque com eles dentro de mim
Passe-os delicadamente sobre meu corpo
Esfregue-os em mim
Me excite em todo lugar
Me faça desmaiar com sensações
Faça com que corram por meu clitóris
Amarre meus quadris com eles
Para que eu possa gozar rapidamente
Brinque com eles dentro de mim
Amarre minhas mãos e pernas
Faça coisas comigo
Contra a minha vontade
Me vire de bruços
Coloque os tefillin em minha boca como rédeas
Cavalgue-me como a uma água
Puxe minha cabeça pra trás
Até eu gritar de dor
E você ter prazer
Mais tarde eu os passarei sobre seu corpo
Com intenções bem claras
É, que rosto cruel eu vou ter
Eu os passarei devagar sobre seu corpo
Devagar devagar devagar
Ao redor de sua garganta eu os passarei
Eu vou enrolar uma das pontas ao redor da sua garganta algumas vezes
E amarrar a outra ponta a algo estável
Algo muito pesado que talvez gire
Eu puxarei e puxarei
Até o que seu último suspiro escape
Até que eu te estrangule
Completamente com os tefillin


Eliana (Shir)

Fontes de pesquisa:

sábado, 23 de novembro de 2013

ANTONIO OLINTO



ANTONIO OLINTO
(1919 - 2009)
 
 
Antonio Olinto, cujo nome completo é Antonio Olyntho Marques da Rocha, nasceu em Ubá, Minas Gerais,  filho de José Marques da Rocha e Áurea Lourdes Rocha.
É o quinto ocupante da Cadeira nº 8, eleito em 1997, na sucessão de Antonio Callado e recebido pelo acadêmico Geraldo França Lima.
Depois dos estudos primários na cidade natal, ingressou no Seminário Católico de Campos (RJ), onde concluiu o curso secundário. Prosseguiu os estudos no curso de Filosofia do Seminário Maior de Belo Horizonte (MG) e no Seminário Maior de São Paulo. Tendo desistido de ser padre, foi durante dez anos professor de Latim, Português, História da Literatura, Francês, Inglês e História da Civilização, em colégios do Rio de Janeiro. Publicou então seu primeiro livro de poesia, "Presença". Foi secretário do Grupo Malraux, tendo organizado a 1ª exposição de poesias, montada na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Juntamente com sua atividade de professor ingressou no setor publicitário e no jornalismo. Seu livro "Jornalismo e Literatura" foi adotado em cursos de jornalismo em todo o Brasil. Da mesma época é seu livro de ensaios o "Diário de André Gide".









 Foi crítico literário de O Globo e colaborou em jornais de todo o Brasil e Potrugal. Convidado pelo Governo da Suécia para as comemorações do Ciquentenário do Prêmio Nobel em 1950, fez então conferências na Universidade de Estocolmo e Uppsala. A convite do Departamento de Estado dos Estados Unidos, percorreu 36 estados norte-americanos fazendo conferências sobre cultura brasileira.
Poeta e ensaista, suas obras estão vinculadas, cronológicamente, à geração 45.
Na década de 50, teve publicado quatro volumes de poesia e dois de crítica literária.
Foi Adido Cultural em Lagos, Nigéria, Professor Visitante na Universidade de Columbia, em Nova York, fez conferências nas Universidades de Yale, Harvard, Oward, Indiana, Palo Alto, UCLA, Louisiana e Miami. Em 1968 foi nomeado Adido Cultural em Londres, tendo sido eleito, no início dos 90, para o cargo de Vice-Presidente Internacional.
Antonio Olinto, foi Membro do PEN Clube do Brasil e também do PEN Internacional, tendo sido eleito para o cargo de Vice-Presidente Internacional.
Dirigiu e apresentou os primeiros programas literários de televisão no Brasil na TV Tupi, e em seguida nas TVs Continental e Rio.
Em 1955, conheceu a escritora e jornalista Zora Seljan, com quem se casou. A partir de então, os dois trabalharam juntos em atividades culturais e literárias e foram eleitos para o Conselho Fiscal do Sindicatos dos Escritores, em 7 de maio de 1997. Zora Seljan faleceu no Rio de Janeiro em 2006.
 



Na Academia Brasileira de Letras, exerceu o cargo de diretor-tesoureiro nas gestões de 1988-99 e 2000, além de diretor da Comissão de Publicações. Recebeu o Prêmio Machado de Assis, em 1994, pelo conjunto de obras da Academia Brasileira de Letras, a mais alta láurea literária do Brasil. Em 2000, recebeu o título de Doutor Honoris Causa, da Faculdade de Letras e do Conjunto Universitário de Ubá e o Diploma de Excelência da Universidade Vasile Goldis, de Arad (Romênia), pelo seu trabalho de difusão da cultura brasileira naquele país. Em 2003, inaugurou na Faculdade de Letras Ozanan Coelho de Ubá, uma biblioteca de 34 mil volumes que receberam seu nome. Em 2004, o Real Gabinete Português de Literatura do Rio de Janeiro outorgou-lhe o Título de Sócio Grande Benemérito.
Nos últimos anos de vida, proferiu conferências em seminários no Brasil e no exterior, participou das Jornadas de Lusofonia realizadas em Lisboa, Estocolmo, Gotemburgo, Lund e Copenhague.
Antonio Olinto faleceu em 2009, aos 90 anos, por falência múltipla de órgãos e foi sepultado no Mausoléu da ABL.
 
* Tive o grande prazer de conhece-lo em 1999, ocasião do "Concurso Novos Talentos", quando meu livro, "Pedaços de Mim", foi o vencedor. Nele, Antonio Olinto escreveu sua apreciação, apresentando meu estilo de escrever poesias.



 
 SONETO DE NATAL 
"Mudaria o Natal ou mudei eu?"
Machado de Assis


Mudaria o Natal ou mudo iria
Mudar sempre o menino o mundo em tudo?
Ou fui só quem mudei, e meu escudo
Novidadeiro, múltiplo, daria
Ao mudadiço mito da alegria
Em noite tão mutável jeito mudo?
O homem é mudador, muda de estudo,
De mucama, de verso, pouso, dia,
Porque a muda modula esse desnudo
Renascimento em palha, e molda e afia
O instrumento da troca, o fim miúdo,
A noite amena erguendo-se em poesia.
Mudei eu sempre sem saber que mudo
Ou somente o Natal me mudaria?

** ** **

INFÂNCIA

Um retrospecto
de que vale?
O menino soltava papagaio
no morro transformado em nova imagem,
tão nítida que vai além do retângulo,
termina no prelúdio de uma nuvem
e o grito batia longe
na tarde dos bambuais,
de que vale?
Sousa já era mas sorria,
tinha o fascínio dos começos,
a fixidez dos olhos sendo
nada e flor.
A voz que subia aflita
(só podia ser de mãe)
falava da noite próxima
e de bichos escondidos
pelo pasto,
no regato,
no caminho,
pela sombra deslizada de repente
de que vale?
Na descida tudo vinha
em gesto nem sempre visto
de papagaio vermelho,
papel de seda rasgado
na maciez do paiol.
Súbito
era noite e um cão latia
alto.


 Eliana (Shir)

Fontes de Pesquisa: