Este blog tem por finalidade, homenagear consagrados poetas e escritores e, os notáveis poetas da internet.
A todos nosso carinho e admiração.

Clube de Poetas









quarta-feira, 22 de junho de 2011

CLARICE LISPECTOR





CLARICE LISPECTOR
(1920 - 1977)

Quando seus pais viajavam para o Brasil, como imigrantes vindos da Ucrânia, Clarice Lispector nasceu no navio. Chegou a Maceió com dois meses de idade, com seus pais e duas irmãs. Em 1924 a família mudou-se para o Recife, e Clarice passou a frequentar o grupo escolar João Barbalho. Aos oito anos, perdeu a mãe. Três anos depois, transferiu-se com seu pai e suas irmãs para o Rio de Janeiro.

Em 1939 Clarice Lispector ingressou na Faculdade de Direito, formando-se em 1943. Trabalhou como redatora para a Agência Nacional e como jornalista no jornal "A Noite". Casou-se em 1943 com o diplomata Maury Gurgel Valente, com quem viveria muitos anos fora do Brasil. O casal teve dois filhos, Pedro e Paulo, este último afilhado do escritor Érico Veríssimo.

Seu primeiro romance foi publicado em 1944, "Perto do Coração Selvagem". No ano seguinte a escritora ganhou o Prêmio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras. Dois anos depois publicou "O Lustre".

Em 1954 saiu a primeira edição francesa de "Perto do Coração Selvagem", com capa ilustrada por Henri Matisse. Em 1956, Clarice Lispector escreveu o romance "A Maçã no Escuro" e começou a colaborar com a Revista Senhor, publicando contos.

Separada de seu marido, radicou-se no Rio de Janeiro. Em 1960 publicou seu primeiro livro de contos, "Laços de Família", seguido de "A Legião Estrangeira" e de "A Paixão Segundo G. H.", considerado um marco na literatura brasileira.

Em 1967 Clarice Lispector feriu-se gravemente num incêndio em sua casa, provocado por um cigarro. Sua carreira literária prosseguiu com os contos infantis de "A Mulher que matou os Peixes", "Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres" e "Felicidade Clandestina".

Nos anos 1970 Clarice Lispector ainda publicou "Água Viva", "A Imitação da Rosa", "Via Crucis do Corpo" e "Onde Estivestes de Noite?". Reconhecida pelo público e pela crítica, em 1976 recebeu o prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal, pelo conjunto de sua obra.

No ano seguinte publicou "A Hora da Estrela", seu ultimo romance, que foi adpatado para o cinema, em 1985.

Clarice Lispector morreu de câncer, na véspera de seu aniversário de 57 anos.



TUDO É O OLHAR

"Leia o texto abaixo e depois leia de baixo para cima"

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...


Fontes de pesquisa:
http://www.educacao.uol.com.br
http://www.opensador.com.br

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)

CECÍLIA MEIRELES


CECÍLIA MEIRELES
(1901 - 1964)


Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil S.A., e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Foi a única sobrevivente dos quatros filhos do casal. O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos. Criou-a, a partir de então, sua avó D. Jacinta Garcia Benevides.
Conclui seus primeiros estudos — curso primário — em 1910, na Escola Estácio de Sá, ocasião em que recebe de Olavo Bilac, Inspetor Escolar do Rio de Janeiro, medalha de ouro por ter feito todo o curso com "distinção e louvor". Diplomando-se no Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, em 1917, passa a exercer o magistério primário em escolas oficiais do antigo Distrito Federal.

Dois anos depois, em 1919, publica seu primeiro livro de poesias, "Espectro". Seguiram-se "Nunca mais... e Poema dos Poemas", em 1923, e "Baladas para El-Rei, em 1925.

Casa-se, em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, com quem tem três filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, esta última artista teatral consagrada. Suas filhas lhe dão cinco netos.

Publica, em Lisboa - Portugal, o ensaio "O Espírito Vitorioso", uma apologia do Simbolismo.

Correia Dias suicida-se em 1935. Cecília casa-se, em 1940, com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

De 1930 a 1931, mantém no Diário de Notícias uma página diária sobre problemas de educação.

Em 1934, organiza a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, ao dirigir o Centro Infantil, que funcionou durante quatro anos no antigo Pavilhão Mourisco, no bairro de Botafogo.

De 1935 a 1938, leciona Literatura Luso-Brasileira e de Técnica e Crítica Literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ).

Publica, em Lisboa - Portugal, o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria.

Colabora ainda ativamente, de 1936 a 1938, no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico.

A concessão do Prêmio de Poesia Olavo Bilac, pela Academia Brasileira de Letras, ao seu livro Viagem, em 1939, resultou de animados debates, que tornaram manifesta a alta qualidade de sua poesia.

Publica, em 1939/1940, em Lisboa - Portugal, em capítulos, "Olhinhos de Gato" na revista "Ocidente".

Em 1940, leciona Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas (USA).

Em 1942, torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro (RJ).

Aposenta-se em 1951 como diretora de escola, porém continua a trabalhar, como produtora e redatora de programas culturais, na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro (RJ).

Em 1952, torna-se Oficial da Ordem de Mérito do Chile, honraria concedida pelo país vizinho.

Realiza numerosas viagens aos Estados Unidos, à Europa, à Ásia e à África, fazendo conferências, em diferentes países, sobre Literatura, Educação e Folclore, em cujos estudos se especializou.

Torna-se sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, em Goa, Índia, em 1953.

Em Délhi, Índia, no ano de 1953, é agraciada com o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Délhi.

Recebe o Prêmio de Tradução/Teatro, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1962.

No ano seguinte, ganha o Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro "Poemas de Israel", concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

Seu nome é dado à Escola Municipal de Primeiro Grau, no bairro de Cangaíba, São Paulo (SP), em 1963. Em 1964, é inaugurada a Biblioteca Cecília Meireles em Valparaiso, Chile.

Falece no Rio de Janeiro a 9 de novembro de 1964, sendo-lhe prestadas grandes homenagens públicas. Seu corpo é velado no Ministério da Educação e Cultura. Recebe, ainda em 1964, o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro "Solombra", concedido pela Câmara Brasileira do Livro.
Em 1965, é agraciada com o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra, concedido pela Academia Brasileira de Letras. O Governo do então Estado da Guanabara denomina Sala Cecília Meireles o grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro. Em São Paulo (SP), torna-se nome de rua no Jardim Japão.

Em 1974, seu nome é dado a uma Escola Municipal de Educação Infantil, no Jardim Nove de Julho, bairro de São Mateus, em São Paulo (SP).

Uma cédula de cem cruzados novos, com a efígie de Cecília Meireles, é lançada pelo Banco Central do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ), em 1989.

Em 1991, o nome da escritora é dado à Biblioteca Infanto-Juvenil no bairro Alto da Lapa, em São Paulo (SP).

O governo federal, por decreto, instituiu o ano de 2001 como "O Ano da Literatura Brasileira", em comemoração ao sesquicentenário de nascimento do escritor Silvio Romero e ao centenário de nascimento de Cecília Meireles, Murilo Mendes e José Lins do Rego.

Há uma rua com o seu nome em São Domingos de Benfica, uma freguesia da cidade de Lisboa. Na cidade de Ponta Delgada, capital do arquipélago dos Açores, há uma avenida com o nome da escritora, que era neta de açorianos.

Traduziu peças teatrais de Federico Garcia Lorca, Rabindranath Tagore, Rainer Rilke e Virginia Wolf.

Sua poesia, traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindu e urdu, e musicada por Alceu Bocchino, Luis Cosme, Letícia Figueiredo, Ênio Freitas, Camargo Guarnieri, Francisco Mingnone, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer, Ernest Widma e Fagner, foi assim julgada pelo crítico Paulo Rónai:

"Considero o lirismo de Cecília Meireles o mais elevado da moderna poesia de língua portuguesa. Nenhum outro poeta iguala o seu desprendimento, a sua fluidez, o seu poder transfigurador, a sua simplicidade e seu preciosismo, porque Cecília, só ela, se acerca da nossa poesia primitiva e do nosso lirismo espontâneo...A poesia de Cecília Meireles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea"


O Amor...

É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os
fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!

** ** **

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?


Fontes de pesquisa:
http://www.releituras.com.br
http://pensador.uol.com.br

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

MERCILIA RODRIGUES


Mercília Rodrigues nasceu no mês de junho em Monte Alto (São Paulo). Sendo a pequenina de uma família de cinco filhos cresceu na vila, no campo. Rodeada pela simplicidade das pessoas e o carinho dos seus. Sonhadora, conheceu José casou e com ele teve um casal de filhos. A menina ficou nas lembranças do passado... Nascia uma nova mulher, ave mãe protegendo e educando as crias num ninho de amor e ternura.

Atualmente reside em Araçatuba. Licenciada em Português exerceu o magistério por aproximadamente trinta anos. Hoje se dedica à poesia almejando a ampliação cultural e troca de conhecimento entre amigos. Seus poetas preferidos: Drummond, Fernando Pessoa, Cecília Meirelles e Ferreira Gullar. Mercília é a essência pura da poesia, tem o dom de fazer com a gente embarque em seus versos e voe ao encontro dos seus sonhos... Tal encontro só é possível pelo lirismo poético, pela sensibilidade exposta em seu estilo singular de poetar. Ela conhece profundamente as variações e movimentos de cada palavra, pois escreve com a alma!


Anna Peralva



AMANTE
Mercília Rodrigues


Cubro meu pudor com teu abraço,
em noite de sensatez tão pouca!
Encontro ainda calor no teu abraço...
Sinto teus beijos atrevidos em minha boca.

Meu corpo responde a teu carinho,
no aconchego sedutor de teus cabelos.
Deixo fluir a chama de mansinho,
evoluindo no ardor de teus apelos!

Loucos! Loucos de paixão em desatino!
Param as horas... Silencia o mundo .
Dois corpos enlaçados no carinho
inebriados de prazer profundo.

Somos um no vivido desvario.
Abandono, então todo pudor.
Entrego-me completa, corpo em cio
meu ser que responde ao teu calor!

Arranca de mim esta entrega!
Nada sei, pois a paixão me cega.
Toma-me o corpo que te quer...
Neste momento sou amante, sou mulher!

Trabalho de arte: Marilda Ternura

JOSÉ CARLOS SANTTANA CARDOSO


Em 11 de agosto, na cidade de Santos, litoral paulista nascia José Carlos Santtana
Cardoso. Chegava para a vida regido pelo signo de Leão, que segundo ele se encaixa
perfeitamente no seu modo de ser.Atualmente reside em Desterro, Minas Gerais.
Tomou gosto pela escrita quando no primário, através das redações nas aulas de Português
onde os temas eram livres. De imaginação fértil percebeu que havia um mundo em que tudo
era possível e alçou voo para o Universo das palavras liberando sua sensibilidade em forma
de prosas e poesias. Também é webdesigner, e dos bons! Em seus recantos de sonhos poéticos
abriga o sonhar de poetas amigos.
Como viajante da vida adora conhecer lugares e pessoas de culturas diferentes... Busca assim
aprimorar, diversificar e manter em movimento constante sua inspiração.
No Zé da Roça encontramos uma variedade de poesias matutas e histórias caipiras. Lá tem
também receitinhas da Fazenda com cheirinho de broa de milho e café quentinho para amigos
e vizinhos... É só puxar um banquinho e curtir um lugar especial cheio de dicas legais!
Duvidam? Então confiram em:


Sites do Poetas

http://zedaroca.fateback.com
http://viajantedesonhos.fateback.com/
http://castelodsonhos2.fateback.com


Anna Peralva



NADA SERÁ COMO ANTES...
J.Carlos Santtana Cardoso


Nada será como antes...
Tudo mudou quando regras começou
Nenhuma palavra aberta ,tudo em cerimônia
Em mim em você provocando insônia
Parecemos dois estranhos
Sem carinho sem intimidades
De dias outrora , sinto saudades
Somos apenas dois estranhos no ninho
Sem afinidades sem carinhos...
Medimos palavras,reprimimos desejos
Nem em despedidas trocamos mais beijos
É uma regra de coisas tolhendo o amor
Que nem nossos corpos não sente o sabor
De coisas proibidas caricias sentidas
Quando não se diz o que quer
Fica um vazio entre homem e mulher
Quando não se exprime o sentimento
É como a passagem de um vento
Que carregou de nós esse amor tão sedento.

Trabalho de Arte: Marilda Ternura

COELHO NETO


HENRIQUE MAXIMINIANO COELHO NETO
(1864 - 1934)


Henrique Maximiniano Coelho Neto nasceu na vila de Caxias, interior do Maranhão, filho de Antônio da Fonseca Coelho, português, e Ana Silvestre Coelho, de sangue índio. Tinha seis anos quando seus pais se transferiram para o Rio de Janeiro. Fez os seus preparatórios no Externato do Colégio Pedro II. Tentou o curso de Medicina, logo desistindo. Em 1883 matriculou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, morando na pensão em que vivia Raul Pompéia, que também frequentava a Academia de São Paulo nessa época. Seu espírito irrequieto encontrou ali ótimo ambiente para destemidas expansões, e logo ele se viu envolvido num movimento dos estudantes contra um professor. Antevendo represálias, transferiu-se para a faculdade de Recife, onde completou o primeiro ano de Direito, tendo sido aluno do jurista e poeta Tobias Barreto. Regressando a São Paulo, dedicou-se ardentemente à campanha abolicionista e republicana, atitude que rendeu-lhe novos atritos com o corpo docente da Faculdade do Largo de São Francisco. Em 1885 desistiu, por fim, de suas pretensões jurídicas, e transferiu-se para o Rio de Janeiro.
Fez parte do grupo de boêmios que abrangia figuras da monta de Olavo Bilac, Luis Murat, Guimarães Passos e Paula Ney. A história dessa geração apareceria depois em seus romances A Conquista e Fogo Fátuo, dedicado este ao amigo Francisco de Paula Ney, jornalista e brilhante orador conhecido por sua boemia e seu célebre anedotário. Tornou-se companheiro assíduo de José do Patrocínio, na campanha abolicionista. Ingressou no jornal Gazeta da Tarde, passando depois para a folha Cidade do Rio, onde chegou a exercer o cargo de secretário. Desta época datam seus primeiros volumes publicados.

Em 1890, contraiu matrimônio com Maria Gabriela Brandão, filha do educador Alberto Olympio Brandão. Tiveram 14 filhos.

Foi nomeado para o cargo de secretário do Governo do Estado do Rio de Janeiro e, no ano seguinte, diretor dos Negócios do Estado. Em 1892, foi nomeado professor de Histótia da Arte na Escola Nacional de Belas Artes e, mais tarde, professor de Literatura do Colégio Pedro II. Autor de numerosos livros, artigos, crônicas e folhetins, em 1910, foi nomeado professor de História do Teatro e Literatura Dramática da Escola de Arte Dramática, sendo logo depois diretor do estabelecimento.

Eleito deputado federal pelo Maranhão, em 1909, e reeleito em 1917. Foi também secretário-geral da Liga de Defesa Nacional e membro do Conselho Consultivo do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Além de exercer os cargos públicos, Coelho Neto manteve e multiplicou a sua atividade em revistas e jornais de todos os feitios, no Rio e em outras cidades. Além de assinar trabalhos com seu próprio nome, escrevia sob inúmeros pseudônimos, entre eles Anselmo Ribas, Caliban, Ariel, Amador Santelmo, Blanco Canabarro, Charles Rouget, Democ, N. Puck, Tartarin, Fur-Fur, Manés.

Em 1923, converteu-se ao espiritismo, proferindo um discurso no Salão da Velha Guarda no Rio de Janeiro sobre sua adesão à doutrina espírita.

Cultivou praticamente todos os gêneros literários e foi, por muitos anos, o escritor mais lido do Brasil, tendo, provavelmente a sua maior consagração ao ser nomeado, em votação aberta ao público promovida pela revista O Malho, o "Príncipe dos Prosadores Brasileiros", em 1928. Foi o prosador brasileiro mais lido nas primeiras décadas do século XX, tendo sofrido sua pessoa e sua obra furiosos ataques do Modernismo posterior à Semana de Arte Moderna de 1992, o que provavelmente colaborou no injusto esquecimento que o mercado editorial e os leitores brasileiros tem-lhe reservado. Para o cinema, escreveu o que seria o primeiro filme brasileiro em série, Os mistérios do Rio de Janeiro, do qual só foi terminado e lançado o primeiro episódio.

Coelho Neto foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e de sua extensa obra literária, destacam-se: “A Capital Federal”, “Fruto Proibido”, “O Rei Fantasma”, “Contos Pátrios”, “O Paraíso”, “Mano”, “As Estações”, “Sertão”, “Mistério do Natal”, “Fogo Fatuo” e “A Cidade Maravilhosa”. Também poeta, escreveu um soneto que se tornaria famoso: “Ser Mãe”; Coelho Neto é o exemplo de fidelidade e dedicação às letras.


SER MÃE

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração! Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.

Ser mãe é ser um anjo que se libra
sobre um berço dormindo! É ser anseio,
é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra!


Todo o bem que a mãe goza é bem do filho,
espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!

Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso!


Fontes de Pesquisa:
http://www.pt.wikipedia.org
www.educação.uol.com.br

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)

JOAQUIM DE SOUZA ANDRADE

Joaquim de Souza Andrade
(1833 - 1902)


Joaquim de Sousa Andrade, ou Sousândrade, escritor e poeta brasileiro, nasceu em Vila Guimarães, MA. De família abandonada, viajou muito desde jovem, percorrendo inúmeros países europeus.
Formou-se em Letras pela Sorbonne, em Paris, onde fez também o curso de engenharia de minas. Republicano convicto e militante, transfere-se, em 1870, para os Estados Unidos.
Publicou seu primeiro livro de poesia, Harpas Selvagens, em 1857. Viajou por vários países até fixar-se nos Estados Unidos em 1871, onde publicou a obra poética O Guesa, em que utiliza recursos expressivos, como a criação de neologismos e de metáforas vertiginosas, que só foram valorizados muito depois de sua morte, sucessivamente ampliada e corrigida nos anos seguintes. No período de 1871 a 1879 foi secretário e colaborador do periódico O Novo Mundo, dirigido por José Carlos Rodrigues em Nova York (EUA).
Retornando ao Maranhão, comemora com entusiasmo a Proclamação de República. Em 1890 foi presidente da Intendência Municipal de São Luís. Realizou a reforma do ensino, fundou escolas mistas e idealizou a bandeira do Estado, garantindo que suas cores representassem todas as raças ou etnias que construíram sua história. Foi candidato a senador, em 1890, mas desistiu antes da eleição. No mesmo ano foi presidente da Comissão de preparação do projeto da Constituição Maranhense.
Morre em São Luís, abandonado, na miséria e considerado louco. Sua obra foi esquecida durante décadas.
Em 1877, escreveu:
"Ouvi dizer já por duas vezes que o Guesa Errante será lido 50 anos depois; entristeci - decepção de quem escreve 50 anos antes".

Sua obra foi resgatada no início da década de 1960, pelos poetas Augusto e Haroldo de Campos, revelou-se uma das mais originais e instigantes de todo o nosso Romantismo. O Livro “ReVisão de Sousândrade”, dos Irmãos Campos é um primor de análise sobre a obra de um dos maiores Poetas da nossa Pátria.



O Guesa / Canto Terceiro


As balseiras na luz resplandeciam —
oh! que formoso dia de verão!
Dragão dos mares, — na asa lhe rugiam
Vagas, no bojo indômito vulcão!
Sombrio, no convés, o Guesa errante
De um para outro lado passeava
Mudo, inquieto, rápido, inconstante,
E em desalinho o manto que trajava.
A fronte mais que nunca aflita, branca
E pálida, os cabelos em desordem,
Qual o que sonhos alta noite espanca,
"Acordem, olhos meus, dizia, acordem!"
E de través, espavorido olhando
Com olhos chamejantes da loucura,
Propendia p'ra as bordas, se alegrando
Ante a espuma que rindo-se murmura:
Sorrindo, qual quem da onda cristalina
Pressentia surgirem louras filhas;
Fitando olhos no sol, que já s'inclina,
E rindo, rindo ao perpassar das ilhas.
— Está ele assombrado?... Porém, certo
Dentro lhe idéia vária tumultua:
Fala de aparições que há no deserto,
Sobre as lagoas ao clarão da lua.


Fontes de Pesquisa:
http://www.revista.agulha.nom.br
http://www.portaldesaofrancisco.com.br

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)

FAGUNDES VARELA

FAGUNDES VARELA
(1841-1875)


Luís Nicolau Fagundes Varela era filho de Emiliano Fagundes Varela e de Emília de Andrade, ambos de famílias fluminenses ricas. Viveu parte da infância numa fazenda, na vila de S. João Marcos (RJ), onde seu pai era juiz.

Depois, devido às transferências do pai, residiu em: Catalão (GO), Angra dos Reis (RJ) e Petrópolis (RJ). Nesta última fez os estudos fundamental e médio.

Matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo (1862), mas não terminou o curso devido ao seu interesse pela literatura. Em 1861, publicou seu primeiro livro de poesias, "Noturnas". Dois anos depois, "O Estandarte Auriverde".

Casou-se com a artista de circo Alice Guilhermina Luande, de Sorocaba (SP), provocando um escândalo na família. A morte de seu primeiro filho, Emiliano, aos três meses de idade, levou-o ao alcoolismo e à boemia, mas o instigou a escrever, inspirando o poema "Cântico do Calvário" (1863). Logo a seguir, publicou "Vozes da América" (1864) e "Cantos e Fantasias" (1865).

Resolveu terminar o curso de Direito em Recife. Enquanto estava em viagem, sua esposa, que ficara em São Paulo, faleceu. Ele retornou à Faculdade do Largo São Francisco (SP) em 1867, e, mais uma vez, abandonou o curso.

Voltou para a fazenda de Rio Claro (RJ). Casou-se pela segunda vez com a prima Maria Belisária de Brito Lambert, com quem teve duas filhas e um filho, este também falecido prematuramente. Em 1870, mudou-se para Niterói, onde viveu até o fim da vida, entre estadas nas fazendas dos parentes e as rodas da boemia intelectual do Rio.

Sempre inquieto e torturado, conseguia refúgio somente junto à natureza, sua velha conhecida. Por esta razão, sua poesia - com fortes características românticas - expõe, em contraste, a contemplação da vida no campo e a vida na cidade, com seus vícios e, consequentemente, o aumento do sofrimento. Revela ainda uma fase de forte espírito religioso. Sua obra inclui: "Cantos Meridionais" (1869), "Cantos do Ermo e da Cidade" (1869), "Anchieta ou Evangelho na Selva" (1875), "Cantos Religiosos" (1878) e "Diário do Lázaro" (1880).



NÉVOAS


Nas horas tardias que a noite desmaia
Que rolam na praia mil vagas azuis,
E a lua cercada de pálida chama
Nos mares derrama seu pranto de luz,

Eu vi entre os flocos de névoas imensas,
Que em grutas extensas se elevam no ar,
Um corpo de fada — sereno, dormindo,
Tranqüila sorrindo num brando sonhar.

Na forma de neve — puríssima e nua —
Um raio da lua de manso batia,
E assim reclinada no túrbido leito
Seu pálido peito de amores tremia.

Oh! filha das névoas! das veigas viçosas,
Das verdes, cheirosas roseiras do céu,
Acaso rolaste tão bela dormindo,
E dormes, sorrindo, das nuvens no véu?

O orvalho das noites congela-te a fronte,
As orlas do monte se escondem nas brumas,
E queda repousas num mar de neblina,
Qual pérola fina no leito de espumas!

Nas nuas espáduas, dos astros dormentes
— Tão frio — não sentes o pranto filtrar?
E as asas, de prata do gênio das noites
Em tíbios açoites a trança agitar?

Ai! vem, que nas nuvens te mata o desejo
De um férvido beijo gozares em vão!...
Os astros sem alma se cansam de olhar-te,
Nem podem amar-te, nem dizem paixão!

E as auras passavam — e as névoas tremiam
— E os gênios corriam — no espaço a cantar,
Mas ela dormia tão pura e divina
Qual pálida ondina nas águas do mar!

Imagem formosa das nuvens da Ilíria,
— Brilhante Valquíria — das brumas do Norte,
Não ouves ao menos do bardo os clamores,
Envolto em vapores — mais fria que a morte!

Oh! vem; vem, minh'alma! teu rosto gelado,
Teu seio molhado de orvalho brilhante,
Eu quero aquecê-los no peito incendido,
— Contar-te ao ouvido paixão delirante!...

Assim eu clamava tristonho e pendido,
Ouvindo o gemido da onda na praia,
Na hora em que fogem as névoas sombrias
– Nas horas tardias que a noite desmaia.

E as brisas da aurora ligeiras corriam.
No leito batiam da fada divina...
Sumiram-se as brumas do vento à bafagem,
E a pálida imagem desfez-se em — neblina!


Fontes de Pesquisa:
www.ig.com.br
www.educacao.uol.com.br

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger(Shir)

domingo, 12 de junho de 2011

IRACEMA ZANETTI


Iracema Zanetti veio ao mundo sob o signo de aquário e São Paulo foi seu palco de estréia... Hoje vive em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Sempre cultivando a essência das palavras, Ceminha fala fluentemente o dialeto da emoção... Seu gosto literário é diversificado. Visita planetas inusitados nas Aventuras, os Romances de amor a levam ao encontro de paixões desenfreadas... Nos Épicos ela se transmuta em Joana D’Arc e, morre de saudade e nostalgia nos Líricos! Ah, mas nas Comédias, ela solta o riso! Seu esporte preferido é o tênis. Ceminha nunca abandonou a menina dentro dela, jeito calmo adora ficar no seu cantinho acolhedor onde viaja nas poesias líricas e profundas que tocam fundo nossas almas. Sonhadora, sempre deixa um pensamento que marcou sua vida: “Não pise em meus sonhos!”... Gosta das flores e diz ser a bondade o melhor dos sentimentos. Seu “eu” em constante calmaria é nascente de luz e, presenteia-nos com sua paz em forma de poesia, onde o amor é sempre tema principal.


Anna Peralva



Minha Vida E Meu Amor
Iracema Zanetti


Dei meu carinho meu amor minha vida
De mim eu tudo dei ao homem que me amava
Sem saber que depois de tanto tempo
Tudo estaria terminado!

As flores dos nossos vasos
Que cuidavamos dia a dia e tanto as amávamos
Foram definhando até não restar mais nada!

Deixaste-me sem me dizer nenhuma palavra
Sem eu saber a razão
Eu pedia aos anjos para me ajudarem
Ao me ouvirem sorriam e me ignoravam!

Aos poucos fui me acostumando
Com sua dolorosa ausência durante o dia
Pois meu jardim eu renovava!

À noite na cama vazia e fria
Eu sentia dor em minha alma
E minhas lágrimas como sempre eu secava!

Fiz-me passar por forte
Porém as lágrimas a qualquer hora
Brotavam sem eu querer
Resolvi terminar com tanta tristeza!

Procurei mudar de vida
E a primeira coisa que fiz foi me ajoelhar e orar
Mal comecei minha oração ouvi fortes batidas na porta
Que interromperam minha doce oração!

Devagar fui atender a quem insistentemente
Não parava de bater na porta e sozinho falar
Ao abrir à porta vi meu amor chorar
Pedindo-me desculpas e o perdoar!

Trabalho de Arte: Marilda Ternura

SYLVIA COHIN


Sylvia Cohin nasceu em Salvador, Bahia. Depois de alguns anos vivendo em Portugal, volta ao Brasil, onde agora reside...

Alma de acentuada sensibilidade, Sylvia sempre se sentiu fascinada pelo ser humano e sua diversidade. Mesmo dedicando-se ao ramo empresarial ela dividia com o tempo a arte de expressar sentimentos.

Conhecedora dos enigmas da vida, uma destemida tecelã que sempre avança, tecendo o hoje para encontrar a magia do amanhã. Portas abertas para o lirismo casto segue uma baiana de talento inigualável rendando poesias que expressam a real essência do
seu “eu”. Emoções transparentes, que de forma despretensiosa voam e instalam-se no coração da gente.
Como diz ela mesma: “A meu ver, quem escreve, descreve e sente.”
Sintam toda a estesia de Sylvia Cohin!


Anna Peralva



Saudade
Sylvia Cohin


Hoje havia uma saudade
fazendo pouco de mim
Daquelas que o peito invade
numa ousadia sem fim...

Me atiçava e se escondia
entre as bordas da memória
Vendo-me aflita, sorria,
com seu ar de grande glória!

Oh tirana, és impiedosa,
trituras meu coração,
Por que insistes, tão teimosa,
em tanta perseguição?

Quero ao menos respirar
na ilusão de que partiste
E já não pairas no ar
com meus ais na mão em riste!

Prometo que te conservo
porque sei que ninguém há-de
Escapar de ser teu servo
pois quem ama, tem saudade!

Na verdade eu te confesso,
não posso viver sem ti
Porque na saudade eu meço,
todo amor que já vivi...

Brasil, 09/08/2009

Trabalho de Arte: Marilda Ternura

RONALDO BUONINCONTRO (NALDO VELHO)


Ronaldo Buonincontro ou NALDOVELHO... “Na manhã que eu nasci chovia tal qual num dilúvio, temporal do bravo! Raios, trovões, muita lama, tudo inundado. E aí a parteira avisou: este bichinho tá encruado!”

Filho de operários, infância pobre, pés descalços, garoto de rua, morou em favela, naquele tempo se chamava morro... Adolescente problema, do tipo desajustado e inquieto caiu na dança da vida bem cedo, curtiu de tudo, ou foi curtido por ela, mariposa querendo a chama da luz... .Quando viu o perigo sondando sua hora, deu uma virada na página até então escrita, buscou um novo aprendizado... Apaziguou o espírito, mudou a rota do caminho e foi em busca de outras verdades.

Espírita convicto exercita suas crenças como um homem de fé.

Trabalhou numa Refinaria e depois foi bancário... A música e a poesia sempre estiveram ao seu lado. Segundo ele: “ POESIA É ATO DE CORAGEM.”

“Grande poeta, estilo próprio e moderno, escreve, como nenhum outro, sobre as mais variadas fases da vida. Expressa-se, com muita sutileza, sobre o amor, desde o fraternal ao carnal, de maneira a não levar ao leitor, constrangimento. Ao contrário, envolve-o no lirismo da paixão!” (Olga Kappati)

Ele é músico, compositor, poeta e artista plástico, com participações em diversas Antologias Poéticas e tem dois livros editados: “MANIA DE COLECIONADOR" e "A DANÇA DO TEMPO".


"Quero quebrar a vidraça,
Arrombar a janela,
Mergulhar sobre a praça,”


Naldo é poeta sonhador... Garboso cavalheiro apaixonado. Romântico, sensível, sua poesia é extremamente musical... Nunca foi de esconder emoções, por isso seus versos seduzem os olhos d'alma dos leitores.


Anna Peralva

Fonte de Pesquisa
Parte de depoimentos e comentários de poetas amigos
http://naldovelho.atspace.com/depoimentos.htm



SÓ TU SABES
NALDOVELHO


Só tu sabes das lágrimas
derramadas em silêncio
por noites bordadas na espera
com a ternura que meus olhos observam
no carinho que tuas mãos revelam;
só tu sabes das mandalas urdidas em segredo
e do perdão que eu não fui capaz de obter.

Só tu sabes como construir abrigos
nos caminhos que contornam perigos,
das rezas que desfazem feitiços,
das águas macias, mistérios,
do resgate de quem se perdeu no abismo,
da colheita feita em horas incertas,
das promessas que eu deixei de cumprir.

Só tu sabes macerar ervas remédios
que desfazem em nós a loucura
e curam feridas que impedem
que possamos desbravar lonjuras,
e apesar das perdas que dilaceram,
só tu sabes fazer do amor
teu rito sagrado, tua Lei.

Eu, decididamente nada sei!

Trabalho de arte: Marilda Ternura

ANTONIA NERY S. VANTI


Antonia Nery S. Vanti (Vyrena) nasceu em Santiago - RS em 16 de fevereiro, atualmente reside em Porto Alegre - RS. É formada em Letras... Romântica e sonhadora começou a escrever poesias quando conheceu o Mundo Virtual... E nele, toda sua timidez se transmuta no lirismo dos doces versos, uma vazante pura de sentimentos contidos n’alma e revela a essência do seu sentir, tal como um vulcão que acorda... Emoções bailam no ar e na leveza da palavra, ela descreve como ninguém o amor como um todo, no tempo perfeito onde sempre é estação de paz e ternura.



Anna Peralva



O homem que eu amo
Antonia Nery Vanti (Vyrena)


O homem que eu amo
sei que não é perfeito
é cheinho de defeitos
Mas, quando aconchegado
a meu peito
é delírio, é emoção,
é fogo que incendeia
corpo, alma e coração

É licor que me embriaga,
que atiça meus desejos.
Faz-me arder de paixão.

Com defeito ou sem defeito
é a ele que me entrego
nos dias de inverno ou verão
É por ele que vivo,
de meu viver, ele é a razão.

Porto Alegre - RS
06/04/2011

Trabalho arte: Marilda Ternura

sábado, 11 de junho de 2011

TARCÍSIO RIBEIRO COSTA


Tarcísio Ribeiro Costa é cearense, da cidade de Ubajara.Em 1982 mudou-se para Brasíliaonde foi chefe de assessoria da Presidência de uma estatal.
Ao se aposentar decidiu escrever sem maiores pretensões... Seu primeiro poema foi “Para Refletir”.

Com o incentivo de amigos decidiu seguir em frente e na poesia encontrou-se exteriorizando sentimentos e emoções que ele pensava estarem adormecidos... No ano de 2004 um sonho realizado, o lançamento do livro "Poesia. Sonhos... Saudades..." e em 2008 um novo livro editado, "O Silêncio dos Luares".

Ninguém melhor do que o poeta para traduzir-se de alma aberta ante seus leitores,
numa biografia-poesia onde o lirismo flui como brisa serena numa tarde quente de verão. Deleitem-se!


Anna Peralva




Quem sou eu?

Contemplo e admiro o templo natureza, com as suas galáxias,
as suas estrelas, os astros e tudo o que neles contêm.

Nós, os seres humanos, somos partes dessa natureza,
embora diferentes dos outros seres porque nos foi legada
inteligência e a liberdade de decidirmos sobre a
nossa vontade com consciência,
o que é denominado de discernimento.

Essa liberdade permite a individualidade de idéias,
cada um tem o seu entendimento, o que faz muitas vezes gerar conflitos.

Para atender à pergunta “Quem eu sou”
prefiro deixar todos esses pormenores de lado
e olhar para o meu interior e refletir
sobre minha relação com esse mundo,
para mim, complexo, mas cheio de encanto.

Vejo que as maiores belezas estão nas pequenas coisas,
afirmo isso porque me enterneço diante da
singeleza de uma flor ou de uma borboleta, como exemplo.

Verifico, também, que facilmente me emociono
e derramo lágrimas e sofro com as minhas saudades.

Lembro os meus momentos de oração que deixam a minha alma enternecida.
Mas permeando tudo isso estão as minhas dúvidas
e as minhas incertezas, isso revela a fragilidade da minha fé.

Afinal, quem sou eu? Acredito que diante
desses desencontros, caberia a resposta: EU SOU UM POETA


TUA AUSÊNCIA
Tarcísio Costa


Quantas vezes eu dormia,
E a tua ausência me acordava.
Eu, pela janela, contemplava o luar,
E via, nos meus sonhos, a tua presença,
Sentia saudades... A lua me fazia sonhar.

Via-te em tudo, sorrindo para mim.
Via-te voando nas nuvens passageiras,
O teu olhar de uma pedinte de carinho
Enternecia as entranhas do amor.
Via-te no céu, entre estrelas...

Sucumbia-me um transe,
Via-me no mundo da inquietude,
Perdia o sentido da realidade...
Aturdido, voltava ao mundo da razão,
Somente encontrava a saudade.

Sonhava que sonhavas comigo,
Era uma mescla de esperança e ilusão,
Ressurgias sobre mim toda sensual,
Sentia-te como estivesses comigo,
Sentia o bater do teu coração.

Foi longo tempo, assim,
Enquanto me maltratou a tua ausência...
Perdeu-se para mim o sentido da razão,
Hoje, ao teu lado, sinto a sensação.
De que o mundo renasceu pra mim.

Não é bom recordar os momentos
Da tua ausência, eram cheios de dor.
Mas, embora me trouxessem sofrimento,
Eles eram a revelação do sentimento
Que nos unia o amor.


Fonte de Pesquisa
http://www.tarcisiocosta.com.br/quemsoueu.htm

Trabalho de Arte: Marilda Ternura

GREGÓRIO DE MATOS

GREGÓRIO DE MATOS
(1636 - 1695)

Gregório nasceu numa família com o poder financeiro alto em comparação a época, empreiteiros de obras e funcionários administrativos (seu pai era português, natural de Guimarães). Legalmente, a nacionalidade de Gregório de Matos era portuguesa, já que o Brasil só se tornaria independente no século XIX.

Em 1642 estudou no Colégui dos Jesuitas, na Bahia . Em 1650 continua os seus estudos em Lisboa e, em 1652, na Universidade de Coimbra onde se forma em Cânones, em 1651. Em 1663 é nomeado Juiz de Fora de Alcácer do Sal, não sem antes atestar que é "puro de sangue", como determinavam as normas jurídicas da época.

Em 27 de janeiro de 1658 teve a função de representar a Bahia nas cortes de Lisboa . Em 1672, o Senado da Câmara da Bahia outorga-lhe o cargo de Procurador. A 20 de janeiro de 1674 é, novamente, representante da Bahia nas cortes. É, contudo, destituído do cargo de Procurador.

Em 1679 foi nomeado pelo Arcebispo Gaspar Barata de Mendonça para Desembargador da Relação Eclesiástica da Bahia. Dom Pedro II, rei de Portugal, nomeia-o em 1682 tesoureiro-mor da Sé, um ano depois de ter tomado ordens menores. Em 1683 volta ao Brasil.

Frontispício de edição de 1775 dos poemas de Gregório de Matos.


O novo arcebispo, frei João da Madre de Deus destitui-o dos seus cargos por não querer usar batina nem aceitar a imposição das ordens maiores, de forma a estar apto para as funções de que o tinham incumbido.

Começa, então, a satirizar os costumes do povo de todas as classes sociais baianas (a que chamava "canalha infernal"). Desenvolve uma poesia corrosiva, erótica (quase ou mesmo pornográfica), apesar de também ter andado por caminhos mais líricos e até sagrados.

Em 1685, o promotor eclesiástico da Bahia denuncia os seus costumes livres ao Tribunal da Inquisição (acusa-o, por exemplo, de difamar Jesus Cristo e de não mostrar reverência, tirando o barrete da cabeça quando passa uma procissão). A acusação não teve seguimento, embora seja condizente com o perfil satírico de Gregório.

Não era exatamente agradável em todas suas relações pois, por exemplo, entregara um poema a uma mulher, dando a entender ser uma espécie de elogio, o título do poema era:"Dona Feia".

Entretanto, as inimizades vão crescendo em relação direta com os poemas que vai concebendo. Em 1694, acusado por vários lados (principalmente por parte do Governador Antônio Luis Gonçalves da Câmara Coutinho e, correndo o risco de ser assassinado, é deportado para Angola.

Como recompensa de ter ajudado o governo local a combater uma conspiração militar, recebe a permissão de voltar ao Brasil, ainda que não possa voltar à Bahia. Morre em Recife, com uma febre contraída em Angola. Porém, minutos antes de morrer, pede que dois padres venham à sua casa e fiquem cada um de um lado de seu corpo, representando a si mesmo como Jesus Cristo, alega "estar morrendo entre dois ladrões, tal como Cristo ao ser crucificado".

SONETO I

(À uma dama dormindo junto a fonte)

À margem de uma fonte que corria,
Lira doce dos pássaros cantores
A bela ocasião das minhas dores
Dormindo estava ao despertar do dia
Mas como dorme Sílvia, não vestia
O céu seus horizontes de mil cores;
Dominava o silêncio entre as flores,
Calava o mar, e rio não se ouvia,
Não dão o parabém à nova Aurora
Flores canoras, pássaros fragrantes,
Nem seu âmbar respira a rica Flora.
Porém abrindo Sílvia os dois diamantes,
Tudo a Sílvia festeja, tudo adora
Aves cheirosas, flores ressonantes.


SONETO II
Continua o poeta em louvor a soledade vituperando a corte)

Ditoso aquele dia, e bem-aventurado,
Que longe, e apartado das demandas,
Não ve nos tribunais as apelandas
Que à vida dão fastio, e dão enfado.

Ditoso, quem povoa o despovoado,
E dormindo o seu sono entre as holandas
Acorda ao doce som, e às vezes brandas
Do tenro passarinho enamorado.

Se estando eu lá na Corte tão seguro
Do néscio impertinente, que porfia,
A deixei por um mal, que era futuro.

Como estaria vendo na Bahia,
Que das cortes do mundo é vil monturo,
O roubo, a injustiça, a tirania?


SONETO III

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.


Fontes de Pesquisa:
http://pt.wikipedia.org
http://www.revista.agulha.com.br

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)

ALPHONSUS DE GUIMARÃES

ALPHONSUS DE GUIMARAENS
(1870 - 1921)


Poeta em que devoção e equilíbrio se dão as mãos desde o início, Alphonsus de Guimaraens foi mestre de um lirismo místico, em que busca e sublima a amada entre o luar e as sombras, o amor e a morte.

Afonso Henriques da Costa Guimarães, nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais, dia 24 de julho de 1870. Estudou engenharia e direito. Apaixonou-se por sua prima Constança, que morreu logo depois. Em São Paulo, colaborou na imprensa e frequentou a Vila Kyrial, de José de Freitas Vale, onde se reuniam os jovens simbolistas. Em 1895, no Rio de Janeiro, conheceu Cruz e Souza. Foi juiz e promotor em Conceição do Serro MG. De seus livros, os três primeiros foram publicados no mesmo ano (1899): Dona Mística, Câmara Ardente e o Setenário das Dores de Nossa Senhora. Foi escrito antes, no entanto, o Kyriale (1902), sua coletânea mais representativa. Seguiram-se Pauvre Lyre e Pastoral aos crentes do amor e da morte (1923). Um dos principais representantes do movimento simbolista no Brasil, sua obra, de influência francesa (Verlaine, Mallarmé -- que traduziu), adquire com frequência acentos arcaizantes e de envolvente conteúdo lírico, uma vez que o exprime num misticismo enraizado no fundo da subjetividade e, desse modo, como uma compulsão do inconsciente. Em ritmo elegíaco e de solene musicalidade, multiplica a imagem da amada: são "Sete damas", são "As onze mil virgens", Ester, Celeste, Nossa Senhora (com quem identifica Constança), ou a célebre "Ismália". Oscila, assim, entre os indícios materiais da morte e a expectativa do sobrenatural, como se toda a sua poesia se fizesse em variações de um mesmo réquiem. Mas a evolução da linguagem é permanente e a tendência a um barroco discreto - de Ouro Preto, Mariana - se flexibiliza, se inova com acentos verlainianos, mallarmaicos, de que brotam imagens muitas vezes ousadas, não longe da invenção surrealista.

Alphonsus de Guimaraens morreu em Mariana, MG, em 15 de julho de 1921.



SONETO

Encontrei-te. Era o mês...Que importa o mês? Agosto,
Setembro, outubro, maio, abril, janeiro ou março,
Brilhasse o luar que importa? ou fosse o sol já posto,
No teu olhar todo o meu sonho andava esparso.

Que saudades do amor na aurora do teu rosto!
Que horizonte de fé, no olhar tranquilo e garço!
Nunca mais me lembrei se era mês de agosto,
Setembro, outubro, abril, maio, janeiro ou março.

Encontrei-te. Depois...depois tudo se some
Desfaz-se o teu olhar em nuvens de ouro e poeira.
Era o dia...Que importa o dia, um simples nome?

Ou sábado sem luz, domingo sem conforto,
Segunda, terça ou quarta, ou quinta ou sexta-feira,
Brilhasse o sol que importa? Ou fosse o luar já morto?


Fontes de Pesquisa:
www.netsaber.com.br
www.mundocultural.com.br

Trabalh de Pesquisa: Eliana Elinger (Shir)

CASSIANO RICARDO

CASSIANO RICARDO
(1895 - 1974)

Cassiano Ricardo Leite, filho de Francisco Leite Machado e Minervina Ricardo Leite, nasceu em São José dos Campos (SP), dia 27 de julho de 1895.
Fez os primeiros estudos na cidade natal. Iniciou o curso de Direito em São Paulo, concluindo-o no Rio, em 1917.

De volta a São Paulo, participou do movimento de reforma literária iniciada na Semana de Arte Moderna (1922). Também fez parte dos grupos nacionalistas "Verde Amarelo" e "Anta", ao lado de Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Raul Bopp, Cândido Mota Filho e outros.

No jornalismo, Cassiano Ricardo trabalhou como redator no "Correio Paulistano", e dirigiu "A Manhã", do Rio de Janeiro. Em 1924, fundou a "Novíssima", revista literária dedicada à causa dos modernistas e ao intercâmbio cultural pan-americano. Também foi o criador das revistas "Planalto" (1930) e "Invenção" (1962).

Em 1937 fundou, com Menotti del Picchia e Mota Filho, a "Bandeira", movimento político que se contrapunha ao Integralismo. Dirigiu, na mesma época, o jornal "O Anhangüera", que defendia a ideologia da Bandeira, condensada na fórmula: "Por uma democracia social brasileira, contra as ideologias dissolventes e exóticas." Também pertenceu ao Conselho Federal de Cultura, à Academia Paulista de Letras e à Academia Brasileira de Letras, eleito para a cadeira 31.

Poeta de caráter lírico-sentimental, em seus primeiros livros, "Dentro da Noite" (1911) e "A Flauta de Pã" (1917), ainda está preso ao Parnasianismo. A partir de "Vamos Caçar Papagaios" (1926) adere ao movimento de 1922, embora ainda não tenha superado a sensibilidade parnasiana.

Sua linguagem incorpora os valores da prosa, com definições e explicações freqüentes, mas sem prejuízo da linguagem poética. Obras mais expressivas: "Borrões de Verde e Amarelo" (1927), "Martim Cererê" (1928) e "Marcha para Oeste" (1940).

Acompanhou de perto as experiências do Concretismo e do Praxismo, movimentos da poesia de vanguarda nas décadas de 50 e 60.

Cassiano Ricardo veio a falecer em 14/01/1974 no Rio de Janeiro.


Fontes de Pesquisa:
http://www.educaca.ouol.com.br
http://www.revista.agulha.nom.br

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)

ÁLVARES DE AZEVEDO


ÁLVARES DE AZEVEDO
(1831-1852)

Manuel Antônio Álvares de Azevedo, filho do doutor Inácio Manuel Álvares de Azevedo e dona Maria Luísa Mota Azevedo, nasceu em São Paulo, 12/09/1831 e veio a falecer no Rio de Janeiro, 25/04/1852.

Passou a infância no Rio de Janeiro, onde iniciou seus estudos. Voltou a São Paulo (1847) para estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde desde logo ganhou fama por brilhantes e precoces produções literárias. Destacou-se pela facilidade de aprender línguas e pelo espírito jovial e sentimental.

Durante o curso de Direito traduziu o quinto ato de Otelo, de Shakespeare e Parisina, de Lord Byron; fundou a revista da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano (1849); fez parte da Sociedade Epicureia e iniciou o poema épico O Conde Lopo, do qual só restaram fragmentos.

Álvares de Azevedo foi extremamente devotado à família, como se pode ver pelo início de um de seus mais célebres poemas:

"Se eu morresse amanhã, viria ao menos / Fechar meus olhos minha triste irmã; / Minha mãe de saudades morreria / Se eu morresse amanhã!"

Pertenceu à chamada segunda geração do Romantismo Brasileiro, influenciada pelo poeta Byron, cuja poesia se caracterizou pelo ultra-romantismo, subjetividade e pessimismo frente à vida.

Em todo o mundo, os integrantes dessa tendência romântica olhavam com desencanto para a vida e consideravam o sentimento do tédio como o "mal do século". Levavam vidas boêmias e desregradas, o que levou grande parte deles a contrair tuberculose.

A morte constitui o tema de grande parte dos poemas de Álvares de Azevedo. O paradoxo é que sendo ele o poeta dos versos sombrios e cinzentos, foi também quem introduziu o humorismo na poesia brasileira, devido à irreverente ironia de alguns dos seus poemas, como o famoso "Namoro a cavalo" ou "A lagartixa" que começa com os seguintes versos:

"A lagartixa ao sol ardente vive/ E fazendo verão o corpo espicha:/ O clarão de teus olhos me dá vida/ Tu és o sol e eu sou a lagartixa".

Outro elemento constante em suas poesias é a mulher, ora apresentada como virgem, bondosa e amada, ora prostituta, ordinária e vadia. Seus poemas também são marcados pelo patriotismo e o saudosismo da infância, além de certo satanismo, ligado à morbidez e à rebeldia dos românticos.

Álvares de Azevedo foi vitimado pela tuberculose aos 21 anos incompletos. Todas suas obras foram publicadas em livro postumamente: os poemas de "Lira dos Vinte Anos", a peça teatral "Macário", e o livro de contos "A Noite na Taverna".

Álvares de Azevedo é o patrono da Cadeira no 2 da Academia Brasileira de Letras.


AMOR

Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu’alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!

Quero em teus lábio beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d’esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minha’alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!



Fontes de Pesquisa:
www.academia.org.br
www.educacao.uol.com.br

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger(Shir)

MENOTTI DEL PICCHIA


MENOTTI DEL PICCHIA
(1892-1961)


Paulo Menotti del Picchia nasceu em São Paulo, em 1892. Fez seus estudos secundários em Pouso Alegre, Minhas Gerais, onde aos 13 anos de idade, editou o jornalzinho "Mandu", nele inserindo suas primeiras produções literárias. Viveu em Itapira, cidade do interior paulista, e aí editou "Juca Mulato", sua obra de maior repercussão, que já teve dezenas de edições. É autor de romances, contos e crônicas, de novelas e ensaios, de peças de teatro, de estudos políticos e de obras da literatura infantil. Fundou jornais e revistas, foi fazendeiro, procurador geral do Estado de São Paulo, editor, diretor de banco e industrial. Fez pintura e escultura. Foi deputado estadual e federal. É tabelião e ocupou diversos e altos cargos administrativos. Pertence às Academias Paulistas e Brasileira de Letras.
Menotti del Picchia teve destacada atuação no movimento modernista. Preparou, com Oswald de Andrade, o advento da nova tendência literária e artística, sustentando a polêmica com os passadistas, antes e depois da Semana de Arte Moderna. Em seguida, foi aguerrido defensor da doutrinação "Verde e Amarelo", opondo-se ao Oswald de Andrade de "Pau Brasil" e "Antropofagia". Defendeu também os ideais do "Grupo da Anta", que superavam os propósitos verdeamarelistas. Participou da Semana de Arte Moderna, sendo mesmo o seu orador oficial, apresentando, na festividade, os poetas e prosadores que exibiam, então, as produções da literatura nova. Suas crônicas no "Correio Paulistano", de 1920 até 1930, como que constituem um "diário do modernismo", registando, quase que quotidianamente, os entusiasmos, as raivas, as lutas e as desavenças da sua geração.

A poesia da fase modernista de Menotti del Picchia é colorida e engenhosa, padecendo do excesso das imagens. Abusa dos elementos plásticos, dos efeitos pitorescos e verbais. Mas, como todos os seus defeitos, que decorrem da atitude polêmica assumida, fecundou de idéias o período histórico que viveu, e que ajudou a desenvolver, sacrificando até a realização de obra poética de maior ressonância que podia dar. Poetando agora de raro em raro, controla os seus modismos e as invenções audaciosas, do que resulta uma poesia comunicativa e emocionada. "Nenhum dos seus livros modernistas" – escreve Manuel Bandeira – "superou o êxito de "Juca Mulato", onde o poeta se apresenta em sua feição mais genuína"


JUCA MULATO


Sofre, Juca Mulato, é tua sina, sofre...
Fechar ao mal de amor nossa alma adormecida
é dormir sem sonhar, é viver sem ter vida...
Ter, a um sonho de amor, o coração sujeito
é o mesmo que cravar uma faca no peito.
Esta vida é um punhal de dois gumes fatais:
não amar é sofrer, amar é sofrer mais!


Fontes de Pesquisa:
www.revista.agulha.nom.br
www.astormentas.com



Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)

domingo, 5 de junho de 2011

LÚCIA TRIGUEIRO


Lucia Maria Farias Trigueiro nasceu no Ceará em 20 de janeiro, atualmente reside em Brasília. Professora mas nunca exerceu o magistrado, sempre trabalhou na área da Saúde (parte técnica com projetos). Caçula de uma família grande e simples recebeu dos pais amados seu maior legado, os ensinamentos para que soubesse reconhecer o bem e o mal para caminhar sempre na direção certa.

Lucia Trigueiro gosta de ler e escrever. É uma pessoa sensível que ama a vida, a natureza e tudo que procede dela. Faz da verdade sua bandeira branca que tremula na suave brisa do tempo. Sincera e transparente respeita seu semelhante. Encontra e doa abrigo na fortaleza da amizade.

Conhecedora das leis divinas suas poesias sempre tendem para o lado espiritualista. Seus versos ternos falam de Deus como um Pai Amoroso que continuamente nos dá uma nova oportunidade de rever nossos atos, refazer o caminho, desfazer os nós que trincam o coração e poder nascer como novo ser, sem mágoas ou máculas que cegam a consciência e vendam os olhos para a beleza contida em cada criatura. Fala do perdão como uma ponte de evolução nessa viagem terrena.

Lucia é ternura que cativa e calmaria que nos alcança. Traz na alma uma chama de luz que se propaga na leveza da palavra e assim vai pintando com cores suaves o Livro da Vida. È esperança que cultiva a fé e assim vai nos conquistando com seu eterno canto de paz!



Anna Peralva



NÃO TE ESQUEÇO
Lucia Trigueiro



Música inspirando-me
sentimento de prazer
força que age sobre um corpo
sentença máxima
te amo te quero amor ardente
chama candente
expresso consentimento
faz-me afrodite
suavidade
lentamente ao deleite
agudeza inteligência penetrante
compreensão exata maciez
atraída pela força vontade por te querer
canto melodioso conjunto organizado
contorno ritmado do corpo
exercício harmonioso flutuar no ar
delícia lento sucessivo
amor aptidão intensa
faz soar chama em brasa suave
falando ou cantando na imaginação da saudade
em teus braços Deusa do Amor.

Brasilia
14.11.2006


Trabalho de arte: Marilda Ternura

EDVALDO ROSA


Um Pouco de Edvaldo Rosa

Ele diz que é um poeta em primeiras letras, embora venha participando de várias atividades poéticas, tanto na Net quanto fora dela!

Mantém um site de poesias, no seguinte link: www.sacpaixao.net e um grupo de poesias no Yahoo cujo link é: http://br.groups.yahoo.com/group/Sac_Paixao_Poesias

Começou a publicar suas poesias em jornais e revistas de circulação interna nas empresas onde trabalhou...

Participou de diversas antologias poéticas, destacando-se:

- Escritores Brasileiros Editora Crisalis RJ 1985
- Escritores Brasileiros II Editora Crisalis RJ 1985
- Asas e Vôos Editora Guemanisse RJ 2006
- 2° antologia poética da AVBL - Editora AVBL - 2006
- Antologia Escritores Brasileiros e Autores em Língua Portuguesa - RB Editora - 6° Edição 2008

Dentro da Net tem presença marcante em vários sites de poesias e grupos, em cirandas, duetos, etc.

Num trecho da Apresentação do seu livro Caminhando com as Borboletas ele diz:

“Partindo sempre do pessoal para o comunitário, de dentro de mim mesmo para fora, o mundo, o outro, minhas poesias tentam encontrar mais que significados... Minhas poesias procuram por novos caminhos, por soluções a problemas tão particulares quanto universais...

O amar e o amor têm encontrado em minhas poesias, suas mais variadas definições!
Há o amor que aprisiona e o amor que liberta!
E outras tantas formas de amar... E de ver a vida!”


Pesquisa: Sites do Poeta
Anna Peralva



Teu olhar...
Edvaldo Rosa



Projétil que se aloja em meu peito,
com jeito de matar...
Risco de morte sem jeito
de se evitar!
Teu olhar se encerra em meu peito,
com a finalidade de ficar...
E se abarca de mim o teu olhar,
e se desdobra em mim,
minha alma a adornar!
E em meu peito toda treva afugenta
com teu calor que também é luz,
com tua luz a me cegar!
Teu olhar é dádiva que recebo
temendo não merecer...
E vou me deixando levar por teu olhar...
E vou me perdendo!
E minhas resistências vão cedendo
uma a uma...
Ante o amor estampado em teu olhar!
E teu olhar projétil instalado em meu peito,
mata em mim toda a solidão...
Teu olhar me ressuscita!
E me dá asas pra voar!

Trabalho de arte: Marilda Ternura

ELIANE TRISKA


Eliane Couto Triska - Gaúcha, nascida no dia 21 de agosto em Porto Alegre no Estado do Rio Grande do Sul, encanta com seu sorriso franco... Com Formação em Direito e Psicologia, atualmente exerce a Psicologia Clínica, em Canoas, onde reside. Em 2008, na 54a. edição da Feira do Livro de Porto Alegre, lançou seu primeiro livro de poemas cujo título é: Os tempos e sua voz.

Escreve desde 2006, simplesmente escreve o que a alma dita: - “uma emoção sentida, uma história ou um coração de memórias”... "Escrever é minha liberdade e minha resistência!”.

Senhora de um olhar belo e penetrante, conheceu a música antes da poesia ... Sua escrita é clássica e, por uma questão talvez de personalidade, o soneto é seu gênero literário preferido.

Sobre sua poesia, assim diz nossa querida poeta:
“É o meu ato vândalo às limitações da vida, nesse vão entre desejo e realidade. É promessa, que não me nego, de continuar a existir na condição de humanidade que a letra da palavra evoca.”

Anna Peralva




SOBRE O AMOR
Eliane Triska


Amo-te nas perenes primaveras,
No estio dos setembros repetidos,
Nas letras comungando com as esperas
Dos livros - os penhores nunca lidos.

No balé dos meus sonhos te adiantas
Te dando à inocência... Tudo em vão!
Meu corpo, o repasto... e tu jantas
E encontras o pulsar de um coração.

Amo-te como o sol beija na testa
À semente a eclodir em solo bruto.
Céu-risos no perfume, o ar em festa
Da terra chora o útero em luto.

Já chega o junho, amor... Já é tão tarde!
Se fiel ao amor? ... Nem sei se o tenho!
Nem sei se é própria a dor do amor que invade
O amor, ou se é igual a que eu contenho.

Amo-te nos lamentos outonais.
É meia-noite... Ah, inquietações!
E em tua boca doce ... Quero mais!
E, durmo arquitetando ilusões.

Que importam os meus cantos solitários
- Se, um a um, a cega pauta tomba -
Darem vozes aos tempos libertários,
Se, afogam-se à noite. Grande onda!

Amo-te qual farrapo e descrente,
Se descrente o desejo só embriaga,
Eis-me à sede, à deriva e indigente
Sem um chão, um cobertor. Dá-me água!

Amor não vês? Sujeita ao teu domínio,
Afundo-me em choros sem pudores.
Tu mentes! Pois se és filho do destino
Por que só dás a mim tuas próprias dores?

Canoas, junho de 2009/RS

Trabalho de arte: Marilda Ternura

SÁ DE FREITAS


SAMUEL FREITAS DE OLIVEIRA usa o pseudônimo de Sá de Freitas, escreveu oito livros de romance, contos e poesias, quatro dos quais foram publicados por conta própria, em pequenas tiragens, já esgotados. Formado em Letras, Agrimensura e em Técnicas Veterinárias. Atualmente, dedica-se à Literatura e também à agricultura e à pecuária.

Músico, compositor, com um CD “Gravado Só Para Amigos", tendo ganho vários Festivais, inclusive na famosa e nacionalmente conhecida FAMPOP- Festival Avareense de Música Popular, Avaré, São Paulo, Brasil. Gosta da vida simples do campo, para estar sempre em contato com a Natureza, na qual encontra a sua inspiração. Homem simples vê a vida com os olhos d’alma e é através deles, que abrolha a singeleza ímpar de suas poesias... Em sonetos o poeta descreve

o amor como um todo, realista e sonhador esboça em versos toda sua sensibilidade... É o ser interior desaguando estesias poéticas que encantam! È o poeta-homem e o homem-poeta que em consonância torna o tempo uma fonte inesgotável de alquimia! É o homem, consciente da sua finitude e que usa a força da fé buscando fincar raízes de paz nesta viagem, o semeador que revolve a terra para que o jardim da felicidade floresça e, em harmonia com a natureza conversa com Deus!



Anna Peralva



EU NEM SONHAVA
Sá de Freitas


Naquele dia em que te vi passando,
Tão bem vestida, no jardim da igreja,
Quando eu tomava um copo de cerveja,
No bar da esquina, o meu violão tocando.

Jamais pensei que um dia eu fosse ver-te,
Fazendo parte ativa dos meus dias,
A inspirar as mais lindas poesias,
Que o teu carinho leva-me a escrever-te.

Isso porque diante da grandeza,
Do teu porte garboso, da beleza
E até mesmo da tua burguesia...

Jamais supus que, um dia, de repente,
Ias te apaixonar perdidamente,
Por quem toca violão e faz poesia.

Trabalho de arte: Marilda Ternura

ARIOVALDO CAVARZAN


Ariovaldo Cavarzan é paulista de Itapira... É escritor, poeta, pesquisador, aposentado (ex-bancário), autor e co-autor de livros de interesse da doutrina espírita, sendo um infantil... É também autor do livro intitulado "Il Cuore Non Può Dimenticare" (O Coração Não Pode Esquecer), sobre a imigração italiana no Brasil, a sua família e a antiga e numerosa colônia italiana que se fixou no município de Itapira, a partir do final do século 19 e início do 20, reunida em torno da Società Italiana di Mutuo Soccorso "Fratellanza e Lavoro", responsável pela edição do primeiro jornal do interior do Brasil, inteiramente publicado no idioma italiano, intitulado "La Patria Degl'Italiani".

Um dos fundadores e atual diretor presidente da Apabex, entidade que há 25 anos vem doando incondicionalmente carinho a pessoas com necessidades especiais e essa entrega plena ele conhece bem... E é com alegria que recebe o retorno: - Ternura, amor, cumplicidade e companheirismo!

É um ser sensível que traz dentro de si um amor inabalável, uma força que o faz seguir sempre adiante, vencendo os obstáculos que encontra pelo caminho,
sua fé é rocha milenar que sustenta os pilares da vida e sendo poeta, conhece os segredos do tempo... Seus versos encantam, neles o lirismo retrata um homem incorruptível, terno e capaz de revelar-se por inteiro... Com humildade acompanha os passos do tempo, sem medo de ser feliz!


Anna Peralva



Amar
Ariovaldo Cavarzan


Amar é fazer transbordar cascatas de ternura,
luz e cor, deixando inundar de amor e doçura
corações que se buscam na infinitude do tempo,
e na eternidade da alma.

Amar é voar nas asas do sonho e da paixão,
singrando o espaço e o tempo, vivenciando
instantes únicos, que não mais voltarão.

Amar é ignorar a razão,
é desvario,
é acender luz no coração,
é vibrar em sintonia, equilibrando no fino fio
que se interpõe entre a felicidade e a emoção.

30/04/2008

EFIGÊNIA COUTINHO


Efigênia Coutinho, nasceu em Petrópolis-RJ, cresceu em São Paulo-SP, e na difícil jornada da vida foi traçando sonhos e caminhos... Deixando que a vida a levasse ao alcance dos seus objetivos.

Formada em Artes, se especializou em Tapeçaria de TEAR, buscando os seguimentos Indígenas e sua História Natural, tendo participado de várias exposições
Em 1977 foi residir em Florianópolis SC, e há três anos mudou-se para Balneário Camboriú -SC -.

Segundo ela:

“Não sou poeta, apenas desenho sentimentos”.

Atraída pelos sentimentos, entendeu que a linguagem era um encontro de palavras retiradas da alma. Mistérios que só poetas decifram, quando se defrontam com a alquimia da vida!
Impulsiva e romântica em sua poesia necessita expor sentimentos, ora é pura emoção, ora aberta para o cotidiano da vida divulgando seu “eu” individual... Aquele que crê no amor Universal, na harmonia, amizade e solidariedade.

É Presidente, fundadora da AVSPE - Academia Virtual Sala dos Poestas e Escritores.

Anna Peralva


SILÊNCIO
Efigênia Coutinho


Os sonhos estão longe, além mar.
Seguem a vida lenta e arrastada...
Quisera deitar e sonhar apaixonada
Numa noite enluarada a beira-mar!

O que está longe se veste de saudade
E nossas horas tão breves são...
Têm da pluma a mesma densidade
Os sonhos no templo de adoração!

Até os sinos se perdem quando toados
Aos caprichos do vento que vai e vem.
Assim são nossos sonhos também
Quando esperamos tempos dourados.

O longo silêncio da real verdade,
Que a nossa voz num pranto silencia,
Deixa aos sentidos apenas a saudade,
Da vontade que o coração anuncia...

Balneário Camboriú
Setembro 2010

Trabalho de arte: Marilda Ternura

HILDA PERSIANI




Hilda Persiani Oliveira, nasceu em Ribeirão Claro, Paraná em 20 de janeiro de 1929.
Morou na cidade de Jacarezinho e aos 17 anos mudou-se para Curitiba-PR
Em 1948 formou-se em professora pelo Instituto de Educação do Paraná e em 1952 em
Assistente Social pela Escola de Serviço Social da Universidade Católica do Paraná.
Trabalhou no Palácio do Governo onde em 1954, conheceu Clénio Cesar de Oliveira,
seu marido, nascendo dessa união, Hilda Maria, sua única filha.
Desde jovem, copiava poesias de poetas consagrados em um caderno e as guardava,
passando mais tarde a divulgá-las na internet.
Em 2005, aos 76 anos, dando asas à sua sensibilidade, nasce a poeta.
Seus versos são contidos de ternura e romantismo, levando o leitor a voos de sonhos e emoções.
É membro efetivo da AVSPE - Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores,
faz parte de Poetas Del Mundo e AVPB-Academia Virtual Poetica do Brasil.

Anna Peralva



Lágrima
Hilda Persiani


Quem nunca uma lágrima verteu,
Seja de tristeza ou seja de alegria,
Em qual face uma lágrima não correu?
Todas as faces ela umideceu um dia.

Quantas rolaram por amor desfeito,
Outras rolaram por amor traido...
Quantas ficaram retidas dentro do peito...
Outras tantas tremularam sem ter caido.

Incolor, limpida e transparente,
Às vêzes até mesmo sem razão,
Escorrem pela face docemente
Ou rolam em suspiro pelo coração.

Mas quando se chega na terceira idade,
As lágrimas que banham nosso rosto,
Ou são causadas por algum desgôsto
Ou rolam como caricia, de saudade!...

Curitiba, 6/1/2006

Trabalho de arte: Marilda Ternura

GUI OLIVA



Falar da Gui seria usar folhas e folhas de papel... Como em poucas
linhas definir sua personalidade? Tarefa difícil... Mas conheço uma Gui,
mulher guerreira que sempre está na ativa e quando preciso, solta a voz!
Nas artes ela sabe de tudo um pouco e sua admiração por elas vem da
fase criança, do berço onde a família embalou seus sonhos... E a menina
cresceu, flor-mulher floresceu e uma outra unidade familiar formou. Como
o ciclo da vida não para, a mãe tornou-se avó, que sorve o mel da renovação,
paparica e registra a evolução dos netos, santa missão! São tantas Guis numa
só que a mente se confunde, qual delas reverenciar??? Com respeito e admiração
às outras, vou na Gui poeta... Àquela que em dias de chuva tem uma aquarela na alma e abre sóis em forma de versos, deixando fluir toda a estesia vivida,
pois sabe que vida e amor são enredos perfeitos para o sonhador. E da vida ela entende e dela retira inspiração para poeta! Sorvam...

Anna Peralva



Silencia coração
Gui Oliva


O silêncio é a conversa com o mais recôndito,
é o mergulho para dentro de mim mesma,
é o tempo volitando devagar que escolho,
para estagnar a vida como se vivesse
seu período de quaresma...

Quando se instala ele aproveita a escuridão,
a ausência de sons, de ruídos, de murmúrios,
não admite então qualquer perjúrio,
e propicia a trilha da reflexão...

mas é dolorido
pois o trinar dos pássaros não escuto,
da claridade do céu azul eu me escondo,
e do sol que me aquece afasto o sonho da ilusão

e assim muda, silenciosa, neste reduto
enclausurada eu penso, e rondo
o receio de afirmar... silencia coração!

Santos/02/01/07


Trabalho de arte: Marilda Ternura

ANTÔNIO GONÇALVES DIAS

Antônio Gonçalves Dias
(1823-1864)

Nascido em Caxias, era filho de uma união não oficializada entre um comerciante português com uma mestiça cafuza brasileira (o que muito o orgulhava de ter o sangue das três raças formadoras do povo brasileiro: branca, indígena e negra), estudou inicialmente por um ano com o professor José Joaquim de Abreu, quando começou a trabalhar como caixeiro e a tratar da escrituração da loja de seu pai, que veio a falecer em 1837. Iniciou seus estudos de latim, francês e filosofia em 1835 quando foi matriculado em uma escola particular.

Foi à Portugal em 1838, onde terminou os estudos secundários e ingressou na Faculdade de Direito, Universidade de Coimbra em 1840, retornando em 1845, após bacharelar-se. Mas antes de retornar, ainda em Coimbra, participou dos grupos medievistas da Gazeta Literária e de O Trovador, compartilhando das ideias românticas de Almeida Garret, Alexandre Herculano e Antonio Feliciano de Castilho. Por se achar tanto tempo fora de sua pátria, inspira-se para escrever a "Canção do Exílio" e parte dos poemas de "Primeiros Cantos" e "Segundos Cantos", o drama Patkull e Beatriz de Cenci, depois rejeitado por sua condição de texto "imoral" pelo Conservatório Dramático do Brasil. Foi ainda neste período que escreveu fragmentos do romance biográfico "Memórias de Agapito Goiaba", destruído depois pelo próprio poeta, por conter alusões a pessoas ainda vivas.

No ano seguinte ao seu retorno conheceu aquela que seria sua grande musa inspiradora: Ana Amélia Ferreira Vale. Várias de suas peças românticas, inclusive “Ainda uma vez — Adeus”, foram escritas para ela. Nesse mesmo ano ele viajou para o Rio de Janeiro, então capital do Brasil, onde trabalhou como professor de história e latim do Colégio Pedro II, além de ter atuado como jornalista, contribuindo para diversos periódicos: Jornal do Commercio, Gazeta Oficial, Correio da Tarde e Sentinela da Monarquia, publicando crônicas, folhetins teatrais e crítica literária.

Em 1849 fundou com Manuel de Araujo Porto Alegre e Joaquim Manuel de Macedo a revista Guanabara, que divulgava o movimento romântico da época. Em 1851 voltou a São Luis do Maranhão, a pedido do governo para estudar o problema da instrução pública naquele estado.

Gonçalves Dias pediu Ana Amélia em casamento em 1852, mas a família dela, em virtude da ascendência mestiça do escritor, refutou veementemente o pedido. No mesmo ano retornou ao Rio de Janeiro, onde casou-se com Olímpia da Costa. Logo depois foi nomeado Oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros e viveu na Europa de 1854 a 1858, em missão oficial de estudos e pesquisa em prol da educação nacional. Viajou para a Alemanha, onde o livreiro-editor Brockhaus editou os primeiros quatro cantos de "Os Timbiras", compostos dez anos antes. Voltou ao Brasil e, entre 1861 e 62, navegou pelos rios Madeira e Negro, com uma missão científica de exploração.


Voltou à Europa em 1862 para um tratamento de saúde. Não obtendo resultados retornou ao Brasil em 1864 no navio Ville de Boulogne, que naufragou na costa brasileira; salvaram-se todos, exceto o poeta que foi esquecido agonizando em seu leito e se afogou. O acidente ocorreu nos baixios de Atins, perto da vila de Guimarães no Maranhão. Sua obra pode ser enquadrada no Romantismo. Procurou formar um sentimento nacionalista ao incorporar assuntos, povos e paisagens brasileiras na literatura nacional. Ao lado de José de Alencar, desenvolveu o Indianismo.Por sua importância na história da literatura brasileira, podemos dizer que Gonçalves Dias incorporou uma ideia de Brasil à literatura nacional.

Segundo a crítica, suas principais obras literárias foram escritas até 1854: "Cantos", "Sextilhas", "Meditação", os trechos iniciais de "Os Timbiras", e a peça de teatro "Leonor de Mendonça". No período final, favorecido pelas comissões oficiais e as viagens à Europa, escreveu o "Dicionário da Língua Tupi", os relatórios científicos, as traduções do alemão, e o final da epopéia "Os Timbiras".

Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Coimbra - julho 1843.


Fontes de Pesquisa:

http://www.wikipedia.org
http://www.educacao.uol.com.br
http://revista.agulha.nom.br

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)

ADALGISA NERI

ADALGISA NERY
(1905 - 1980)


Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira, mais conhecida como Adalgisa Nery, nasceu na rua Sebastião Lacerda, no bairro Laranjeiras, em 29/10/1905, era filha do advogado Gualter Ferreira, natural do Mato Grosso, mas baseado no Rio de Janeiro, e da portuguesa Rosa Cancela. Sensível e imaginativa desde cedo, ela ficou órfã de mãe aos oito anos de idade, o que lhe foi um grande impacto, registrado mais tarde em sua obra.

O segundo casamento de seu pai se tornou motivo de conflitos emocionais, pois Adalgisa não se adaptou ao temperamento difícil da madrasta . Estudou como interna em um colégio de freiras e, naquela época, já era vista como "subversiva" por defender as "órfãs" (categoria comum nos colégios religiosos da época), consideradas subalternas e maltratadas. Por essa razão, acabou sendo expulsa da escola . Portanto, a única educação formal que ela recebeu em vida foi a do ensino primário.

Aos quinze anos, Adalgisa se apaixonou por seu vizinho, o pintor Ismael Nery, um dos precursores do Modernismo no Brasil, com quem casou aos dezesseis anos. O casamento durou doze anos, até a morte do pintor em 1934. A partir do casamento, Adalgisa Nery mergulhou em uma vida trepidante, que lhe proporcionou a entrada em um sofisticado circuito intelectual graças a frequentes reuniões em sua casa, uma estada de dois anos na Europa com o marido, e a consequente aquisição de cultura. Porém a vida de Adalgisa foi também muito marcada pelo sofrimento e pela relação conflituosa, muitas vezes violenta, com o marido. O casal teve sete filhos, todos homens, mas somente o mais velho, Ivan, e o caçula, Emmanuel, sobreviveram.

Em 1959, Adalgisa Nery publicou o romance autobiográfico A Imaginária, que se tornou seu maior sucesso editorial. Adalgisa, usando como alter ego a personagem Berenice, descreveu como o fascínio que sentia pelo marido no início do casamento foi substituído por um verdadeiro sentimento de terror pela violência que ele podia assumir na vida cotidiana.

Viúva aos vinte e nove anos, sem muitos recursos financeiros e com dois filhos para criar, Adalgisa foi trabalhar primeiro na Caixa Econômica, mas depois conseguiu arranjar um cargo no Conselho do Comércio Exterior do Itamaraty. Em 1937, ela lançou seu primeiro livro de poesia, intitulado Poemas.

Em 1940 , Adalgisa se casou com o jornalista e advogado Lourival Fontes, diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), criado por Getúlio Vargas em 1939, para difundir a ideologia do Estado Novo.

Seguiu o segundo marido em funções diplomáticas, em Nova York de 1943 a 1945 e como Embaixador no México em 1945. No México desenvolveu amizade com os pintores Diego Rivera, José Orozco (ambos a retrataram), Frida Kahio, David Siqueiros e Rufino Tamayo. Em 1952, viajou novamente àquele país, como embaixadora plenipotenciária, para representar o Brasil na posse do presidente Adolfo Ruiz Cortines. Recebeu a Ordem da Águia Asteca, nunca antes concedida a uma mulher, em virtude de suas conferências sobre Juana Inés de la Cruz.

O casamento com Lourival durou treze anos, e a separação ocorreu quando ele se apaixonou por outra mulher.

Em razão do grande sofrimento causado pelo abandono de Lourival Fontes, e apesar de seu valor literário ser reconhecido não só no Brasil como na França, onde uma coletânea de poemas foi traduzida por Pierre Seghers, Adalgisa resolveu destruir a própria fama e renegar sua obra. A partir daí, tornou-se jornalista, escrevendo para o jornal Última Hora e política. Foi eleita deputada três vezes, primeiro pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) e depois, no tempo do bipartidarismo, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em 1969 teve o mandato e seus direitos políticos cassados.

Pobre e desamparada, sem ter onde morar, após em vida ter doado tudo para os filhos, Adalgisa passou a residir entre 1974 e 1975 em uma casa do comunicador Flávio Cavalcanti, em Petrópolis, onde viveu como reclusa. Contrariando seu propósito de nunca mais dedicar-se à literatura, ela escreveu e publicou ainda dois livros de poesia, dois de contos, um de artigos e um romance, Neblina. O romance foi dedicado a Cavalcanti, reconhecido como "dedo-duro", em gratidão pelo acolhimento que lhe dera. No conflito entre o que seria "politicamente correto" e a lealdade a um amigo, Adalgisa escolheu, sem hesitar, o caminho do afeto. Em razão disso, o livro foi ignorado pela crítica.

Em 1975 passou a morar na casa de seu filho mais moço, Emmanuel.Em maio de 1976, deixou um bilhete para o filho e se internou sozinha, por livre e espontânea vontade, sem ter doença alguma, numa casa de repouso para idosos, em Jacarepaguá. Emmanuel, quando chegou em casa, surpreso, não encontrou mais a mãe. Um ano mais tarde, ela sofreu um acidente vascular erebral e ficou afásica e hemiplégica. Três anos mais tarde, aos setenta e quatro anos, faleceu.

POEMA DA AMANTE

Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita dos tempos
Até a região onde os silêncios moram.
Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.
Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
E em tudo que ainda estás ausente.
Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.
Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.


Fontes de Pesquisa:

http://www.revista.agulha.nom.br
www.pt.wikipedia.org

Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)

GUIMARÃES ROSA

GUIMARÃES ROSA
(1908 - 1967)


Guimarães Rosa é considerado por muitos críticos o maior escritor brasileiro da segunda metade do século 20. Ele foi o primeiro dos sete filhos de Francisca Guimarães Rosa ("Chiquitinha") e de Florduardo Pinto Rosa ("Seu Fulô"), comerciante, juiz de paz, caçador e contador de histórias.

Autodidata, Joãozinho, como era chamado quando criança, começou a estudar diversos idiomas, iniciando pelo francês, quando ainda não tinha sete anos.

Morando na casa dos avós em Belo Horizonte, terminou o curso primário. Iniciou o curso secundário, em regime de internato, no Colégio Santo Antônio, em São João del-Rei, mas não conseguiu se adaptar e retornou a Belo Horizonte, onde se formou.

Em 1925, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, com apenas 16 anos. Sua estréia nas letras se deu em 1929, ainda como estudante. Escreveu quatro contos, todos premiados.

Em 27 de junho de 1930, aos 22 anos, casou-se com Lígia Cabral Penna, de 16 anos, com quem teve duas filhas: Vilma e Agnes. No mesmo ano se formou e passou a exercer a profissão de médico em Itaguara, então município de Itaúna (MG), onde permaneceu cerca de dois anos.

Foi nessa localidade que passou a ter contato com os elementos do sertão que serviram de referência e inspiração para sua obra literária.

Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, Guimarães Rosa serviu como voluntário na Força Pública. Posteriormente efetiva-se, por concurso. Em 1933, foi para Barbacena na qualidade de oficial médico do 9o Batalhão de Infantaria.

Ainda nos anos 1930, Guimarães Rosa participou de outros dois concursos literários. Em 1936, a coletânea de poemas "Magma" recebeu o prêmio de poesia da Academia Brasileira de Letras. Um ano depois, sob o pseudônimo de Viator, concorreu ao prêmio Humberto de Campos, com o volume intitulado "Contos", que dez anos mais tarde, após uma revisão do autor, se transformaria em "Sagarana".

Aprovado em concurso para o Itamaraty, passou alguns anos de sua vida como diplomata brasileiro na Europa e na América Latina. Em 1938, na Alemanha, conheceu Aracy Moebius de Carvalho (Ara), que viria a ser sua segunda mulher.

Durante a guerra, por várias vezes escapou da morte. A superstição e o misticismo o acompanhariam por toda a vida. Antes do final da guerra, passou dois anos em Bogotá, onde escreveu o conto "Páramo", que faz parte do livro póstumo "Estas Estórias".

Em dezembro de 1945 retornou a sua terra natal. No ano seguinte foi nomeado chefe-de-gabinete do ministro João Neves da Fontoura e seguiu para Paris como membro da delegação brasileira na Conferência de Paz.

De volta ao Brasil, fez uma excursão ao Mato Grosso, anotando tudo o que via. O resultado foi a obra "Com o Vaqueiro Mariano" (1947). Após uma viagem a Bogotá em 1948, retornou à embaixada em Paris, onde permaneceu até 1951.

Em maio de 1956, após a publicação de "Corpo de Baile", surgiu "Grande Sertão: Veredas", uma narrativa épica de 600 páginas sobre o ambiente e a gente do sertão mineiro. A história do amor proibido entre Riobaldo e Diadorim.

Em sua segunda candidatura para a Academia Brasileira de Letras, Guimarães Rosa foi eleito por unanimidade (1963). Adiou a cerimônia de posse até 1967, e faleceu três dias mais tarde na cidade do Rio de Janeiro, aos 59 anos.


LUAR


De brejo em brejo,
os sapos avisam:
--A lua surgiu!...

No alto da noite as estrelinhas piscam,
puxando fios,
e dançam nos fios
cachos de poetas.

A lua madura
Rola,desprendida,
por entre os musgos
das nuvens brancas...
Quem a colheu,
quem a arrancou
do caule longo
da via-láctea?...

Desliza solta...

Se lhe estenderes
tuas mãos brancas,
ela cairá...


Fontes de Pesquisa:

http://pensador.uol.com.br
www.revista.agulha.nom.br
Trabalho de Pesquisa: Eliana Ellinger (Shir)