Este blog tem por finalidade, homenagear consagrados poetas e escritores e, os notáveis poetas da internet.
A todos nosso carinho e admiração.

Clube de Poetas









sábado, 18 de maio de 2013

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN


SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN
(1919 - 2004)


Poetisa e contista portuguesa, nasceu no Porto, no seio de uma família aristocrática e aí viveu até aos dez anos, quando se mudou para Lisboa. De origem dinamarquesa por parte do pai, a sua educação decorreu num ambiente católico e culturalmente privilegiado que influenciou a sua personalidade. Frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em consonância com o seu fascínio pelo mundo grego (que a levou igualmente a viajar pela Grécia e por toda a região mediterrânica), não tendo todavia chegado a concluí-lo.
Teve uma intervenção política empenhada, opondo-se ao regime salazarista (foi co-fundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos) e também, após o 25 de Abril, como deputada. Presidiu ao Centro Nacional de Cultura e à Assembléia Geral da Associação Portuguesa de Escritores.

O ambiente da sua infância reflete-se em imagens e ambientes presentes na sua obra, sobretudo nos livros para crianças. Os verões passados na praia da Granja e os jardins da casa da família ressurgem em evocações do mar ou de espaços de paz e amplitude. A civilização grega é igualmente uma presença recorrente nos versos de Sophia, através da sua crença profunda na união entre os deuses e a natureza, tal como outra dimensão da religiosidade, provinda da tradição bíblica e cristã.

A sua atividade literária (e política) pautou-se sempre pelas idéias de justiça, liberdade e integridade moral. A depuração, o equilíbrio e a limpidez da linguagem poética, a presença constante da Natureza, a atenção permanente aos problemas e à tragicidade da vida humana são reflexo de uma formação clássica, com leituras, por exemplo, de Homero, durante a juventude. Colaborou nas revistas Cadernos de Poesia (1940), Távola Redonda (1950) e Árvore (1951) e conviveu com nomes da literatura como Miguel Torga, Ruy Cinatti e Jorge de Sena.

Na lírica, estreou com Poesia (1944), a que se seguiram Dia do Mar (1947), Coral (1950), No Tempo Dividido (1954), Mar Novo (1958), O Cristo Cigano (1961), Livro Sexto (1962, Grande Prêmio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores), Geografia (1967), Dual (1972), O Nome das Coisas (1977, Prêmio Teixeira de Pascoaes), Navegações (1977-82) e Ilhas (1989). Este último voltou a ser publicado em 1996, numa edição de poemas escolhidos acompanhada de fotografias de Daniel Blaufuks. Em 1968, foi publicada uma Antologia e, entre 1990 e 1992, surgiram três volumes da sua Obra Poética. Seguiram-se os títulos Musa (1994) e O Búzio de Cós (1997). Colaborou ainda com Júlio Resende na organização de um livro para a infância e juventude, intitulado Primeiro Livro de Poesia (1993).


Em prosa, escreveu O Rapaz de Bronze (1956), Contos Exemplares (1962), Histórias da Terra e do Mar (1984) e os contos infantis A Fada Oriana (1958), A Menina do Mar (1958), Noite de Natal (1959), O Cavaleiro da Dinamarca (1964) e A Floresta (1968).





É ainda autora dos ensaios Cecília Meireles (1958), Poesia e Realidade(1960) e O Nu na Antiguidade Clássica (1975), para além de trabalhos de tradução de Dante, Shakespeare e Eurípedes.          
Sua obra literária encontra-se parcialmente traduzida na França, Itália e nos Estados Unidos da América. Em 1994 recebeu o Prêmio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores e, no ano seguinte, o Prêmio Petrarca, da Associação de Editores Italianos. O seu valor, como poetisa e figura da cultura portuguesa, foi também reconhecido através da atribuição do Prêmio Camões, em 1999. 

Em 2001, foi distinguida com o Prêmio Max Jacob de Poesia, num ano em que foi excepcionalmente alargado a poetas de língua estrangeira. 
Em Agosto do mesmo ano, foi lançada a antologia poética Mar. Em Outubro publicou o livro O Colar. Em Dezembro, saiu a obra poética Orpheu e Eurydice, onde o orphismo está, mais uma vez, presente, bem como o amor entre Orpheu, símbolo dos poetas, e Eurídice, que a autora recupera num sentido diverso do instaurado pela tradição helênica.
Sophia veio a falecer rm Lisboa, aos 84 anos de idade.


Busto de Sophia no Jardim Botânico do Porto.

ASSIM O AMOR
Assim o amor,
Espantado meu olhar com teus cabelos,
Espantado meu olhar com teus cavalos
E grandes praias fluidas avenidas,
Tardes que oscilam demoradas
E um confuso rumor de obscuras vidas.
E o tempo sentado no limiar dos tempos,
Com seu fuso, sua faca, seus novelos,
Em vão busquei eterna luz precisa.
** ** **
TERROR DE TE AMAR
Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo,
Mal de te amar neste lugar de imperfeição,
Onde tudo nos quebra e emudece,
Onde tudo nos mente e nos separa.
Que nenhuma estrela queime o teu perfil,
Que nenhum deus se lembre do teu nome,
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti eu criarei um dia puro,
Livre como o vento e repetido,
Como o florir das ondas ordenadas.



Fontes de pesquisa:
  

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger


ALCEU WAMOSY


ALCEU WAMOSY
(1895 - 1923)

Alceu Wamosy nasceu em Uruguaiana (RS) em 14/02/1895 e faleceu em Livramento (RS) em 13/09/1923.
Publicou seu primeiro livro de poesias, "Flâmulas" , em 1913. Na época já trabalhava como colaborador no jornal A Cidade , fundado por seu pai em Alegrete (RS). A partir de 1917, tornou-se proprietário do jornal O Republicano, apoiando o Partido Republicano. Continuou colaborando para diversos periódicos. como os jornais A Notícia, A Federação, O Diário  e a revista A Máscara.
Publicou as obras poéticas "Na Terra Virgem" , em 1914 e "Coroa de Sonho" , em 1923.
Postumamente foram publicadas "Poesias Completas", (1925) pela Editora Globa e "Poesia Completa" (1994), em Porto Alegre, na "Coleção Memória"  da  EDIPURCS.
Poeta simbolista, Alceu Wamosy escreveu poemas cheios de desencanto, em uma produção que se destacou no sul do país e que é uma das obras mais significativas do Simbolismo brasileiro, sendo o seu soneto "Duas Almas" um dos mais belos produzido em língua portuguêsa.


   





Lutando ao lado da hostes governamentais, na Revolução Federalista, combatendo em Santa Maria Chica, Pontes do Ibirabuitá e Ponche Verde, recebeu uma bala no peito, vindo a falecer em Livramento, lugar para onde o transportaram, com apenas 28 anos de idade.
Alceu Wamosy é patrono da cadeira nº 14 da Academia Rio-Grandense de Letras. Foi homenageado como patrono da Feira do Livro de Porto Alegre de 1967.



NOTURNO


Tu pensarás em mim, por esta noite imensa
e erma, em que tudo é um frio e silêncio profundo?
Tu pensarás em mim? Por esta noite enfermo,
tendo os olhos em febre e a voz cheia de sustos,
eu penso em ti, no teu amor e na promessa
muda que teu olhar me fez e que eu espero.
(Que dor de não saber se tu não pensas em mim!)
Sob a tenda da noite estrelada de outono,
que eu contemplo através os cristais da janela,
junto ao manso tepor da lâmpada que escuta
- antiga confidente - os meus sonhos e as minhas
vigilias de tormento, eu penso em ti, divina.
(E tu talvez nem te recordes deste ausente!)
Penso em ti. Penso e evoco o teu vulto adorado.
Penso nas tuas mãos - um lis de cinco pétalas -
que, em vez de sangue, têm luar dentro das veias,
nos teus olhos, que são Noturnos de Chopin,
agonizando à luz de uma tarde de sonho,
na tua voz, que lembra um beijo que se esfolha.
Penso. 
(E nem sei se tu também pensas em mim!)
Talvez não. No tranquilo altar da tua alcova,
onde se extingue a luz de um velho candelabro
com uma lâmpada votiva, tu adormeces
sorrindo ao anjo fiel que as tuas pálpebras fecha
para que tu não tenhas sonhos maus.
Eu penso
em ti, sem, a sós, angustiado e febril,
em ti que nem eu sei se lembras de mim...



 Fontes de pesquisa:


Trabalho de Pesquisa Eliana (Shir)

terça-feira, 23 de abril de 2013

Homenagem Póstuma


Caio Lucas que durante tantos anos fez parte desta família Clube de Poetas,
parte para poetar em outra dimensão nos deixando imensa saudade.
Muita luz, siga em paz amigo.

Uma singela homenagem do Clube de Poetas


Caio Lucas, o poeta
 Caíto,o brincalhão
 * 28/05/1948
 +22/04/2013



Poema 0812 - Quando voltar ao céu
by-Caio Lucas


Quando voltar ao céu, de onde vim,
levarei meus escritos,
uma pasta cheia de carinhos,
no corpo, levo a paixão, no coração amor que tenho.


As dores, as decepções, espalharei pelas estrelas,
a raiva queimo em um meteoro de passagem,
deixarei marcas na trilha com as cores dos meus olhos,
dos amantes, levo o perfume da noite.


Quando passar pela lua, deixo um bilhete pra minha amada,
se meu caminho for pelo sol, mostro a paixão,
tão quente, tão vermelha que o ofuscará,
e sigo, vou até onde meu sonho alcançar.


Poeta é assim, sabe viver, sabe morrer, sabe amar,
ora pensa ser deus, vive como menino,
ora chora uma despedida, apenas escreve,
ora nada, deita, chama a lua e falam de amor.


É, isso quando voltar ao céu de onde vim,
levarei somente minha alma,
na lembrança o amor da filha, da amada
e a crença no deus que minha mãe me fez acreditar.


15/09/2006


terça-feira, 19 de março de 2013

LUIS MURAT


LUÍS MURAT
(1861 - 1929)
 
 
Luís Norton Barreto Murat, filho do Dr. Tomás Norton Murat e Antonia Barreto Norton Murat, nasceu em Itaguaí, Rio de Janeiro, em 14 de maio de 1861.
Após concluir os estudos básicos no Imperial Colégio Pedro II, segue para São Paulo e matricula-se no Curso de Ciências Jurídicas e Sociais da Faculdade de Direito, bacharelando-se em 17 de março de 1886. Sua estréia literária deu-se em São Paulo (1879), no  "Ensaio Literário", órgão do clube literário Curso Anexo, redigido por ele e outros colegas. Mudou-se para o Rio de Janeiro, abraçou o jornalismo, e seus artigos captavam as atenções gerais.




Publicou seu primeiro livro de poesias, Quatro Poemas, em 1885. Fundou o jornal Vida Moderna (1886 à 1887) com Artur Azevedo, no qual colaboravam Araripe Junior, Xisto Bahia, Coelho Neto, Alcino Guanabara, Guimarães Passos, Raul Pompéia entre outros. Depois colaborou  na Cidade Rio, de José do Patrocínio, em A Rua, com Olavo Bilac e Raul Pompéia, além de outros jornais cariocas. Escrevia também sob pseudônimo de 'Franklin'. Jornalista combativo, empenhou-se a fundo nas campanhas da Abolição e pelo advento da República.
Em janeiro de 1890, publicou o poema dramático "A Última Noite de Tiradentes", em folhetim, na Gazeta de Notícias. Nesse ano foi eleito deputado pelo Estado do Rio e atravessou várias legislaturas. Foi Secretário Geral do governo fluminense e escrivão vitalício da provedoria da então Capital Federal. Insurgiu-se contra Floriano Peixoto, recebendo ordem de prisão, mas as imunidades parlamentares o salvaram. Foi, então, para o jornal O Combate e atacou violentamente o presidente.
Na revolta da Marinha, em setembro de 1893, redigia o jornal que publicou o manifesto do Almirante Custódio José de Melo. Esteve com os revoltosos da esquadra, mas deixou-se prender quando sentiu desvirtuado o intuito da revolução. Foi julgado e absolvido por unanimidade no Paraná.
Autor de poesia romântica, liga-se acidentalmente à geração parnasiana, meio difuso e pouco claro em suas manifestações como poeta. Sofreu influências dos românticos Victor Hugo e Théophile Gautier, que se evidenciaram na tendência para as imagens fulgurantes e para a exalação verbal e dos poetas nórdicos, ao expressar certas notas profundas , obscuridades e uma atmosfera de espiritismo. 
Luís Murat foi um poeta culto e investigador, fez a poesia sem parecer preocupado em afiliar-se a uma escola, fundador da cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras, que tem como patrono Adelino Fontoura.
Luís Murat faleceu no Rio de Janeiro, em 3 de julho de 1929. Em sua sucessão hoje é apenas conhecida em seu sobrinho neto, também escritor, político e jurista, Raphael Murat.
 
 
O PODER DAS LÁGRIMAS
 
Com que saudade para o céu não olhas,
Vendo de nuvens todo o céu coberto,
E engastadas de pérolas as folhas
E o coração das árvores deserto.
 
Como uma grande rosa, a alma desfolhas
Dentro do seio, inteiramente aberto,
E esses restos de flor passando molhas
N'água do arroio que coleia perto.
 
Molha-as, sim, nesta linfa algente e casta !
Que uma só gota cristalina basta
Para o calor em chuva ir transformando.
 
Hás de ficar com os olhos rasos d'água,
A dor há de acalmar que a própria mágoa
Tem dó de ver uma mulher chorando.


Fontes de Pesquisa:
 


Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)
 

domingo, 3 de março de 2013

ZzCouto






Num tempo vestido de esperança, a menina Maria José S.R.Couto floriu para a vida, e como semente de alegria em terra fértil cresceu, viveu a estação criança, adolescente e em noite de lua crescente acordou mulher sonhadora e sensível às belezas da vida, aquarelas perfeitas que Deus nos oferta todos os dias. Ela reside na bela Niterói, cidade onde diz amar viver. Chegou à Internet  em 2004 com suas formatações em slides (PPS) e assinando seus belos trabalhos de arte como ZzCouto, e assim tornou-se conhecida e reconhecida incentivadora da poesia. 

No ano de 2006 criou o site http://www.zezecoutoslides.com/ que diz ser "a menina dos seus olhos", lá é morada de todos os slides por ela formatados e os poemas que escreve, sim ela é poeta! Penso que se nasce poeta, mesmo que não se tenha conhecimento disso, mas um dia, assim do nada a inspiração não mais quer ficar dentro da gente e qual pipa volitando no ar, abre a alma, clareia o olhar para a estesia do ser e rompe as correntes... Livre afinal, nunca mais nos abandona. Foi em 2008 com ZzCouto, o que estava oculto jorrou livres nascentes de emoção e sentimentos que precisavam escrever sua história na virgem folha branca de papel. Nesse mesmo ano criou seu próprio grupo, o Grupo ZzCoutoSlides. Amante da arte e das cores que exprimem a magistral coreografia da existência terrena nossa poeta é Artista Plástica, agraciada com premiações nas várias exposições que participou, gosta de teatro, da música, de livros e de um bom filme, não tendo preferências por autores ou atores. Com respeito à sua religiosidade, segue o Catolicismo com grande respeito a todas as crenças cuja fé leve orações  a um só Pai: DEUS!

Em sua maneira simples de ser, onde o ter não é fundamental para ser feliz, ela segue a estrada traçada lutando e conquistando seus ideais, não tem pressa... 
Vai observando e admirando a paisagem que encanta a alma poeta, aquela sem véus, onde o oculto revela um tempo de luz, paz e harmonia. Assim é ZzCouto!



Segue links onde se pode admirar a arte da a artista poeta!



Voar e Sonhar!


ZzCouto




Um dia eu fui sonho 
e construí meus castelos à beira mar...
Desabrochei para a vida e, 
impulsionada pela brisa, 
sem asas, pus-me a voar...

Galopava o destino, 
vagando ondas, sem fim... 
Quando me procurei em desatino,
deixando-me o coração em pedaços,
estava longe de mim...

Eu que punha todo o desejo
de conquistas, que me envolviam e me 
faziam levitar, tão sutilmente...
Me levaram ao êxtase, 
ao flutuar...

Do meu ser emana a magia,
que de um só golpe
amordaça minhas energias e
que desnuda todo o 
meu eu...

E no meu reino de fantasias,
todas as cores eram soberanas...
Me confundiram atirando-me 
num picadeiro e, cega por instantes, 
não tive como me equilibrar.

Então eu chorei...
E se apesar do pranto, a sós, fiquei...
Busquei no voo o teu recado e 
cobriram-me com implume silêncio.
Triste, sem voo e sonhos... 
Desfaleci!

13/01/09
Anna Peralva

Trabalho de arte: Marilda Ternura  

JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS


JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS
( 1893 - 1970 )
 
 
 
 
Almada Negreiros nasceu em S. Tomé e Príncipe, filho do tenente de cavalaria Antônio Lobo de Almada Negreiros, administrador do Conselho de S. Tomé e de Elvira Sobral.
Foi educado no Colégio de Campolide -  dos Jesuitas -  e, mais tarde, devido a extinção do Colégio (1910), no Liceu de Coimbra. Em 1911 ingressou na Escola Internacional de Lisboa, com um ensino mais moderno, onde lhe proporcionaram um espaço para expandir sua arte. Publica o primeiro desenho " A Sátira ".
Terminados os estudos no Liceu Campolide, no Liceu de Coimbra e na Escola Normal (1912), entregou-se a uma intensa atividade artística e literária que visava colocar Portugal ao nível de outras nações européias. Pertenceu ao grupo Orpheu (1915), estudou pintura em Paris (1919-1920), viveu na Espanha de 1927 a 1932, em trabalhos de artes plásticas.
 
Engajou-se em todos os principais movimentos de vanguarda e procurou desde cedo divulgá-las nos meios culturais portuguêses. Para tanto, desdobrou-se em poeta, pintor, desenhista, romancista, teatrólogo, conferencista, crítico de arte, num afã de totalidade e divertificação que não oculta o sopro genial da visão do mundo e dos homens.
De sua atividade como escritor, sobressai a colaboração nas revistas Orpheu (1915), Portugal Futurista (1917),  Athena, Contemporânea e Sudoeste, bem como em seu romance "Nome de Guerra", considerado um dos romances fundamentais do século XX, e a obra poética "A Invenção do Dia Claro". Escreveu também artigos diversos em jornais e revistas, enquanto ensaísta e crítico. É, porém, sua atuação na pintura o que mais se destaca em sua produção artística, embora tenha igualmente executado vitrais, mosaicos e tapeçarias, entre outras artes plásticas. Expôs pela primeira vez em 1912 e sua obra evoluiu na segunda e na terceira décadas do século, contribuindo para a formação e para o desenvolvimento do modernismo em Portugal. Realçamos seus murais na gare marítima de Lisboa, os trabalhos para a Igreja Nossa Senhora de Fátima e o célebre retrato de Fernando Pessoa.
Como escritor, publicou peças de teatro - "Antes de Começar", 1919; "Pierrot e Arlequim", 1924, que pintou o estudo cênico.

Depois, "Deseja-se Mulher", 1928 - os poemas "Menino de Olhos Gigantes", 1921; "A Cena de Ódio" (escrito em 1915 durante a Revolução de Maio, contra a ditadura de Pimenta Castro que consiste numa descrição violenta do Portugal da época, em que exprime uma dialética de amor e ódio que seria a tônica dominante das relações do artista com a pátria).

"As Quatro Manhãs" (1935) e "Começar" (1969) e uma série de textos de crítica e polêmica, dispersos pelas publicações que colaborava. Dentre estes, destacam-se "Manifesto Anti Dantas" (1915); "Ultimatum Futurista às Gerações Portuguêsas" (1917) e "A Invenção do Dia Claro" (1921), conferência sob a forma de poema.
Sua obra representa uma síntese, única na sua geração, das tendências modernistas e futuristas de então, não apenas por, como artista, ser multifacetado, mas também pela sua capacidade de fusão e conjugação, nas letras e na pintura, das vertentes plástica, gráfica e poética.
Almada Negreiros faleceu em Lisboa, dia 15 de junho de 1970.

Em 1970 e 1988, foram publicadas duas edições de "Obras Completas de Almada Negreiros", comemorando a última o centenário do autor.



CANÇÃO DA SAUDADE
 
Se eu fosse cego amava toda a gente.
Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor.
Eu amo a minha irmã gêmea que nasceu sem vida,
e amo-a a fantasia-la viva na minha idade.
 
Tu, meu amor, que nome é o teu?
Dize onde vives, dize onde moras,
dize se vives ou se já nasceste.
 
Eu amo aquela mão branca dependurada
da murada da galé, que partia em busca
de outras galés perdidas em mares longíssimos.
 
Eu amo um sorriso que julgo ter visto
em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.
 
Eu amo aquelas mulheres formosas
que indiferentes passaram a meu lado
e nunca mais os meus olhos pararam nelas.
 
Eu amo os cemitérios - as lágens são espessas vidraças
transparentes, e eu vejo deitadas em leitos floridos virgens
nuas, mulheres belas rindo-se para mim.
 
Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas
das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres
que vivem em meus sonhos. Eu amo a lua do lado que eu nunca vi.
 
Se eu fosse cego, amava toda a gente.
 
(in 'Frisos - Revista Orpheu nº 1)
 

Fontes de pesquisa:
 

Trabalho de Pesquisa Eliana Ellinger
 

ROBERTO PIVA


ROBERTO PIVA
(1937 - 2010)


Roberto Piva é um dos maiores nomes da poesia contemporânea no Brasil.
Sua história pessoal começa e gira em torno da cidade de São Paulo, onde nasceu, cresceu e formou-se entre a capital e as antigas fazendas do pai, no interior do Estado de São Paulo. Seus primeiros poemas foram publicados em 1961, quando tinha 23 anos. Nessa mesma época, integrou a famosa Antologia dos Novíssimos, de Massao Ohno, na qual se lançaram vários poetas brasileiros iniciantes, que depois desenvolveram uma obra poética de importância. Piva formou-se em sociologia. Sobreviveu em grande parte como professor de estudos sociais e história. Em suas aulas aos adolescentes do segundo grau, costumava trabalhar as matérias a partir de poemas que os fazia ler e interpretar. Foi um professor de muito sucesso, com rara vocação como pedagogo. Nos anos de 1970, tornou-se produtor de shows de rock.

Em 1976 Piva foi incluido na antologia 26 Poetas Hoje, de Heloísa Buarque de Holanda. Em 2005 a Editora Globo deu início à publicação das obras reunidas do poeta.
A poesia de Piva também é conhecida por uma forte presença de homoerotismo. Frequentemente é classificado como um "poeta maldito" e, de fato, sua poesia evoca muitos poetas que são tradicionalmente considerados malditos, citando-os nominalmete grande parte das vezes. É o caso de Álvares de Azevedo, Antonin Artaud, Arthur Rimbaub, Marquês de Sade, Pier Paolo Pasolini, entre outros. Jorge de Lima também está presente na dicção de Piva, que dedicou a ele o poema "Jorge de Lima, Panfletário do Caos", do livro Paranóia.

Há ainda a influência de Murilo Mendes sobre ele em seus versos "Murilo Mendes tuas poesias são os sapatos de abóboras que eu calço nesses dias de verão". O ponto de ligação que há entre os dois é o tom surrealista que ambos assumem em seus poemas.
Os livros de Roberto Piva seriam reunidos em três volumes, publicados pela Editora Globo e editados por Alcir Pécora: Um estrangeiro na legião (2005), Mala na mão & asas pretas (2006) e estranhos sinais de Saturno (2008)

Assim, já no contexto das escolas literárias, as obras de Piva evocam experiências do Romantismo, Simbolismo, Surealismo e da Geração Beat. Figura ao lado de Claudio Willer e Sérgio Lima como um dos únicos poetas brasileiros resenhados pela revista La Bréche. Poetas mais canônicos, como Fernando Pessoa, Garcia Lorca e Walt Whitman também influenciaram o poeta. Em seus livros mais recentes, é grande a presença do xamanismo.
Seu último livro - Ciclones - tem todo vigor da adolescência. Nos seus momentos mais fracos, corresponde a uma idealização desejo sexual puro e simples: "O garoto/e seu cú em flor/adorno de um deus/deslumbrando o caos"

Roberto Piva faleceu em São Paulo, em 2010, aos 72 anos de idade, com falência múltipla dos órgãos decorrente de insuficiência renal. Um câncer na próstata o havia levado ao Hospital das Clínicas, onde estava internado desde maio e o câncer atingiu os ossos.


POEMA VERTIGEM

Eu sou a viagem de ácido 

nos barcos da noite 
Eu sou o garoto que se masturba 
na montanha 
Eu sou o tecno pagão 
Eu sou o Reich, Ferenczi & Jung 
Eu sou o Eterno Retorno 
Eu sou o espaço cibernético 
Eu sou a floresta virgem 
das garotas convulsivas 
Eu sou o disco-voador tatuado 
Eu sou o garoto e a garota 
Casa Grande & Senzala 
Eu sou a orgia com o 
garoto loiro e sua namorada 
de vagina colorida 
(ele vestia a calcinha dela 
& dançava feito Shiva 
no meu corpo) 
Eu sou o nômade de Orgônio 
Eu sou a Ilha de Veludo 
Eu sou a Invenção de Orfeu 
Eu sou os olhos pescadores 
Eu sou o Tambor do Xamã 
(& o Xamã coberto 
de peles e andrógino) 
Eu sou o beijo de Urânio 
de Al Capone 
Eu sou uma metralhadora em 
estado de graça 
Eu sou a pomba-gira do Absoluto.


CEGOS

Vocês estão cegos graças ao temor,
olhares mortos sugando-me o sangue,
não serei vossa sobremesa nessa curta
temporada no inferno.
Eu quero que seus rostos cantem,
eu quero que seus corações explodam
em línguas de fogo,
meu silêncio é um galope de búfalos,
meu amor cometa nômade
de riso abominável.
Façam seus orifícios cantarem o hino
à estrela da manhã,
torres e cabanas onde foi fechado
o arco-íris.
Eu abandonei o passado, a esperança,
a memória, o vazio da década 70,
sou um navio lançado ao
alto-mar das futuras
combinações.
(Do seu livro '20 poemas com Brócoli,1981 - Massao Oho-Roswitha)




Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger

sábado, 16 de fevereiro de 2013



NARCISA AMÁLIA DE CAMPOS
(1852 - 1924)


Narcisa Amália de Campos, nasceu em 3 de abril de 1852 em São João da Barra, norte do Rio de Janeiro. Filha do poeta Jácome de Campos e da professora primária Narcisa Inácia de Campos.
Aos 11 anos muda-se com a família para Resende e aos 14 anos casa-se com João Batista da Silveira, artista ambulante de vida irregular, de quem se separa alguns anos mais tarde.
Aos 20 anos, escreve "Nebulosas", poemas de exaltação à natureza, à pátria e de lembranças da infância da "jovem e bela poetisa", como definiu Machado de Assis.
Em 1880, aos 28 anos, casa-se pela segunda vez com Francisco Cleto da Rocha, também chamado Rocha Padeiro, dono da "Padaria das Famílias", em Resende. Nos primeiros anos do matrimônio, ajuda o marido, mas continua a receber em seus saraus os amigos literatos, como Raimundo Correia, Luiz Murat, Alfredo Sodré e inclusive o Imperador Dom Pedro II que, em sua passagem à Resende, vai visitar "a sublime padeira", por estar ansioso "por lhe provar...o pão espiritual" embora seja ela a poetisa fervorosa republicana e abolicionista.
Seu casamento com o padeiro também não dura muito, com a separação é obrigada a deixar Resende, cidade que considerava sua terra, pressionada por campanha maledicente promovida pelo marido enciumado.
Muda-se para a Capital e didica-se ao magistério. Em 13 de outubro de 1884, funda um pequeno Jornal Quinzenal, "O Gazetinha", suplemento do Tymburitá que tinha como subtítulo, "folha dedicada ao belo sexo".
Narcisa Amália foi a primeira mulher no Brasil a se profissionalizar como jornalista, alcançando projeção em todo o país com artigos em favor da Abolição da Escravatura, defensora da mulher e dos oprimidos em geral.
Narcisa faleceu aos 72 anos, pobre, cega e paralítica, sendo seu corpo sepultado no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
Antes de sua morte, deixou um apelo:
"Eu diria à mulher inteligente, molha a pena no sangue do teu coração e insufla nas tuas criações a alma enamorada que te anima. Assim, deixarás como vestígio a ressonância em todos os sentidos".


POR QUE SOU FORTE
Dedicada à Ezequiel Freire

Dirás que é falso. Não. É certo. Desço
Ao fundo d'alma toda vez que hesito...
Cada vez que uma lágrima ou que um grito
Trai-me a angústia - ao sentir que desfaleço...
E toda assombro, toda amor, confesso,
O limiar desse país bendito
Cruzo: aguardam-me as festas do infinito!
O horror da vida, deslumbrada, esqueço!
É que há dentro vales, céus, alturas,
Que o olhar do mundo não macula, a terna
Lua, flores, queridas criaturas,
E soa em cada moita, em cada gruta,
A sinfonia da paixão eterna!...
E eis-me de novo forte para a luta.

Resende, 07.09.1886

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PERFIL DE ESCRAVA

Quando os olhos entreabro à luz que avança,
Batendo a sombra e pérfida indolência,
Vejo além da discreta transparência
Do alvo cortinando uma criança.

Pupila de gazela - viva e mansa,
Com sereno temor colhendo a ardência
Fronte imersa em palor...Rir de inocência,
Rir que trai ora angústia, ora esperança...

Eis o esboço fugaz da estátua viva,
Que - de braços em cruz - na sombra avulta
Silenciosa, atenta, pensativa!

Estátua? Não, que essa cadeia estulta
Há de quebrar-se, mísera, cativa,
Este afeto de mãe, que a dona oculta!


 Fontes de pesquisa:
Arte Eliana Ellinger



REYNALDO JARDIM

REYNALDO JARDIM
(1926 - 2011)

Filho de um militar negro, Joaquim da Silva Silveira e de uma descendente de espanhola, Edina Jardim Silveira, Reynaldo nasceu dia 13 de dezembro de 1926, em uma família de quatro filhos. Seus pais esforçaram-se muito para faze-los estudarem no Liceu, escola tradicional, mas Reynaldo só pode estudar jornalismo porque conseguiu uma bolsa em uma das turmas de comunicação da PUC de São Paulo.
Formando, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se casou com Edelvaz, que lhe deu dois filhos, Joaquim e Teresa. Foi redator das revistas O Cruzeiro e Manchete. No Rio, exerceu cargos de chefia na Rádio Clube do Brasil, na Rádio Mauá, na Rádio Globo, na Rádio Nacional e, em São Paulo, na Rádio Excelsior. Participou, nos anos 50, da reforma do Jornal do Brasil, criando o Caderno de Domingo, o Caderno B e o Suplemento Dominical. Em 1964, obrigado a deixar o Jornal do Brasil, devido ao golpe militar, Reynaldo Jardim foi assumir a diretoria da revista Senhor  e do telejornalismo da recém-inaugurada TV Globo. Em 1967, criou o jornal-escola O Sol. Em 1968, manteve um quadro diário no Jornal de Vanguarda, exibido pela TV Rio, no qual comentava em versos, ao vivo, um acontecimento do dia.
Realizou reformas gráfico-editoriais em jornais  A Crítica (Manaus), Gazeta do Povo (Curitiba), Jornal de Brasília e Diário da Manhã (Goiânia).
Viúvo do primeiro casamento, casou-se com a jornalista Elaina Maria Daher, com quem teve três filhos, Rafael, Gabriel e Micael. Em 1998 mudou-se com a família para Brasília e lá foi editor do caderno Aparte do Correio Brasiliense, diretor da Fundação Cultural de Brasília, assessor do Ministério da Justiça e assessor cultural do governo do Distrito Federal.
Reynaldo Jardim manteve coluna diária de poesia de 2004 a 2006 no Caderno B do Jornal do Brasil.
 Foi homenageado Cidadão Honorário de Brasília no Teatro Nacional. Ganhou um prêmio Jabuti na categoria poesia em 2010, com seu livro Sangradas Escrituras. A obra, de 1.200 páginas, resume 64 anos de carreira. Em 2011, foi relançado seu livro Maria Bethânia Guerreira Guerrilha, ocasião na qual houve homenagem e declamação de seus poemas pela cantora.  
Também foi homenageado na Biblioteca Demonstrativa de Brasília, órgão do qual foi editor. 
Faleceu aos 84 anos, de complicações causadas por aneurisma na aota abdominal, deixando a esposa, quatro filhos, dez netos e um bisneto.



SONETO TRAVADO

O que será que ela me ama,
se a imprudência da ternura,
o quando vou, a volta escura,
esse parir quando me chama?
O que terá que assim me odeia,
por que se faz de alegre e raiva,
sendo a distância que desmais,
por que me arranha em sua teia?
O que faria se me esquece
e já me fere da esquivança,
senão me erra o que padece:
A manhã cedo em cada prece,
a fúria azul dessa lembrança,
o calendário que enlouquece.

Fontes de pesquisa:

Trabalho de Pesquisa  Eliane Ellinger